O carro parou diante do prédio cinza, de arquitetura fria e funcional. Nada ali era acolhedor. A placa discreta indicava:
Centro de Avaliação Psiquiátrica Forense.
Edgar desceu primeiro. O olhar já estava pesado. Alex veio logo atrás, ajustando o paletó, observando o entorno com atenção profissional.
— Lugar agradável… — murmurou, seco, passando os olhos pela fachada.
Edgar não respondeu. Já caminhava em direção à entrada.
O interior era ainda mais impessoal. Paredes claras, iluminação branca, silêncio controlado. Um ambiente feito para analisar… não para acolher.
Uma recepcionista os encaminhou até uma sala reservada.
Minutos depois, a porta se abriu.
O psiquiatra entrou com uma pasta em mãos. Cumprimentou os dois com um aceno discreto e sentou-se à frente deles.
— Senhores… — começou, direto, apoiando a pasta sobre a mesa. — obrigado por terem vindo.
Alex cruzou as pernas, apoiando o braço na cadeira.
— Pode ser objetivo, doutor. — disse, sem rodeios.
O médico assentiu. Abriu a pasta.
— A paciente apresenta um quadro de obsessão grave. — disse, técnico, passando os olhos pelas anotações.
Edgar manteve o olhar fixo.
— Obsessão direcionada? — perguntou, inclinando levemente o corpo à frente.
— Sim. — confirmou o médico, erguendo o olhar. — pelo senhor… e pela sua família.
Ele passou os olhos pelas anotações.
— Há uma ruptura clara entre realidade e construção mental. O que começou como uma mentira… foi consolidado como verdade.
Alex inclinou levemente a cabeça, analisando.
— Em que nível? — perguntou, com a voz controlada.
O médico respondeu sem hesitar:
— Ela acredita que é a Laura. — disse, fechando parcialmente a pasta.
O silêncio caiu pesado.
— Não se trata de interpretação simbólica… — continuou, apoiando os cotovelos na mesa. — para ela, essa identidade é real.
Edgar travou o maxilar, desviando o olhar por um segundo.
— E a Laura? — perguntou, mais baixo, passando a mão no queixo.
O olhar do médico ficou mais sério.
— Na percepção da paciente… a Laura não deveria existir.
Uma pausa.
— Ela verbaliza, em momentos de descontrole, que “ela deveria ter morrido junto com o bebê”.
O ar ficou mais denso. Edgar fechou os olhos por um segundo, respirando fundo. O médico seguiu.
— Existe também um padrão de comportamento manipulativo. — disse, virando mais uma página. — ela relata que fez de tudo para engravidar do senhor.
O olhar foi direto para Edgar.
— Com o objetivo de criar vínculo permanente.
Alex cruzou os braços, encostando-se na cadeira.
— Estratégia emocional. — comentou, seco.
— Exatamente. — confirmou o médico, assentindo.
Ele virou mais uma página.
— Há uma fixação específica na sua relação com a sua filha.
Edgar passou a mão no rosto, cansado.
— Luna… — murmurou, com o olhar distante.
— Sim. — disse o médico. — ela identifica isso como ponto de vulnerabilidade.
O silêncio voltou.
Pesado.
Controlado.
O médico respirou fundo antes de continuar.
— Existe menção recorrente a uma terceira pessoa.
Alex ergueu o olhar imediatamente, descruzando os braços.
— Nome? — perguntou, direto.
— Érica. — respondeu o médico, observando a reação.
O ambiente pareceu mudar.
— Segundo a paciente… — continuou — essa mulher teve influência direta nas decisões dela.
Alex deu um leve passo à frente, apoiando a mão na mesa.
— Influência… ou direcionamento? — questionou, com precisão.
O médico manteve o tom neutro.
— Há indícios consistentes de influência externa.
Ele fez uma breve pausa.
— Em determinado momento, a paciente relata que essa mulher deixou de ajudá-la.
Alex estreitou os olhos, pensativo.
— Ou perdeu o controle sobre ela. — disse, mais baixo.
O médico não respondeu diretamente.
— O que posso afirmar… — disse, fechando a pasta — é que a paciente não agia sozinha.
Ele ergueu o olhar.
— E mais um ponto relevante.
— E depois ainda teve a tentativa de atropelamento… — completou, mais baixo, apertando a porta do carro.
Edgar respirou fundo.
— Então, eu não vou forçar.
Ele passou a mão no rosto, cansado.
— E… eu conheço a Laura.
O olhar dele suavizou, mas carregado.
— Quando ela quiser falar… ela vai falar.
Uma pausa. Mais pesada.
— É a primeira vez que ela guarda alguma coisa de mim… — admitiu, mais baixo.
Alex não disse nada por um instante, apenas observando.
— Mas eu entendo. — completou Edgar. — tem dor que a pessoa ainda não consegue dividir.
O silêncio voltou.
Denso.
Real.
Alex assentiu de leve.
— Se ela falar alguma coisa, cunhado… me avise. — disse, firme.
Edgar concordou com um pequeno movimento de cabeça.
— Beleza.
Ele hesitou por um segundo antes de perguntar.
— E a Luna… — disse, mais sério agora. — com tudo isso… a guarda continua comigo, definitivamente?
Alex sustentou o olhar, seguro.
— Continua. — respondeu, direto.
Ele ajustou o paletó.
— A decisão já foi decretada em audiência… e agora, com esse laudo, a situação só se consolida ainda mais a seu favor.
Edgar ouviu em silêncio, respirando mais devagar. Alex continuou, com firmeza técnica.
— O tribunal não vai colocar a criança em risco. — disse. — com esse histórico e o estado mental da Marcela, não há qualquer base jurídica pra reversão de guarda.
Ele fez uma pequena pausa.
— Você passa a ter guarda total.
O olhar ficou mais sério.
— E, nessas condições… isso não muda.
Edgar soltou o ar devagar, apoiando a testa por um segundo na porta do carro. Alex concluiu, firme.
— A Luna está protegida. E vai continuar sob sua responsabilidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quando será liberado mais capítulos?...
Pq está parando de postar diariamente, está estagnado no capítulo 465 ... KD o restante, espero que na publicação tenha um pouco mais.......
Cadê os capítulos, era 3 capítulos por dia, kd.......
Cadê a continuação?...
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
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