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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

Era a manhã de Natal.

Lá fora, uma neve fina caía sobre o gramado vasto que Markus tinha comprado para o nosso filho, cobrindo as traves de futebol e a capa da piscina com um manto branco e brilhante. Dentro de casa, o cheiro de canela, pinheiro e chocolate quente dominava o ar.

Eu estava parada no pé da escada, alisando o tecido de lã grossa que pinicava minha pele. Olhei no espelho de entrada e suspirei. Eu estava ridícula. O suéter era vermelho berrante, com um desenho de uma rena de nariz gigante que, graças a uma bateria interna, piscava uma luz LED vermelha a cada três segundos.

— Markus! Mark! Vamos! — Gritei para o andar de cima. — Estamos atrasados! A Stella disse que quem não chegar até o meio-dia, ela vai dar o peru para os vizinhos!

Ouvi o som de passos correndo.

Mark apareceu no topo da escada. Ele vestia uma versão miniatura do meu suéter. A rena dele também piscava. Ele tinha um sorriso de orelha a orelha e segurava uma caixa de presente embrulhada em papel dourado.

— Mãe! Olha! Eu tô brilhando! — Ele apontou para o próprio peito. — O tio Damian vai ter inveja da minha luz!

— Você está lindo, meu amor. — Sorri, estendendo a mão para ele. — O elfo mais brilhante do Papai Noel.

Mark desceu os degraus pulando e parou ao meu lado, vibrando de energia natalina.

Então, ouvi passos mais pesados e lentos.

Markus apareceu.

Ele estava usando calça jeans escura, botas de couro marrom e uma camisa de flanela xadrez preta e vermelha, com as mangas dobradas até o antebraço. Ele estava lindo. Másculo. Cheiroso.

E completamente errado.

Cruzei os braços, sentindo a lã do meu suéter pinicar meus cotovelos.

— Onde está? — Perguntei, arqueando uma sobrancelha.

Markus parou no último degrau, com aquele sorriso de lado que costumava me desarmar, mas que hoje não funcionaria.

— Onde está o quê, querida? As chaves do carro? Estão aqui. — Ele balançou o chaveiro. — Os presentes? Já coloquei no porta-malas.

— O suéter, Markus. — Apontei para o peito dele. — O suéter de rena piscante que a Stella mandou fazer sob medida para você. O suéter que é obrigatório para a foto de família.

Markus fez uma careta de dor física.

— Ah, isso... — Ele coçou a nuca. — Amor, eu pensei... eu vou ficar ridículo dirigindo por aí com aquela coisa. Parecendo um outdoor de Natal com defeito. Vou deixar para vestir só quando chegar lá. Igual o Alex e o Damian vão fazer.

Ele tentou passar por mim em direção à porta, dando um beijo rápido na minha testa como distração.

— Vamos? O trânsito deve estar ruim.

— Mark, espera um minutinho no carro, por favor? — Falei com a voz mais doce do mundo. — O papai e eu precisamos ter uma conversinha rápida.

Markus sabia que estava encrencado.

— O problema, meu amor... — Dei um passo à frente, alisando o peito dele. — ...é que quem manda no Damian é a Stella. E quem manda no Alex é o medo que ele tem da Stella e a Lizzy. Você acha mesmo que eles vão aparecer sem o suéter?

— O Damian é o chefe de uma empresa! Ele não tem medo da esposa! — Markus argumentou, mas sem convicção.

— O Damian tem medo de dormir no sofá. Eles vão estar vestindo os malditos suéteres. O Alex também, porque a Lizzy o faz ceder em dois segundos. E você...

Dei dois tapinhas no rosto dele.

— Você vai subir agora, pegar a porra do suéter e vesti-lo. Porque eu não vou ficar piscando naquela festa enquanto você anda confortavelmente. E porque eu também quero a foto perfeita.

Markus me olhou por um longo momento. O olhar dele desceu pelo meu corpo, parando no meu nariz de rena piscante, e depois subiu para os meus olhos. Ele balançou a cabeça, rindo.

— Nossa... — Ele murmurou, passando os braços pela minha cintura e me puxando para perto. — Falando com todo esse carinho, com essa delicadeza... como posso dizer não?

— Não pode. — Fiquei na ponta dos pés e dei um selinho nele. — Agora vai. E traga o gorro também.

— E traga o gorro também. — Ele imitou meu tom de voz autoritário, revirando os olhos. — Ok, ok. Já estou indo.

Cinco minutos depois, estávamos no carro. Markus dirigia com as mãos firmes no volante, mas o peito dele piscava intermitentemente em vermelho. Mark, no banco de trás, estava fascinado.

— Pai, a sua rena pisca mais rápido que a minha!

— É porque ela está impaciente, filho. — Markus resmungou.

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