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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 65

STELLA HARPER

Senti meu estômago se revirar assim que vi Sophie Pósitron descer daquele Maserati preto.

Ela não hesitou. Passou direto pela porta da cafeteria com a postura ereta, a bolsa caríssima no braço e um sorriso frio desenhado nos lábios. Os dois seguranças de Damian que costumavam se revezar na porta se entreolharam brevemente. Nenhum deles a impediu. Claro que não. Que justificativa teriam para barrar a esposa legítima de Damian Winter?

Respirei fundo, tentando controlar a onda de nervosismo que me atingiu. Eu sabia que esse momento viria, cedo ou tarde.

Sophie entrou como se estivesse atravessando o salão de festas de um hotel cinco estrelas. Olhou em volta, analisou cada detalhe da cafeteria, os olhos claros refletindo desprezo e arrogância, e então escolheu uma mesa central, onde teria visão completa de mim atrás do balcão.

Larissa, pegou o bloquinho e se aproximou, pronta para anotar o pedido. Mas Sophie ergueu a mão, cortando qualquer tentativa.

— Não. — disse, a voz firme e impregnada de autoridade. — Quero ser atendida por ela.

Seu olhar se fixou em mim, assim como seu dedo indicador.

Meu coração acelerou, mas mantive o rosto neutro. O pior que eu poderia fazer era dar a ela o prazer de ver minha fraqueza. Caminhei até a mesa, respirei fundo e forcei um sorriso educado.

— Boa tarde, senhora Pósitron. — cumprimentei, profissional. — O que deseja?

Ela me estudou por longos segundos antes de responder, como se estivesse calculando cada reação minha.

— Um cappuccino… e uma fatia desse bolo de canela. — disse, por fim, largando a bolsa sobre a cadeira ao lado.

— Claro. — respondi, anotando, mesmo sem precisar.

Voltei para o balcão e preparei o pedido. Eu sabia que Sophie não tinha vindo até aqui para um café.

Minutos depois, levei a xícara fumegante e o prato com o bolo até a mesa. Coloquei-os diante dela com todo cuidado, pronta para me afastar.

Foi quando senti.

Os dedos dela se fecharam ao redor do meu pulso, com força surpreendente. As unhas afiadas cravaram na minha pele, e a dor aguda me fez prender a respiração.

— Sente-se. — ordenou, baixinho, mas com uma autoridade gélida.

Mantive-me imóvel por um segundo, avaliando. A cafeteria não estava cheia, mas havia clientes. Não podia permitir uma cena. Com calma, puxei a cadeira e sentei de frente para ela.

— Sophie… — comecei, mas ela me interrompeu com um sorriso venenoso.

— Consegue ver alguma comparação entre mim e você? — murmurou, analisando-me de cima a baixo como se eu fosse um inseto. — Uma mulherzinha colo você não pode destruir o meu casamento.

Engoli em seco, mas não desviei o olhar.

— Não tenho nenhuma intenção de me meter no seu casamento.

— Ah, não banque a inocente comigo. — ela rebateu, baixando o tom. — Você pode ter enganado Damian com essa carinha de vítima, mas comigo não cola. Eu sei muito bem o tipo de mulher que você é.

— O tipo de mulher que cria os próprios filhos sozinha quando eles tem um pai multimilionário? — perguntei, calma, sem elevar o tom. — Se for isso que você está tentando dizer, então, sim, eu sou exatamente esse tipo.

O rosto dela se contraiu, e a raiva brilhou nos olhos.

— Bastardos. — sibilou. — É isso o que são. Você acha que vou permitir que o nome Winter seja manchado por duas crianças que não deviam nem existir?

— Está me ameaçando? — cuspiu, entre dentes.

— Estou apenas devolvendo o que você trouxe. — retruquei. — Você veio até aqui para me intimidar, Sophie. Mas o que conseguiu foi revelar que o maior poder que tenho sobre você… é exatamente o homem que você tenta desesperadamente manter. Ter Damian para mim... Será o jeito mais eficiente de te machucar, certo?

O silêncio entre nós pesou como uma pedra. Eu podia ouvir meu próprio coração batendo alto, mas não desviei.

Sophie, por um momento, pareceu perdida. Mas logo recompôs o rosto, ergueu o queixo e soltou meu pulso, como se se lembrasse de onde estava.

Levantou-se, ajeitando o vestido, e pegou a bolsa.

— Isso não acaba aqui. — disse, fria, antes de sair da cafeteria.

Fiquei sentada por alguns segundos, respirando fundo, esperando que meu corpo parasse de tremer. Quando olhei para o pulso, havia marcas vermelhas profundas onde as unhas dela haviam cravado.

Larissa se aproximou, preocupada.

— Stella… o que foi aquilo?

Ergui o olhar para ela, forcei um sorriso e apenas balancei a cabeça.

— Nada com que você precise se preocupar.

Acabei de chegar a conclusão que Damian é algo que Sophie quer desesperadamente, mas não pode ter. Porquê? Talvez porque ele quer ser meu?

Se tenho uma arma como ele para me proteger, deveria usá-la, certo?

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