DAMIAN WINTER
Deixei Danian com a babá no apartamento. Ele ainda estava um pouco quieto, os olhos fundos de cansaço e se agarrou ao meu pescoço por alguns minutoss antes de deixá-la levá-lo. Não foi fácil deixá-lo, mas eu sabia que precisava. Quanto mais cedo ele se acostumasse com nossa nova rotina, mais rápido encontraria algum equilíbrio. Mais tarde posso levá-lo para ver os gêmeos e com certeza isso vai deixá-lo mais alegre.
Peguei minhas chaves, dei uma última instrução rápida sobre a refeição dele e saí.
Na empresa, o estresse voltou a se assentar sobre os ombros no instante em que cruzei as portas de vidro. Trabalhei por horas seguidas, revisando relatórios, repassando contratos, assinando documentos e dando instruções que minha equipe deveria ser capaz de seguir sem que eu precisasse repetir. A concentração me ajudava a manter a mente ocupada. Meu pai ainda não falou nada, mas sei que estar chateado com Sophie não será o bastante para aceitar Stella e meus filhos.
Quando me recostei na cadeira, pronto para revisar os últimos números, a ligação interna soou.
— Senhor Winter — a recepcionista anunciou. — Sua mãe está aqui.
Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo. Era inevitável que isso acontecesse mais cedo ou mais tarde. Ela acabou vindo me procurar mais rápido do que eu esperava, mas isso não é um problema.
— Deixe-a entrar. — respondi, guardando o trabalho que estava pendente e desligando o computador. — E certifique-se de que ninguém nos incomode.
— Sim, senhor.
Levantei-me, ajeitando o paletó, a porta do escritório se abriu e minha mãe entrou, tão elegante quanto sempre fora. Ela caminhou até a cadeira à minha frente e se sentou com rigidez e os dedos entrelaçados no colo. Não havia fragilidade em sua postura, mesmo abalada, ainda era uma Winter.
Nossos olhares se cruzaram, e o silêncio inicial foi desconfortável. Eu podia sentir a cobrança antes mesmo que ela abrisse a boca. Deveria falar primeiro?
— Quero uma explicação, Damian. — ela disse por fim. — Sobre tudo o que está acontecendo.
Minha mãe manteve os olhos cravados em mim, exigindo algo que eu não estava acostumado a dar: justificativas. Passei a mão pela gravata, ajeitando-a, antes de me sentar de novo na cadeira atrás da mesa.
— Você quer explicações. — repeti com calma. — Então eu vou lhe dar.
Ela cruzou as pernas e esperou.
— Eu conheci Stella Harper anos atrás quando ela veio trabalhar na empresa e me interessei imediatamente por ela. — comecei, sem rodeios. — Não como funcionária. Como mulher. E desde o primeiro instante… — meu olhar se desviou por um segundo, enquanto eu pensava seriamente nas próximas palavras. — Eu me apaixonei.
Tudo bem a Lizzy saber sobre o contrato e tudo que eu fiz, mas vou ter que omitir algumas partes para a minha mãe. Tenho que ser cuidadoso com o que falo.
— Tivemos uma breve relação. Stella descobriu a gravidez e, antes que eu pudesse sequer saber, ela desapareceu. Ela fugiu de mim porque descobriu que eu estava noivo de Sophie. Nunca me deu a chance de explicar, nem me contou sobre os meninos.
Minha mãe arregalou os olhos, mas permaneceu em silêncio, esperando que eu continuasse.
— Eu só a reencontrei agora… por acaso. — respirei fundo. — Se ela não tivesse salvado sua vida, talvez eu nunca tivesse a encontrado novamente. Nem ela, nem os meus filhos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!