STELLA HARPER
— Se divertiu no seu encontro? — perguntou, com a voz carregada de uma calma perigosa e ameaçadora.
Meu coração deu um salto no peito e meus joelhos fraquejaram.
Eu fechei a porta atrás de mim, sem ousar olhar para os lados. Pelo jeito que ele me olhava eu sabia que teria uma discussão e eu não queria acordar os meninos, nem queria que ninguém ouvisse.
— Damian… — tentei começar, mas ele ergueu uma das sobrancelhas, me interrompendo sem precisar de palavras.
— Estou perguntando, Stella. — levantou-se devagar, se aproximando de mim calmamente, me fazendo sentir encurralada. — Você se divertiu? Sorriu para ele? Deixou que ele tocasse em você?
Meu estômago revirou. O tom dele era ácido, envenenado por um ciúme que eu nunca tinha visto tão explícito.
— Não fala assim. — pedi, desviando o olhar. — Não tem motivo pra isso.
Ele riu. Uma risada curta, seca e sem humor.
— Não tem motivo? — aproximou-se mais, até que eu conseguisse sentir o calor dele me cercando, mesmo sem tocar. — O homem que vive se rastejando atrás de você finalmente consegue o que quer. Fiquei sabendo que ele até te beijou.
Meu coração falhou uma batida quando ele inclinou o rosto para mais perto, tão próximo que o ar parecia rarefeito. Os dedos ásperos de Damian roçaram minha boca, com força, quase agressivos. Não era um carinho. Ele arrastou o polegar devagar sobre meus lábios, como se quisesse apagar qualquer vestígio, esfregando de um jeito que mais parecia uma punição.
— Foi só aqui que ele encostou?
— Damian… — tentei recuar, mas minhas costas já estavam contra a parede.
O polegar dele pressionou de novo meus lábios, dessa vez com mais força, e os olhos dele faiscavam.
— Me diz. — ordenou. — Você gostou?
Meu coração disparava como se fosse explodir. Parte de mim queimava de raiva, outra tremia de algo que eu não queria nomear.
— Responde, Stella. — ele exigiu, com os olhos cravados nos meus. — Ele conseguiu te fazer sentir o mesmo que eu faço?
A raiva dele era sufocante. Tentei manter a postura, mas a cada palavra sentia a parede invisível se fechando ao meu redor.
— Ele não conseguiu nada. — rebati, mordendo a língua para não deixar a emoção transbordar. — Eu coloquei um limite claro hoje e ele nunca mais vai fazer algo assim.
Os olhos dele estreitaram, desconfiados.
— Um limite? — repetiu, como se saboreasse cada sílaba. — E o que isso significa, exatamente?
— Que não existe mais nenhuma dúvida sobre os sentimentos de Alexander. — respirei fundo, tentando manter a calma. — Ele deixou claro o que queria, e eu deixei claro que não posso retribuir.
— E por que demorou tanto pra fazer isso? — perguntou, aproximando-se mais. — Precisou de um encontro, de um jantarzinho romântico, pra dizer a ele o que deveria ter dito há anos?
— Você não tem ideia do que foi essa noite. — retruquei, cansada. — Não sabe o que eu tive que ouvir, as coisas que ele disse, as coisas que eu precisei responder. Foi horrível, Damian. Horrível.
Ele inclinou a cabeça, avaliando meu rosto como se buscasse alguma mentira escondida.
— Quem tem que decidir isso é você, Damian. — murmurei, cruzando os braços. — Foi um dia longo. Uma noite ainda pior. Eu estou muito cansada de discussões.
De repente, ele avançou. As mãos dele agarraram minha cintura com força, me puxando de encontro ao seu peito largo. O choque do movimento arrancou de mim um pequeno arquejo ao sentir o calor sufocante do corpo dele contra o meu.
— Damian… — protestei, mas minha voz saiu fraca. Claro, ele me deixava fraca.
Ele ignorou meu protesto que mais parecia um gemido do seu nome. Uma das mãos subiu lentamente, alcançando meus cabelos e o soltou. Damian envolveu um punhado de fios entre os dedos e os puxou para trás, obrigando meu rosto a se inclinar para ele.
— Eu vou sair daquela casa. — rosnou contra minha pele, com os olhos cravados nos meus. — Vou ficar no apartamento que era nosso.
— Eu… — tentei dizer algo, mas me calei quando senti os dentes dele roçarem no meu queixo. Damian mordeu ali, firme o suficiente para me fazer estremecer.
— Gostaria de vir morar aqui, com você e os meninos. — murmurou contra a minha pele, a voz rouca reverberando em cada fibra do meu corpo e me excitando ao limite. — Mas é melhor sermos discretos, por enquanto.
Olhei dentro dos olhos dele. Havia algo feroz e decidido naquela expressão. Fazia tempo que não via aquele olhar, mas não era possivel esquecer dele. Nós iriamos transar. Não seria amor, ele me foderia sem piedade.
Os lábios dele se colaram aos meus num beijo intenso, dominador. Diferente do toque áspero de antes, agora havia uma possessividade ardente, como se quisesse me marcar. E ele fez isso olhando nos meus olhos, não tive coragem de fechar os meus enquanto ele me encarava tão intensamente.
Quando quebrei o beijo para respirar, já me sentia atordoada, mas não houve tempo de pensar. Damian me ergueu nos braços com facilidade e me levou até a cama.
— Damian… — murmurei, mas ele apenas me encarou de cima enquanto se livrava da própria camisa.
— Eu vou fazer você esquecer completamente que outro homem ousou te beijar. — prometeu,cheio de um ciúme possessivo no olhar, que me arrepiou inteira.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!