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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 390

O carro parou diante do prédio cinza, de arquitetura fria e funcional. Nada ali era acolhedor. A placa discreta indicava:

Centro de Avaliação Psiquiátrica Forense.

Edgar desceu primeiro. O olhar já estava pesado. Alex veio logo atrás, ajustando o paletó, observando o entorno com atenção profissional.

— Lugar agradável… — murmurou, seco, passando os olhos pela fachada.

Edgar não respondeu. Já caminhava em direção à entrada.

O interior era ainda mais impessoal. Paredes claras, iluminação branca, silêncio controlado. Um ambiente feito para analisar… não para acolher.

Uma recepcionista os encaminhou até uma sala reservada.

Minutos depois, a porta se abriu.

O psiquiatra entrou com uma pasta em mãos. Cumprimentou os dois com um aceno discreto e sentou-se à frente deles.

— Senhores… — começou, direto, apoiando a pasta sobre a mesa. — obrigado por terem vindo.

Alex cruzou as pernas, apoiando o braço na cadeira.

— Pode ser objetivo, doutor. — disse, sem rodeios.

O médico assentiu. Abriu a pasta.

— A paciente apresenta um quadro de obsessão grave. — disse, técnico, passando os olhos pelas anotações.

Edgar manteve o olhar fixo.

— Obsessão direcionada? — perguntou, inclinando levemente o corpo à frente.

— Sim. — confirmou o médico, erguendo o olhar. — pelo senhor… e pela sua família.

Ele passou os olhos pelas anotações.

— Há uma ruptura clara entre realidade e construção mental. O que começou como uma mentira… foi consolidado como verdade.

Alex inclinou levemente a cabeça, analisando.

— Em que nível? — perguntou, com a voz controlada.

O médico respondeu sem hesitar:

— Ela acredita que é a Laura. — disse, fechando parcialmente a pasta.

O silêncio caiu pesado.

— Não se trata de interpretação simbólica… — continuou, apoiando os cotovelos na mesa. — para ela, essa identidade é real.

Edgar travou o maxilar, desviando o olhar por um segundo.

— E a Laura? — perguntou, mais baixo, passando a mão no queixo.

O olhar do médico ficou mais sério.

— Na percepção da paciente… a Laura não deveria existir.

Uma pausa.

— Ela verbaliza, em momentos de descontrole, que “ela deveria ter morrido junto com o bebê”.

O ar ficou mais denso. Edgar fechou os olhos por um segundo, respirando fundo. O médico seguiu.

— Existe também um padrão de comportamento manipulativo. — disse, virando mais uma página. — ela relata que fez de tudo para engravidar do senhor.

O olhar foi direto para Edgar.

— Com o objetivo de criar vínculo permanente.

Alex cruzou os braços, encostando-se na cadeira.

— Estratégia emocional. — comentou, seco.

— Exatamente. — confirmou o médico, assentindo.

Ele virou mais uma página.

— Há uma fixação específica na sua relação com a sua filha.

Edgar passou a mão no rosto, cansado.

— Luna… — murmurou, com o olhar distante.

— Sim. — disse o médico. — ela identifica isso como ponto de vulnerabilidade.

O silêncio voltou.

Pesado.

Controlado.

O médico respirou fundo antes de continuar.

— Existe menção recorrente a uma terceira pessoa.

Alex ergueu o olhar imediatamente, descruzando os braços.

— Nome? — perguntou, direto.

— Érica. — respondeu o médico, observando a reação.

O ambiente pareceu mudar.

— Segundo a paciente… — continuou — essa mulher teve influência direta nas decisões dela.

Alex deu um leve passo à frente, apoiando a mão na mesa.

— Influência… ou direcionamento? — questionou, com precisão.

O médico manteve o tom neutro.

— Há indícios consistentes de influência externa.

Ele fez uma breve pausa.

— Em determinado momento, a paciente relata que essa mulher deixou de ajudá-la.

Alex estreitou os olhos, pensativo.

— Ou perdeu o controle sobre ela. — disse, mais baixo.

O médico não respondeu diretamente.

— O que posso afirmar… — disse, fechando a pasta — é que a paciente não agia sozinha.

Ele ergueu o olhar.

— E mais um ponto relevante.

— E depois ainda teve a tentativa de atropelamento… — completou, mais baixo, apertando a porta do carro.

Edgar respirou fundo.

— Então, eu não vou forçar.

Ele passou a mão no rosto, cansado.

— E… eu conheço a Laura.

O olhar dele suavizou, mas carregado.

— Quando ela quiser falar… ela vai falar.

Uma pausa. Mais pesada.

— É a primeira vez que ela guarda alguma coisa de mim… — admitiu, mais baixo.

Alex não disse nada por um instante, apenas observando.

— Mas eu entendo. — completou Edgar. — tem dor que a pessoa ainda não consegue dividir.

O silêncio voltou.

Denso.

Real.

Alex assentiu de leve.

— Se ela falar alguma coisa, cunhado… me avise. — disse, firme.

Edgar concordou com um pequeno movimento de cabeça.

— Beleza.

Ele hesitou por um segundo antes de perguntar.

— E a Luna… — disse, mais sério agora. — com tudo isso… a guarda continua comigo, definitivamente?

Alex sustentou o olhar, seguro.

— Continua. — respondeu, direto.

Ele ajustou o paletó.

— A decisão já foi decretada em audiência… e agora, com esse laudo, a situação só se consolida ainda mais a seu favor.

Edgar ouviu em silêncio, respirando mais devagar. Alex continuou, com firmeza técnica.

— O tribunal não vai colocar a criança em risco. — disse. — com esse histórico e o estado mental da Marcela, não há qualquer base jurídica pra reversão de guarda.

Ele fez uma pequena pausa.

— Você passa a ter guarda total.

O olhar ficou mais sério.

— E, nessas condições… isso não muda.

Edgar soltou o ar devagar, apoiando a testa por um segundo na porta do carro. Alex concluiu, firme.

— A Luna está protegida. E vai continuar sob sua responsabilidade.

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