DAMIAN WINTER
O som constante do teclado, dos telefones tocando e o vai e vem de passos pela sala de reuniões era como música de fundo para mim.
Meu celular vibrou sobre a mesa. Não era comum Jonas me incomodar durante o expediente. Abri a mensagem e a calma que eu tanto buscava se desfez como vidro quebrando.
Jonas: Senhor, outro subordinado avisou que a senhora Stella recebeu uma carta de ameaça. Segue a foto.
A imagem anexada era nítida. A caligrafia elegante não era nem um pouco estranha para mim. O sangue me subiu à cabeça imediatamente.
"Olá, Stella Harper, fui muito paciente com você..."
Era Sophie. Não havia margem de dúvida.
Jonas: Ela pediu que o senhor venha vê-la depois do trabalho. Disse que precisa falar com o senhor.
Meu maxilar se contraiu com força. Sophie tinha ultrapassado uma linha que não deveria nem ter ousado tocar. Ela realmente estava optando por ataques diretos.
Respirei fundo, tentando controlar a raiva que pulsava em cada veia do meu corpo. Digitei uma resposta curta:
Eu: Estarei lá hoje.
Guardei o celular, mas não consegui simplesmente voltar aos relatórios. Sophie tinha me subestimado.
Se ela queria guerra, iria ter.
Levantei-me da cadeira com a pasta em mãos.
— Reagendem as reuniões da tarde. Só volto amanhã. — Ordenei ao meu assistente, sem dar espaço para perguntas.
Desci direto para a garagem e peguei o carro. O caminho até o prédio de advocacia foi percorrido em silêncio, apenas com a raiva latejando em cada pensamento.
Quando cheguei, o sócio sênior do escritório me recebeu prontamente. Já me conheciam o suficiente para entender que eu não marcava hora quando queria algo resolvido.
— Senhor Winter. — disse o advogado, um homem grisalho e de fala calma. — Em que posso ajudá-lo hoje?
— Preciso dar prosseguimento imediato ao divórcio. — falei sem rodeios, jogando sobre a mesa uma pasta com cópias de contratos e documentos matrimoniais. — Independente da aprovação da minha atual esposa.
Ele arqueou as sobrancelhas, mas não pareceu surpreso.
— Bem… não é impossível. A legislação prevê divórcio unilateral. Não é necessário o consentimento de ambas as partes. — explicou, folheando os papéis. — A senhora Sophie terá que ser notificada, claro, mas não pode impedir a dissolução do vínculo. O que pode demorar são as disputas dos bens e guarda…
— Deixe comigo. — cortei. — Faça o que for necessário, redija os termos. Quero o processo formalizado ainda hoje.
O advogado respirou fundo e assentiu.
— Certo. Providenciarei a petição inicial e protocolaremos ainda antes do fim do expediente.
Enquanto ele falava de prazos, audiências e notificações, meu olhar vagava pela janela. Hoje levaria uma prova para Stella de que minhas palavras não eram apenas manipulação, como ela teme. Eu estava disposto a queimar pontes, perder títulos, enfrentar guerra familiar se fosse preciso.
Duas horas depois, saí do prédio de advocacia com uma pasta preta em mãos. Dentro, estavam as cópias do pedido oficial de divórcio, assinadas, carimbadas, com o protocolo registrado. O processo estava em andamento. Sophie não poderia detê-lo, não importava quanto esperneasse.
Entrei no carro e fechei os olhos por um instante, respirando fundo.
Peguei o celular e mandei uma última mensagem para Jonas:
Eu: Avise Stella que estou a caminho. Só vou comprar algo para os meninos antes.
Enquanto o trânsito se arrastava, estacionei em frente a uma livraria. Se eu estava indo encontrar Stella e os meninos, não chegaria de mãos vazias.
Dentro da loja, caminhei diretamente até a seção infantil.
Peguei um exemplar encadernado com capa dura e ilustrações vívidas, uma edição especial de mitologia grega adaptada para crianças. Apollo tinha herdado mais do que apenas o nome, sua curiosidade era insaciável, e leitura era seu refúgio.
Logo depois, fui até a prateleira de astronomia. Encontrei um kit educativo com um projetor de estrelas que prometia transformar qualquer quarto em um pequeno planetário. Orion não se cansava de olhar para o céu, e eu sabia que ele ficaria fascinado em ver constelações surgindo no teto.
Com os pacotes na mão, voltei para o carro. Sei que eu precisava de mais do que presentes para compensar os anos de ausência. Ainda assim, era um começo.
Estacionei em frente ao portão e segui a pé até a porta, enquanto alguns guardas me cumprimentavam no caminho. Bati na porta e Stella mesma abriu.
Ela usava uma camiseta simples e jeans. Sua expressão parecia cansada. Quando nossos olhares se cruzaram, sorri, mas ela não retribuiu.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!