STELLA HARPER
— Eu aceitei tentar com o Damian. Nós estamos juntos.
O ar pareceu rarefeito no mesmo instante. Vi os músculos do rosto de Alexander se contraírem, a mandíbula endurecer como pedra. Seus olhos, sempre tão calorosos comigo, agora ardiam em fúria.
— O quê? — a voz dele saiu grave, quase um rosnado.
Abri a boca para repetir, mas não tive coragem. Ele inclinou-se para frente, os cotovelos firmes sobre a mesa, e falou mais alto:
— Você tá brincando comigo, não tá?! — Sua risada foi curta, seca e sem humor. — Isso só pode ser uma piada, Stella.
Senti o olhar de algumas pessoas próximas se voltando para nós.
— Alex, por favor, baixa a voz… — pedi, tentando manter alguma calma.
Mas ele não ouviu.
— VOCÊ ENLOUQUECEU? — explodiu. — Que merda tem na sua cabeça, Stella? Justo ele? Damian Winter? Além dele se o motivo da sua infelicidade esse anos todos, ele não é casado?
Engoli em seco, minhas mãos suando contra o tecido do vestido.
— Ele está se divorciando. — respondi, quase num sussurro, mas a convicção na minha voz não foi suficiente para conter a reação dele.
Alexander jogou a cabeça para trás e riu. Riu alto, sem se importar que todos ao redor agora nos encarassem abertamente.
— Se divorciando? — repetiu, cheio de desdém. — Você acredita mesmo nisso? — Os olhos dele faiscavam. — Meu Deus, Stella, eu achei que você era inteligente. Ou talvez seja... Está trepando com ele para conseguir algo mais valioso?
— Chega, Alex. — minha voz falhou, mas me forcei a encará-lo. — Você não tem direito de me ofender.
— Não tenho direito? — ele inclinou o corpo ainda mais para frente, com a raiva transbordando. — Eu dediquei anos… anos tentando estar ao seu lado, cuidando de você, dos seus filhos, e agora descubro que você se j**a nos braços de um homem que sempre te tratou como lixo.
As palavras me atingiram em cheio, mas não deixei que ele visse a dor. Respirei fundo, segurando as lágrimas que ardiam.
— Você não entende. — murmurei.
— Claro que não entendo! — ele bateu a palma da mão contra a mesa, fazendo os talheres tremerem. — Como poderia entender algo tão absurdo?
Nesse momento, o garçom se aproximou, nervoso, com a bandeja trêmula em suas mãos.
— Senhores, por favor… — a voz dele era educada mesmo diante da exigência. — Se não conseguirem manter o tom, vou precisar pedir que se retirem.
Alexander se voltou para ele, respirando fundo para recuperar algum controle.
— Não vai ser necessário. — disse entre dentes. — Nós não vamos fazer barulho.
O garçom hesitou, mas acabou se afastando, claramente aliviado.
O silêncio que ficou na mesa era sufocante. Eu não conseguia respirar direito. Meus dedos torciam o guardanapo no colo, e só então percebi que estava tremendo.
— Alex… — tentei, mas a voz morreu antes de completar a frase.
Ele me encarava como se eu fosse uma estranha. A cada segundo, a decepção dele parecia se transformar em ódio.
Não aguentei. Empurrei a cadeira e me levantei.
— Talvez seja melhor conversarmos outro dia. Quando você estiver mais calmo. — murmurei, já dando as costas.
Foi então que a voz dele me atingiu, entregando o ultimato.
— Se você sair agora… — disse, gelado. — É bom saber que nunca mais vai me ver.
Parei, com os pés cravando no chão. Meu coração disparava, mas minhas pernas não obedeciam ao impulso de seguir. Fiquei imóvel, com as palavras dele ecoando dentro de mim. Alexander poderia estar muito irritado agora e dito coisas horriveis, mas não é alguém que eu possa me dar ao luxo de perder.
Fechei os olhos por um segundo, respirei fundo, e voltei para a cadeira. Sentei-me em silêncio, incapaz de encarar diretamente. Ele não desviava os olhos de mim. E havia tanto ódio naquela expressão que me dava calafrios.
— Só quero entender... — disse enfim, a voz agora mais baixa. — Me diz, Stella. O que é que esse maldito Damian Winter tem que eu não tenho?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!