DAMIAN WINTER
O cano da pistola era um buraco negro, enquanto o rosto de Célia era uma tela em branco, a loucura substituída por uma calma gélida que era infinitamente mais aterrorizante.
— Sabe, Damian, eu estava pensando em como me livrar de você. — A voz dela era um murmúrio suave, quase conversacional, que não combinava em absolutamente nada com a arma em sua mão. — Adiar, criar um plano elaborado... Mas por quê? Às vezes, a solução mais simples é a mais eficaz. É melhor cortar o mal pela raiz. E você, querido, é a raiz de todos os meus males.
Mantive meu corpo rígido, os músculos tensos, pronto para reagir. Meus olhos estavam fixos nos dela, tentando ler qualquer intenção ou qualquer vacilo. A equipe de policias estavam ouvindo tudo. A confissão e a ameaça.
— Abaixe a arma, Célia. — Falei em voz alta e clara, cada sílaba projetada para ser captada pelo microfone escondido sob minha camisa. — Você não vai conseguir se safar disso. Me matar aqui, na sua própria casa? Seria o ato mais estúpido que você já cometeu.
Uma sombra de sorriso tocou seus lábios, mas era desprovido de qualquer calor.
— Você me subestima, Damian Winter. Acha mesmo que eu não estou pensando nisso? — Ela gesticulou com a arma, o cano movendo-se milímetros, mas o suficiente para fazer meu coração vacilar. — Eu consigo me safar, sim. E vai ser mais fácil do que você imagina. Esta arma... — ela olhou para o objeto em sua mão com uma familiaridade perturbadora — ...pertence ao meu marido. Ele a guarda aqui na sala e uma no quarto, para "proteção". Finalmente aquele imprestável está sendo útil.
O plano dela se desenrolou em sua expressão vitoriosa antes mesmo que ela o verbalizasse. Ela não estava apenas blefando, ela realmente tinha um plano. Quando ela pensou nele? No momento que entrei aqui? Será que foi antes disso?
— Eu vou ligar para o meu marido. — continuou. — Vou ligar para o meu querido e devotado Samuel, chorando, desesperada. Direi que você invadiu minha casa, que está me ameaçando, que eu temo pela minha vida. E quando ele chegar, correndo para salvar sua esposa indefesa, o que ele vai encontrar? Você, morto no chão. E eu, em estado de choque, ao lado da arma dele. Ele assumirá a culpa para me proteger. Afinal, ele me ama.
Era um plano doentio, distorcido, mas assustadoramente plausível, vindo de uma mulher como ela. Sem tirar os olhos de mim, ela estendeu a mão livre e pegou o celular da mesinha de centro. Com uma agilidade impressionante, discou um número, ainda com a arma firmemente apontada para o meu peito.
O telefone chamou uma, duas vezes. Então, a atuação começou.
— Samuel? — A voz dela quebrou, transformada instantaneamente em um soluço de pânico e terror. Era uma performance digna de um prêmio. — Samuel, pelo amor de Deus, venha para casa! Agora! É o Damian... Ele está aqui! Ele... ele está me ameaçando, eu não sei o que fazer! Eu estou com tanto medo... Venha rápido, por favor!
Ela desligou abruptamente, jogando o celular de volta na mesa sem se importar em quebrar. A máscara de fragilidade desapareceu tão rápido quanto surgiu. O olhar frio e raivoso retornou.
— Viu? — disse ela, com uma satisfação doentia. Sophie realmente teve em quem se espelhar. — Agora é só uma questão de esperarmos alguns minutos. Ele virá voando.
Um sorriso involuntário quase escapou dos meus lábios, mas o contive. Alguns minutos. Era tudo o que eu precisava. Tudo o que Elliot e sua equipe precisavam. Eles estavam a apenas três quarteirões de distância. Tinham ouvido a ameaça direta, a confissão do plano e a encenação da ligação. Fica calmo Damian, isso era ainda melhor do que o plano original. Ela não seria apenas presa por ordenar o assassinato de Nathan, seria pega em flagrante, com a arma na mão, após uma ameaça de morte gravada. Ela havia se enforcado com a própria corda.

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