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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 6

STELLA HARPER

Três dias se passaram desde que assinei aquele contrato com as mãos trêmulas e o coração despedaçado. Três dias desde que me despi diante dele e, num último fôlego de dignidade, perguntei quanto custava por cada vez que fizéssemos. Três dias tentando manter a sanidade em meio a minha rotina profissional que continuava com a mesma formalidade hipócrita de sempre, exceto que agora havia uma corda invisível me puxando na direção dele, e outra me forçando a resistir.

Damian Winter era homem mais insuportavelmente frio que já conheci. E o mais perigoso. Não porque grita, ou quebra coisas, ou perde o controle. Pelo contrário, parece que ele nunca perde. Um verdadeiro robô, como eu mesma o apelidei desde o primeiro dia. Mas até robôs têm falhas, e desde que me coloquei à sua disposição, ou fui forçada a isso, ele parecia empenhado em me ver quebrar aos poucos. Esses dias tem sido um inferno entre as ameaças dele e suas tentativas nada sutis de me seduzir.

Quando digo "nada sutis" quero dizer aproximações bem inconvenientes como por exemplo: me cercar na sala de reuniões vazia e trancar a porta sem dizer uma palavra e apenas caminhar na minha direção devagar, como um predador que sabe que a presa não tem por onde escapar. Ou me chamar para revisar um contrato na sala dele e, ao invés de comentar qualquer cláusula, me observar em silêncio enquanto bebo o café que ele mandou preparar como se esperasse que eu tremesse, ou desistisse e caísse aos seus pés.

Ele não me tocou. Não exatamente. Mas já perdi a conta de quantas vezes ele passou perto o suficiente para que sua respiração roçasse minha nuca, ou de como sua mão encontrava minha cintura quando me ajudava a passar por algum corredor “lotado”. E isso estava me enlouquecendo mais do que qualquer ordem explícita.

Na maior parte do tempo, fingíamos normalidade. Ele me passava tarefas, eu as cumpria. Respondia com o tom respeitoso de sempre. Mas havia uma guerra não dita embaixo da superfície. Eu sabia o que ele queria. E ele sabia que eu estava resistindo. Sabia também que isso não duraria para sempre.

E eu... bom, eu estava cansada de resistir. Mas ainda não estava pronta para ceder só para ver aquele sorriso satisfeito na boca dele.

Também tinha o sentimento de que ele estava me irritando no trabalho, a maioria das ordens ou tarefas que me passava precisava ser feitas duas vezes. Desde buscar outro café por causa de uma reclamação aleatória como "muito doce" ou "muito amargo até incluir coisas que ele não havia pedido antes como hoje mais cedo.

FLASHBACK

— Harper — disse no meio da reunião matinal, quando a sala ainda estava cheia de executivos — esqueceu de incluir o relatório dos contratos pendentes. Falta de atenção não combina com o cargo que ocupa.

Minha garganta secou e várias cabeças se viraram para mim.

— Peço desculpas, senhor Winter. Corrigirei isso imediatamente.

Ele assentiu, com o rosto inexpressivo.

FLASHBACK OFF

E depois disso, veio o bilhete.

Um envelope fechado sobre minha mesa no fim da manhã, apenas com meu nome escrito à mão.

“Hoje, às 19h30. Sala 43. Não se atrase.”

A letra era dele.

Joguei o bilhete na gaveta e passei o resto do dia tentando decidir se obedecia ou não. Mas às 19h20, eu ainda estava no escritório, digitando qualquer coisa só para parecer ocupada. Às 19h28, estava no elevador. Às 19h31, diante da porta da sala 43, com o coração martelando no peito.

Entrei.

A sala era pequena, isolada, sem janelas. Usada para reuniões confidenciais, mas naquele momento, parecia tudo menos profissional. Havia uma única luz acesa, projetando sombras nas paredes claras. Damian estava encostado à mesa, com as mangas da camisa arregaçadas e o paletó pendurado na cadeira atrás dele.

Ele não disse nada quando entrei. Apenas me observou.

Eu fechei a porta atrás de mim, tentando controlar o tremor nas mãos.

— O que o senhor quer? — perguntei, mantendo o tom neutro.

— Já sabe a resposta. — respondeu ele, como se fosse óbvio.

— Eu ainda não decidi se vou... se vou cumprir o que assinamos.

Ele se afastou da mesa lentamente e caminhou em minha direção. Quando estava perto o suficiente para que eu sentisse o perfume que ele usava, parou.

— Três dias. — disse ele, a voz baixa e monótona. — Três dias se passaram, e você segue brincando com os próprios limites. Mas eu posso garantir, Stella... — ele se inclinou um pouco, deixando o rosto próximo ao meu. — não há muito tempo restante para brincadeiras.

6 - Apenas aceite que me pertence 1

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