DAMIAN WINTER
SEIS MESES DEPOIS
Eu vivi os últimos meses em um estado de paz que, por muito tempo, julguei inalcançável. A tranquilidade não era mais uma anomalia, ela tornou-se o ritmo constante da minha vida, a melodia de fundo era os risos dos meus filhos e os suspiros satisfeitos de Stella ao meu lado. A felicidade era o ar que eu respirava, e eu nunca me sentira tão vivo.
Hoje, essa felicidade tinha o cheiro de tecido novo e a energia inesgotável de três meninos sendo forçados a experimentar roupas formais.
— Pai, eu pareço um pinguim! — Danian reclamou, se contorcendo em frente ao espelho do provador.
Com quase seis anos, ele havia desenvolvido um senso de opinião forte e firme. Ele começou a estudar este ano, e com a escola veio um novo nível de vocabulário e atitude que era, ao mesmo tempo, exasperante e cativante.
— Você não parece um pinguim. Você parece um homenzinho muito elegante. — Stella disse, ajoelhando-se para ajustar a pequena gravata borboleta em seu pescoço.
Apollo observava o irmão com uma expressão de desdém de seus imensos sete anos de idade.
— Pinguins são legais, Danian. Você está sendo um bebê de novo.
— Não estou, não! — retrucou Danian.
— Parem vocês dois. — falei, seriamente. — Vocês três estão perfeitos. Orion, vire-se.
Orion girou lentamente, o pequeno terno cinza se ajustando perfeitamente a ele. Ele deu um sorriso tímido.
— O que foi? — Stella perguntou, levantando o olhar para mim.
— Nada. — respondi, desencostando da parede e me aproximando.
Ela sorriu, um sorriso que ainda fazia meu coração acelerar e faria para sempre. Ela se levantou e ajeitou a gola da minha camisa.
— Nós ainda temos que confirmar o bolo.
— Certo. Missão ternos: concluída. Próxima parada: diabetes em forma de bolo. — anunciei para os meninos, que comemoraram com gritos.
O resto da tarde passou em um borrão feliz. Aprovamos o bolo, tomamos sorvete, e no caminho para casa, o silêncio no carro era preenchido apenas pela respiração suave dos três garotos, que finalmente haviam desmaiado de exaustão e açúcar no banco de trás.
A mão de Stella encontrou a minha sobre o console.
— Esse é um vislumbre do nosso futuro. — ela sussurrou, olhando para os nossos filhos pelo retrovisor.
— Se o nosso futuro envolve você de joelhos na minha frente... — comecei, com um sorriso malicioso.
Ela me deu um tapa na coxa, mas riu.
— Estou falando dos meninos, seu pervertido. Mas já que tocou no assunto...
— Não termine essa frase. — interrompi, minha voz de repente rouca.
Ela riu de novo, aquele som que era minha música favorita.
— Mal posso esperar para ser sua esposa, senhor Winter.
— A espera está quase no fim, senhorita Harper.

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