STELLA HARPER
Acordei devagar, com a sensação estranha de que algo estava fora do lugar. Toquei o espaço ao meu lado e senti apenas o lençol frio. Meu coração disparou por um instante, depois da noite passada, eu esperava encontrar Damian ali, ainda dormindo, talvez com o braço sobre mim. Mas não. Acho que devo entender já que ele não mora aqui, talvez tenha ido ver como Sophie está. Nem falamos sobre ela ontem. Será que sou uma vadia?
Suspirei, me obrigando a levantar. Escovei os dentes e prendi os cabelos num coque frouxo antes de descer as escadas. O cheiro que veio da cozinha me fez franzir a testa.
Quando entrei no ambiente, a cena me fez parar no batente da porta.
Danian, Apollo e Orion estavam sentados à mesa, os gêmeos devidamente vestidos para a escola, comendo como se fosse o café da manhã mais importante do mundo. Cada um tinha um prato caprichado à frente, e, atrás do balcão, com a camisa arregaçada e uma xícara na mão, estava Damian.
— Você… — minha voz saiu embargada pela surpresa. — Você fez isso?
Ele ergueu o olhar, e a curva discreta no canto dos lábios me fez arrepiar.
— Alguém precisava alimentar essa tropa. — respondeu, com naturalidade, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Cruzei os braços e me aproximei olhando o que ele estava fazendo.
— Bom, espero que não esteja envenenado. — provoquei, sem resistir.
Foi então que Orion, com seus olhos grandes e curiosos, largou a colher e perguntou sério:
— Tá envenenado mesmo, mamãe?
Arregalei os olhos e balancei a cabeça, rindo do jeito inocente dele.
— Não, querido, é só uma brincadeira. Eu estava apenas provocando o papai.
Damian arqueou uma sobrancelha ofendido, o riso baixo escapando de sua garganta.
— Senta logo, Stella. — ordenou, apontando para a cadeira vazia. — Antes que os meninos acreditem mesmo nas suas piadas.
Danian estreitou os olhos para mim, depois para o pai, e soltou, quase como quem denuncia um crime:
— O papai tá rindo.
A frase deixou a mesa em silêncio por alguns segundos. Meus gêmeos se entreolharam, como se tivessem presenciado um fenômeno raro. Eu mesma não tinha notado, mas pensando bem ele andava sorrindo com mais frequência do que eu lembrava.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!