STELLA HARPER
O café estava silencioso naquela tarde. A rotina tinha sido puxada desde cedo, e com Alexander viajando para São Francisco eu estava sozinha com a responsabilidade administrativa. Eu passava os olhos pelos relatórios de vendas, tentando me manter focada, mas a mente vagava em direções que eu não queria.
A porta do escritório se abriu devagar e Larissa entrou, já de casaco vestido e bolsa pendurada no ombro.
— Eu vou buscar os meninos na escola, tá?
Levantei os olhos e forcei um sorriso.
— Obrigada, Lari. — respondi. — Eu vou fechar as coisas por aqui e encontro vocês em casa mais tarde.
Ela assentiu e acenou com a mão antes de sair.
Assim que ela saiu, o silêncio tomou conta do escritório de novo. Só restavam eu e os papéis espalhados pela mesa. Trabalhei até que a claridade do dia começasse a desaparecer pela janela. Quando finalmente fechei a pasta com os relatórios, pronta para apagar as luzes e ir embora, meu telefone vibrou.
Peguei sem olhar o identificador de chamadas.
— Alô?
— Oi Stella, aqui é a Elaine.
— Ah, oi, Elaine… eu não posso falar muito agora, estou saindo do trabalho. — respondi, terminando de organizar a mesa.
— Eu gostaria de me encontrar com você. — ela disse direto, sem rodeios. — Temos coisas a conversar.
— Não vai dar hoje… — comecei, mas ela me interrompeu antes que eu terminasse.
— Eu já sei de tudo.
Meu coração disparou, eu não sei exatamente do que ela estava falando, mas acho que qualquer um ficaria preocupado ao ouvir alguém dizer "Eu já sei de tudo" nesse tom acusatório. E também tem muitas coisas sobre mim que eu não gostaria que as pessoas soubesse.
— Tudo o quê?
— Tudo sobre você… e sobre o meu filho. — ela respondeu. — Gostaria de falar com você a respeito disso.
Engoli em seco. Então ela sabia. Mas até que ponto? Damian contou alguma coisa? Tem a ver com a saida dele de casa?
Não consegui reagir de imediato. O silêncio deve ter sido perceptível, porque Elaine continuou:
— Não estou ligando para discutir por telefone. Só quero uma conversa. Frente a frente.
Fechei os olhos e tentei controlar a ansiedade que crescia rápido demais. Eu não podia fugir. Se ela realmente sabia, não havia como me esconder.
— Está bem. — respondi por fim, respirando fundo. — Onde você quer se encontrar?
— No restaurante Barlotti. — disse sem hesitar. — Eu estarei lá em alguns minutos.
Assenti mesmo sabendo que ela não podia me ver.
— Certo. Eu vou.
— Obrigada. — foi a última coisa que disse antes de desligar.
Afastei o telefone do ouvido e fiquei olhando para a tela apagada, como se aquilo pudesse me dar respostas. Mas não deu.
O que Elaine queria de mim? Ela realmente sabia de tudo? E se soubesse… o que pretendia fazer? Ela não era uma daquelas mães ricas que oferece dinheiro para a garota pobre se afastar do filho né?
O último pensamento quase me fez rir, essas coisas só acontecem na ficção.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!