DAMIAN WINTER
A dor era como o chute de uma mula, sei disso porque levei o chute de uma na adolescência. Um impacto brutal que me roubou o fôlego e fez estrelas dançarem na minha visão. Caí de joelhos, o som do disparo reverberando em meus ouvidos, abafando os gritos dos policiais que invadiam a sala. Minha mão voou para o peito, um ato reflexo para conter uma ferida que, para a minha sorte do caralho, não estava lá. Meus dedos pressionaram o tecido da camisa, sentindo o colete por baixo e a deformidade dura e quente onde a bala havia se alojado.
"Obrigado, Elliot". O pensamento foi grato e aliviado. "Obrigado por ter insistido nessa merda".
Eu achei que ela não chegaria tão longe, mas psicopatas como ela não conheciam limites.
Enquanto a equipe tática dominava Célia, que oferecia uma resistência surpreendente para uma mulher de sua estatura, meus olhos permaneceram fixos nela. O sorriso satisfeito em seu rosto começou a vacilar quando ela me viu levantar a cabeça, sorri para ela com minha respiração voltando em lufadas doloridas. A compreensão de que eu estava vivo, que seu último ato de vingança havia falhado, transformou seu triunfo em uma fúria pura e descontrolada.
— Não! — O grito dela rasgou o ar, agudo e selvagem. — Você devia estar morto! MORTO!
Dois policiais a seguravam pelos braços, mas ela se debatia como um animal, o cabelo desgrenhado caindo sobre o rosto contorcido de ódio.
— Eu vou matar você, Damian Winter! — vociferou, sendo arrastada para fora. — Eu vou sair e vou te caçar! Você e aquela sua vagabunda! Ela vai ser a próxima! Eu juro pela alma da minha filha que vou acabar com vocês!
As ameaças continuaram ecoando pelo corredor enquanto a levavam, uma ladainha de ódio que se misturava ao som da chuva lá fora. O silêncio que se seguiu foi quebrado rapidamente pela movimentação dos policiais e pela voz de Elliot, que agora estava ajoelhado ao meu lado.
— Damian? Você está bem? Fala comigo.
— Estou bem. — consegui dizer, com minha voz rouca. Cada respiração era um esforço, o local do impacto no meu peito parecia uma brasa viva. — Ela... ela confessou tudo. Vocês pegaram?
— Pegamos tudo. — Elliot confirmou, passando a mão pelo meu ombro. — A confissão, o plano contra o marido, a ameaça de morte, o disparo... Temos o suficiente para enterrá-la por três vidas. Mas agora precisamos cuidar de você. Mesmo com colete, o impacto pode causar lesões internas. Vamos para o hospital.
Forcei-me a ficar de pé, usando o sofá como apoio. Uma tontura me atingiu, mas a ignorei. A adrenalina ainda corria solta, disfarçando a dor.
— Não. Sem hospital. — falei, com a determinação sobrepujando o mal-estar. — Eu estou bem. Tudo o que eu quero agora é ir para casa, Elliot. Para a Stella.
Ele me olhou, com preocupação e compreensão em seu rosto. Sabia que não adiantaria discutir.
— Tudo bem. Mas primeiro, vamos tirar essas coisas de você e pegar seu depoimento formal.
Concordei com a cabeça. Dois policiais me ajudaram a ir para a van, onde, com cuidado, removeram meu paletó e minha camisa. A visão do colete era chocante. Um buraco escuro marcava o ponto de impacto, a fibra balística estava deformada e afundada. Quando o tiraram, a dor se intensificou, e eu pude ver a mancha roxa e vermelha que já se formava na minha pele. Parecia que eu tinha sido marcado a ferro. Em seguida, removeram o pequeno transmissor, o aparelho que garantira nossa vitória.
O trajeto até a delegacia foi um borrão. Sentei-me no banco de trás pensando em Célia. O plano dela era insano, mas poderia ter funcionada. Se não fosse pela escuta, pela equipe de prontidão...
Chegamos rapidamente na delegacia. Fui levado a uma sala que estava começando a se tornar familiar para prestar meu depoimento oficial. Contei tudo, desde o momento em que cheguei à mansão até o disparo, enquanto um escrivão digitava furiosamente. O delegado entrou na metade do processo, o rosto sério, mas com um brilho de satisfação nos olhos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!