DAMIAN WINTER
O silêncio foi a primeira coisa que notei quando a manhã finalmente chegou. A nossa nova casa, geralmente preenchida pelo barulho matinal dos meninos se arrumando para a escola, estava mergulhada em uma quietude desconhecida. Então lembrei que meus pais, informados na noite anterior, haviam levado as crianças para passarem o dia com eles.
Encontrei Stella na cozinha, já vestida, tomando uma xícara de café com as mãos envolvendo a porcelana como se buscasse calor.
— Pronto? — ela perguntou.
— Nasci pronto para acabar com essa desgraçada. — respondi, pegando o café que ela me oferecia.
Não comemos. O nó em meu estômago não permitiria. Vestimo-nos em silêncio. Quando parei em frente ao espelho, Stella veio por trás de mim, suas mãos subindo para ajeitar a gola da minha camisa e nossos olhos se encontraram no reflexo.
— Lembre-se pelo que estamos lutando. — ela sussurrou, a mão dela pousando sobre o meu coração. — Pelos nossos filhos. Pela nossa paz. Por nós.
— É a única coisa em que consigo pensar. — respondi, virando-me para beijá-la.
O caminho até o centro da cidade foi feito em silêncio. A cada quilômetro que nos aproximávamos do tribunal, eu sentia a paz dos últimos seis meses se desfazendo, sendo substituída pela adrenalina fria e familiar do confronto.
Como esperado, a frente do tribunal era um circo. Um enxame de abutres com câmeras e microfones se aglomerou em volta do nosso carro assim que paramos. Flashes explodiram em nossos rostos, perguntas eram gritadas, um ruído incômodo e invasivo. Ignorei tudo, mantendo uma mão firme na parte inferior das costas de Stella, guiando-a através da multidão, com nossos seguranças abrindo caminho.
Fomos recebidos por um assistente da promotoria que nos levou a uma pequena sala de espera. O promotor, Sr. Davies, um homem de meia-idade com um olhar penetrante, já nos esperava.
— Sr. Winter, Sra. Harper. — ele nos cumprimentou com um aceno de cabeça. — Obrigado por estarem aqui. Sei que o timing não é o ideal e aconteceu mais rápido do que o previsto.
— Apenas nos diga que vamos acabar com isso hoje. — falei, impaciente.
— Faremos o nosso melhor. A seleção do júri foi concluída ontem. Eles estão prontos. A estratégia da defesa será óbvia: pintar você, Sr. Winter, como o agressor, um homem violento que aterrorizou a Sra. Pósitron, uma "mãe enlutada", a ponto de ela atirar em legítima defesa. Eles tentarão desacreditar seu testemunho e até a confissão.
— Deixe que tentem. — Stella disse friamente.
— Exatamente. — Davies concordou, um brilho de admiração em seus olhos. — O que temos é a verdade. E temos a gravação. Apenas se atenham aos fatos. Respondam apenas ao que for perguntado. Não deixem que o advogado dela os provoque. Ele se chama Marcus Thorne, e é um tubarão.
Assentimos. Quinze minutos depois, um oficial nos chamou. A hora havia chegado.
Entrar naquela sala de tribunal foi como entrar em uma arena. O juiz era um homem mais velho de aparência severa, estava em seu assento elevado. O júri, doze rostos anônimos, nos observava com uma curiosidade mórbida. E então, eu a vi.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!