DAMIAN WINTER
O relatório caiu sobre minha mesa no fim do expediente, entregue de maneira discreta pelo segurança que se revezava na porta da cafeteria.
Abri o envelope, e conforme lia, uma raiva fria tomou conta de mim.
Sophie tinha ido até a cafeteria.
Meu maxilar travou, e fechei os punhos sobre o papel. Eu não precisava de muitos detalhes para entender o que ela tinha feito lá. Sophie não era o tipo de mulher que desperdiçava tempo em "visitas inocentes". Se ela atravessou aquela porta, foi para envenenar, ameaçar ou humilhar a Stella.
O que diabos ela estava pensando?
Respirei fundo, tentando me manter racional. O relatório dizia que não houve escândalo público. Ótimo. Mas, ainda assim, a simples ideia de Sophie se aproximando de Stella, olhando para ela com aquele olhar venenoso, tentando cravar suas unhas onde não devia... isso fazia o sangue latejar nas minhas têmporas.
Fechei o envelope e o joguei na gaveta. Não adiantava nada remoer. Eu precisava vê-la com meus próprios olhos.
No caminho até a casa dela, tentei organizar os pensamentos. Sophie estava cada vez mais desesperada, e o desespero a tornava perigosa. Se ela ousasse repetir esse tipo de movimento, poderia colocar Stella e os meninos em risco. Isso eu não permitiria.
Estacionei diante da casa pouco depois das sete da noite. Apertei a campainha, mas antes mesmo que o som ecoasse, ouvi passos correndo e uma voz animada.
— É o papai Damian! — reconheci que era Orion pelo tom cheio de animação.
A porta se abriu, e ambos os meninos apareceram, sorrindo, com os cabelos bagunçados. Correram até mim como se fosse a coisa mais natural do mundo e meu peito se aqueceu.
— Papai! — gritou Orion, lançando-se contra minhas pernas.
Apollo veio logo atrás, abraçando-me com a mesma força.
Agachei-me, segurando os dois ao mesmo tempo, sentindo aquele calor genuíno, aquela confiança pura que eles tinham em mim. Era bom ouvi-los me chamar de pai. Algo dentro de mim se aquietou, mesmo com a raiva ainda queimando.
— Como vocês estão, campeões? — perguntei, bagunçando os cabelos deles.
— A gente construiu uma torre gigante! — Apollo disse, apontando para a sala.
— Mas ele derrubou logo depois. — Orion resmungou.
Sorri, apertando-os mais uma vez antes de soltá-los. Eles voltaram correndo para os brinquedos espalhados pelo tapete, retomando a brincadeira como se nada tivesse acontecido.
Foi então que percebi Larissa no sofá, observando a cena com um sorriso discreto.
— Boa noite, senhor Winter. — cumprimentou, educada.
Assenti.
— Boa noite, Larissa.
Ela parecia confortável, brincando com os meninos, e isso me trouxe certo alívio. Eu precisava confiar que alguém os mantivesse em segurança quando Stella não estivesse por perto e a jovem garota pareceu a melhor candidata. O relatório também dizia que ela estava trabalhando na cafeteria, mas se Stella tinha acertado horários que não atrapalharia o cuidado dos meninos então não vou me meter nesse assunto.
— Onde está a Stella? — perguntei, tirando o casaco e apoiando-o sobre meu braço.
— Ela está no banho, senhor. — respondeu, sem levantar os olhos dos blocos que ajudava Orion a empilhar.
Banho.
Assenti devagar. Eu precisava falar com ela. Agradeci a Larissa com um aceno e subi as escadas.
O corredor estava escuro, iluminado apenas pela luz suave que escapava por baixo da porta do quarto de Stella. Parei diante dela e levei a mão à maçaneta.
Girei a maçaneta devagar, empurrando a porta e não encontrei Stella lá dentro. O chuveiro ainda estava ligado no banheiro.
— Tem certeza de que prefere que eu saia… em vez de me juntar a você?
O grito veio rápido e afiado:
— Fora, Damian!
Ergui as mãos em rendição, mesmo que ela não pudesse ver, ainda rindo sozinho.
— Tudo bem. — murmurei, dando dois passos para trás. — Só não demore muito ou volto para te buscar.
Fechei a porta atrás de mim com calma, deixando-a respirar.
Poucos minutos depois, ouvi o barulho do chuveiro cessar. Stella saiu do banheiro enrolada em sua toalha branca, com os cabelos ainda pingando e os olhos faiscando de raiva.
Ela me encontrou sentado à beira da cama, com o casaco largado de lado e as pernas afastadas em completa tranquilidade.
— O que diabos você estava pensando? — ela disparou indignada.
Cruzei os braços sobre o peito, sem alterar o tom.
— Estava pensando em vê-la nua. — respondi, calmo e sincero. — E veja só… consegui.
O choque estampou seu rosto imediatamente. Os lábios se entreabriram, mas nenhuma palavra saiu. Os olhos dela ardiam em incredulidade, como se minha cara de pau fosse além do compreensível.
Me levantei devagar, me aproximando até estar a centímetros dela.
Minha mão deslizou para o quadril dela, meus dedos tocando o tecido da toalha.
— Talvez eu queira mais do que só olhar desta vez. — murmurei, baixo, perto do ouvido dela.

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