STELLA HARPER
Damian realmente é inacreditável.
Minha mente lateja com a ousadia dele, como se tudo que eu tivesse acabado de dizer não passasse de um detalhe irrelevante.
— Você ouviu alguma coisa do que eu acabei de dizer? — pergunto, semicerrando os olhos, com a voz presa entre irritação e descrença.
Ele sustenta meu olhar com uma calma que me deixa ainda mais nervosa.
— Ouvi sim. — Ele dá de ombros como se fosse óbvio. — O medo da reação dos outros, de que não vai ser fácil, que as pessoas vão nos julgar, blá, blá, blá. — A boca dele se curva em um meio sorriso. — Mas o que eu perguntei foi: você está apaixonada por mim?
Sinto o ar escapar dos meus pulmões. Ele distorce tudo. Ele sempre faz isso quando encontra uma brecha para ganhar algo.
— Eu nunca afirmei isso. — rebato, contendo minha raiva. — Só disse que, mesmo que estivesse muito apaixonada, não importaria.
Damian se inclina mais para frente, o olhar preso em mim, como se já tivesse vencido uma batalha que eu nem sabia estar lutando.
— Ok. Você está apaixonada por mim. Isso é ótimo. — O sorriso dele se alarga. — Então o único problema é o que os outros vão pensar?
Meu corpo se aquece de raiva, mas minhas palavras saem trêmulas.
— Não é só isso, Damian. E, de qualquer forma, um relacionamento entre nós nem está em discussão. Eu já fui clara o suficiente sobre...
Eu não termino a frase. Ele me beija.
Não há pedido, não há espaço para recusa, e, para minha própria ruína, eu correspondo. Meu corpo reage antes da minha mente, e por um instante o mundo desaparece, só restando a pressão da boca dele contra a minha, exigente e devastadora.
Quando ele se afasta, estou ofegante. Ele me olha como se tivesse acabado de provar seu ponto.
— Quando você não me afasta, Stella, eu concluo que um relacionamento entre nós está em discussão, sim.
Ele se levanta, ajeitando o paletó como se a decisão já estivesse tomada. Eu o sigo com o olhar, atordoada, tentando juntar os pedaços da minha racionalidade.
— A única coisa que você tem que pensar é em nós juntos. Como uma família. — Ele caminha até a porta, enquanto fala. — Eu posso cuidar de todos os outros. Você não vai ter nenhum estresse com nada disso.
Minha boca abre, mas nada sai e ele gira a maçaneta.
— Para a mídia, será simples: um casamento infeliz que chegou ao fim. Meses depois, talvez 4 ou 5 meses, um reencontro com um antigo amor, depois de descobrir que tenho filhos, nos reaproximamos… e os sentimentos reacendem. — Ele olha por cima do ombro, com aquele meio sorriso estampado nos lábios. — As pessoas vão nos amar, Stella.
E então sai, deixando um silêncio ensurdecedor atrás de si.
Meu coração martela no peito, com o gosto do beijo ainda queimando em minha boca.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!