DAMIAN WINTER
O silêncio entre mim e Sophie era tão denso que parecia que até o bip do monitor cardíaco havia se tornado mais lento.
Ela piscou rápido, a boca se abrindo num “o” surpreso, que me pareceu dissimulado demais para ser verdadeiro.
— O quê? — arqueou as sobrancelhas, como se eu tivesse acabado de acusá-la de um crime impossível.
— Não se faça de idiota. Isso é um insulto à minha inteligência.
Em vez de admitir, ela forçou uma risada seca.
— Você enlouqueceu? Eu? Por que faria isso contra a empresa que será do meu filho? — Sério? Agora ela vai fingir que se importa com Danian ou o patrimônio que ele vai herdar?
— Porque o jornal foi claro. — rosnei. — A denúncia partiu da senhora Pósitron. E quem é a senhora Pósitron, Sophie?
Por um instante, seus olhos vacilaram. Eu vi. O disfarce rachou. Mas logo ela se recompôs, erguendo o queixo com ares de desafio.
— Então não fui eu, Damian! — rebateu. — Porque eu não sou Positron. Eu sou uma Winter!
A forma como disse “Winter” foi como se quisesse me lembrar de que levava meu sobrenome e, por isso, teria direito a tudo.
Ela bufou, virou o rosto e, de repente, agarrou o celular na mesinha ao lado.
— Sabe de uma coisa? Vou acabar com essa farsa agora mesmo. — discou um número e esperou. — Mãe? Venha aqui no quarto. Agora!
Meu maxilar latejava de tensão. Eu queria atravessar aquela sala, arrancar o celular da mão dela e gritar. Mas fiquei parado, esperando para ver qual era o show que ela pretendia montar.
Poucos minutos depois, a porta se abriu e Célia entrou.
— O que aconteceu? — perguntou, com os olhos passando de Sophie para mim.
Sophie não perdeu tempo.
— Foi você, não foi? — disparou, a voz cheia de acusação. — Foi você quem fez essa denúncia estúpida contra a empresa do meu marido. Achou que estava me ajudando, mas só me colocou em mais confusão!
Célia piscou, surpresa genuína, mas não negou. Ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse avaliando a melhor forma de reagir.
— Sophie, querida… — começou, mas a filha cortou.
— Não me chama de querida! — ela gritou. — Você prometeu que faria Damian voltar para mim, mas não me disse de que forma. Eu sabia que você estava aprontando algo!
Meu sangue fervia. Eu observava as duas se atacando, e cada palavra parecia confirmar o que eu já sabia.
— Então admite. — falei, olhando de uma para a outra. — Foi você, Célia?
Ela virou o rosto lentamente para mim e então abaixou os olhos..
— Sim. Fui eu.
No meio do quarto, pequeno e assustado, estava Danian.
Ele me olhava com os olhos arregalados, a boca entreaberta e o bochechas molhadas de lágrimas.
Meu coração afundou.
— Filho... me desculpa. O papai não queria te assustar. — Olho feio para Célia quando o abraço. Todos naquele quarto esqueceram que ele estava ali, inclusive eu.
— Papai... — a voz dele saiu frágil, quase um sussurro.
Senti a culpa me acertar como um soco no estômago. Respirei fundo, fechei os olhos por um segundo e o apertei, tentando afastar minha irritação.
— Filho, está tudo bem. — tentei falar. Ele ainda me olhava confuso e assustado. — Estava apenas conversando com a mamãe e a vovó porque ela fizeram uma coisa ruim. Você entende que os adultos ficam bravos quando dão bronca, não é?
Ele acena e limpa as próprias lágrimas.
— A vovó e a mãe deviam pedir desculpas, se não o senhor não vai perdoar elas. — Sorrio e mexo no cabelo dele.
— Você está certo. Elas devem se desculpar, não é?
— Sim. Mamãe! Vovó! Vocês têm que pedir desculpas ao papai! — Ele exigi, balançando o indicador para elas.
Ambas pedem desculpa. Mas isso não muda nada para mim. O que é delas está guardado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!