DAMIAN WINTER
O interior da mansão era semelhante a fachada. Paredes claras, mármore e uma decoração minimalista, porém caríssima. Célia me conduziu até sua sala de estar ampla, com uma vista para um jardim de inverno. Ela apontou para um sofá de couro branco.
— Sente-se. Gostaria de um café? Chá? Algo mais forte?
— Não, obrigado. — respondi, mantendo-me de pé.
Célia deu de ombros, acomodando-se em uma poltrona, cruzando as pernas. O sorriso que ela tentava manter nos lábios não alcançava seus olhos, que me avaliavam com desprezo e cautela.
— Então, seja breve, Damian. Meu tempo é valioso.
Fui direto ao ponto, sentindo a adrenalina subir.
— Eu descobri, Célia.
Ela continuou sorrindo, mas o brilho em seu olhar se intensificou, tornando-se mais calculista.
— Descobriu o quê, exatamente? Que você é um homem arrogante e odioso? Isso eu já sabia.
Ignorei a provocação.
— Que você está por trás do assassinato de Nathan Ponlic.
O sorriso dela vacilou por um milésimo de segundo.
— Você veio à minha casa, Damian, para me dizer absurdos? Se está tentando me chantagear, está perdendo seu tempo e o meu. Nathan Ponlic foi morto pelo seu pai. O caso está encerrado.
Dei um passo à frente, estreitando os olhos.
— Não estaria aqui dizendo isso se não tivesse certeza. E em breve, Célia, eu terei as provas necessárias. Provas que vão colocar você atrás das grades.
Célia inclinou a cabeça para trás e soltou uma risada curta, que soou completamente forçada no silêncio da sala.
— Provas? O que você tem? Suspeitas? A raiva de um filho que não aceita o destino do pai assassino?
— Terei o suficiente para reabrir o caso. Sei que seu alvo não era meu pai e sim eu. Tudo porque eu não queria mais aturar a insuportável da sua filha. Sophie estava completamente louca.
O nome dela finalmente atingiu a ferida. O sorriso dela desapareceu por completo. Seus olhos, antes frios, agora ardiam com aquele ódio puro e antigo.
— Minha filha nunca foi louca. — A voz dela saiu baixa e rosnada. — Sophie te amava. Ela teria feito qualquer coisa por você. Mas você... você é um canalha, Damian. Nunca deu uma chance ao casamento de vocês. Estava sempre correndo atrás daquela vagabunda da Stella, por causa dessa coisinha insignificante que você sente por ela e chama de amor.
— Não fale o nome dela! — rosnei, sentindo o sangue ferver. Preciso me controlar. Preciso fazer com que ela continue, que confesse. — Sophie era instável. Doentia. A obsessão dela não era amor.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!