DAMIAN WINTER
— VOCÊ ENLOUQUECEU?!
A voz do meu pai explode pelo escritório, atravessando a porta fechada como se fosse feita de papel.
Já esperava que Sophie correria chorando para o meu pai assim que o dia amanhecesse. Mas não esperava que o WW viria pessoalmente me confrontar no escritório, diante de funcionários que provavelmente já cochicham nos corredores ouvindo o escândalo que ele estava fazendo.
Levanto os olhos da mesa calmamente, como se não fosse nada demais, e o encontro com o rosto vermelho de fúria.
— Feche a porta, pai. — digo, controlando o tom. — Acredito que não queira a plateia que está se formando no corredor.
Ele b**e a porta com força, fazendo as paredes tremerem, e avança em minha direção como se fosse me dar um soco.
— Eu devia mesmo te socar até entrar juízo nessa sua cabeça dura! — cospe as palavras, apontando o dedo para mim. — Se quer ter amantes, problema seu. Não é bonito, mas é tolerável. Agora, querer deixar sua esposa por causa de uma? É tolice, Damian!
Cruzo as mãos sobre a mesa, sustentando o olhar dele.
— Stella não é minha amante.
Ele ri, um riso curto e irônico, cheio de desprezo.
— Não ouse me dizer esse nome como se ela tivesse alguma relevância nessa conversa.
— De qualquer forma, você está enganado. — respondo, firme. — Eu já queria me divorciar de Sophie antes mesmo de Stella voltar. E quanto a minha relação com Stella… eu estive com ela antes do meu casamento.
Vejo os olhos dele se arregalarem de indignação, como se eu tivesse cuspido uma blasfêmia.
— Você se casou com Sophie, e isso é o que importa. Não importa com quem tenha brincado antes!
Ignoro o tom de voz dele.
— Agora descobri que Stella tem filhos meus. Dois meninos.
Meu pai solta uma gargalhada seca, que ecoa pelo escritório.
— Você realmente é idiota, Damian. Vai acreditar em qualquer vadia que aparecer dizendo que tem filhos seus?
Minha mandíbula se contrai.
— Eu fiz um teste de DNA.
Isso cala o riso dele por alguns segundos. Mas logo ele retoma a mesma expressão de desprezo.
— E daí? — rosna. — Vai assumir esses bastardos? Vai colocar esse peso no nosso nome e envergonhar a nossa família inteira?
Fico de pé, lentamente, até estar frente a frente com ele.
— Vou assumir sim. Eles são meus filhos. E ninguém vai impedir isso.
O rosto dele se contorce de fúria, e percebo o quanto ele odeia ser contrariado.
— Você não tem ideia do que está fazendo, garoto. Está jogando fora tudo o que construímos, tudo o que sustenta esse império. Por quê? Por uma mulher que não passa de uma aproveitadora e por duas crianças que…
— Cuidado com as próximas palavras. — corto, com o olhar frio. — Está falando dos meus filhos.
Ele respira fundo, como se estivesse segurando o próprio ódio.
— Você sem foi fraco, Damian. — diz por fim, a voz mergulhada em veneno. — Eu sempre soube que você não tinha fibra suficiente para sustentar o que um Winter deve ser.
— Se fibra significa ser como você, então agradeça, porque de fato não sou.
WW estreita os olhos, me estudando atentamente.
— Então me diga, Damian. — sua voz agora é baixa e controlada. — O que você pretende com tudo isso? Vai se divorciar de uma mulher linda, educada, com uma família que sempre apoiou os nossos negócios, para depois o quê? — ele se inclina sobre a mesa. — Pretende casar com essa ninguém cujo maior mérito na vida foi abrir as pernas para você?
O sangue pulsa em minhas têmporas. Minhas mãos fecham-se em punhos antes mesmo de eu perceber. Num estalo, o soco explode contra a mesa de madeira. O som é tão alto quanto o grito que prendi na garganta.
— É exatamente isso que diferencia Stella de Sophie. Uma mente suja como a de Sophie se encaixa perfeitamente no molde que o senhor chama de “mulher ideal”. E ainda assim tem coragem de falar de reputação e caráter.
Ele cerra os dentes, irritado.
— Não se iluda, Damian. Essa sua Stella pode parecer virtuosa agora, mas é só questão de tempo até mostrar quem realmente é.
— Eu já sei exatamente quem ela é. — digo com firmeza, sem espaço para hesitação. — E se o senhor tivesse a decência de conhecê-la, veria…
— EU NUNCA VOU ME DISPOR A CONHECER A SUA VADIA! — ele me interrompe, voltando a perder o controle. — NEM A ELA, NEM AOS BASTARDOS DELA.
Ele continuava chamando Stella de vadia e meus filhos de bastardos. Por um segundo, penso em quebrar a distância que nos separa e socar o rosto dele. Mas me seguro. Porque ele ainda é meu pai.
— São meus filhos. Não repita isso nunca mais.
Ele ignora minha ordem, como sempre fez a vida inteira.
— É melhor você se livrar logo dessa paixonite e começar a agir como um homem de verdade. — sua voz baixa, soa mais ameaçadora que qualquer grito, mas isso não me assusta nem um pouco. — Se não fizer isso por si, faça pela família. Caso contrário, não terei escolha a não ser interferir.
Ele se afasta, ajeitando o paletó como se tivesse acabado de vencer a batalha, e caminha até a porta.
— Acredite, Damian. — diz por cima do ombro, antes de sair. — Você não quer me ter como inimigo nesse assunto.
A porta b**e atrás dele com violência. Minhas mãos ainda estão cerradas em punhos sobre a mesa. O peito arde com a fúria que lutei para conter.
Bastardos.
Vadia.
As palavras dele giram dentro de mim como fogo líquido.
Respiro fundo, forçando o autocontrole que tantas vezes foi meu escudo.
Se ele acha que pode arrancar Stella e meus filhos da minha vida, vai descobrir que a fibra que ele tanto cobra de mim existe sim. Ele mesmo me ensinou a passar por cima de qualquer coisa e de qualquer um para ter o que quero, pois bem, não tenho nem um problema em passar por cima do meu próprio pai, se for necessário.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!