DAMIAN WINTER
Ela estava de pé diante de mim. Sem camiseta. Sem short. Só de sutiã e calcinha. Os olhos vermelhos de tanto chorar. O peito arfando. A voz veio aos meus ouvidos, rasgada pela revolta:
— Quanto custa por vez?
Ela estava me desafiando.
Não desviei o olhar. Não suspirei. Não demonstrei choque. Meu rosto permaneceu inexpressivo enquanto por dentro uma mínima, quase imperceptível, fisgada de desconforto se agitava no meu estômago. Mas apenas isso.
Ela quis me atingir com a pergunta. Achando que assim teria algum tipo de vitória. Mas não era ela quem estava no controle da situação.
Nunca foi.
— Finalmente entendeu. — falei, com frieza. — Está começando a agir como adulta.
Ela piscou, como se tivesse levado um tapa invisível. Eu me aproximei um passo, ela recuou e seus punhos se fecharam. Estava tão corajosa sobre cumprir o acordo um minuto atrás e agora está fugindo de mim?
— Está ofendida? Poupe-se do drama, Stella. Você leu o contrato antes de assinar. Ou fingiu que leu, como fingiu ter um diploma legítimo? — inclinei a cabeça.
Vi a cor esvair-se de seu rosto. E continuei.
— E já que estamos falando de fingimentos, vamos às suas dívidas: dois cartões estourados, contas vencidas, ameaça de despejo. Uma vida muito estável a sua, não é? Estranho como uma mulher que se acha tão cheia de princípios consegue mentir para entrar em uma empresa e depois aceita se vender a mim por segurança. — soltei um riso breve. — A verdade é que você se encaixa perfeitamente no papel que te propus. Só não quer admitir isso.
Ela estava tremendo. Mas não de frio.
— Vista-se. — ordenei, com voz seca. — Não é você quem vai decidir quando ou como serão nossos encontros. Eu vou te procurar, entendido? — Ela permanece em silêncio. — Eu não fui claro, senhorita Harper?
— Entendido, senhor Winter. — Disse entre dentes.
— Ótimo. Coloque suas roupas.
Ela hesitou. Depois se abaixou e pegou a camiseta do chão, ainda de cabeça erguida, tentando agarrar os cacos do próprio orgulho. Mas não me comovia, mulheres como ela fingem muito bem.
— E você não está doente, Stella. Portanto, espero você no escritório amanhã às 9h, como sempre. — falei, já me virando para sair. — E não se atrase.
Parei na porta e olhei por cima do ombro.
— A propósito, na próxima vez que tirar a roupa com tanta petulância, certifique-se de estar pronta para pra ir até o fim, ao invés de fazer essa cara assustada e recuar.
Saí. Sem olhar para trás.
Deixei o apartamento de mau humor como se tivesse enfrentado uma reunião desagradável. Stella era apenas um obstáculo em processo de aceitação.
A terei na minha cama por bem ou por mal. Tenho certeza que depois de uma conversa honesta com seu travesseiro ela se dará conta de que sou sua única saída e virá a mim eventualmente. Claro, se demorar mais do que estou disposto a aturar, pegarei o que é meu por mal.
[...]
Cheguei ao escritório antes das oito.
Queria ver com meus próprios olhos o que ela escolheria fazer depois da noite anterior. Queria avaliar seu rosto e sua postura. Para ter a confirmação de que ela entendeu que agora estava sob meu controle.
Às 8h59, ouvi os saltos no corredor. Ritmados e fortes. O mesmo som de todos os dias.
Stella Harper entrou com a cabeça erguida, os olhos fixos à frente. Camisa branca, abotoada até o colarinho, saia preta, salto, cabelo preso num coque baixo. O rosto maquiado na medida exata.
Passou por mim com indiferença.
Ajoelhou-se para pegar uma pasta na gaveta lateral da mesa, voltou a se sentar e começou a trabalhar.
Ela estava fingindo. Mas fingia bem.
Ninguém diria que aquela era uma mulher à beira da ruína. Eu mesmo não desconfiaria se não soubesse.
Às 9h14, levantou-se e veio até minha sala. Sem bater.
— Eu sou capaz de fazer o que for necessário para manter meus termos respeitados. — disse, baixo. — E para garantir que minha palavra, não seja tratada como piada.
Ela mordeu o lábio inferior, contendo algo entre o medo e a raiva.
— Isso é coação.
— Não confunda as coisas, Stella. Você é uma mulher inteligente. — incline meu corpo para mais perto. — E mulheres inteligentes sabem que cumprir um contrato é sempre menos doloroso do que enfrentar as consequências de rasgá-lo.
Ela sustentou o olhar.
Parecia Indignada e essa expressão só me divertia.
— Eu estarei aqui, todos os dias, como sua funcionária. — declarou. — Mas não me peça para entregar algo que não posso dar. Eu posso ter assinado por medo, por impulso ou talvez por desespero. Mas meu corpo não funciona com ordens. E o senhor não vai me moldar a sua vontade tão fácil.
Dei um passo ainda mais próximo. Ela manteve a postura.
— Não preciso moldá-la. Basta esperar você se despedaçar sozinha e então te darei uma nova forma.
Ela respirou fundo, trincando os dentes.
— Já terminou?
— Por hoje. — respondi, abrindo a porta. — Pode voltar ao seu lugar. E não se atrase para a reunião.
Ela saiu. Sem dizer mais nada.
Essa resistência... esse esforço em se manter forte... só me davam mais certeza de que quando Stella Harper ceder, ficará de joelhos.
Ela vai implorar por mim.
E esse dia está chegando.

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