Ísis a encarou em silêncio.
Olívia sustentou o olhar.
— Nem todo amor precisa terminar em casamento. — murmurou.
A voz começou a falhar, mas ela insistiu.
— Às vezes amar alguém também é ir embora. Liam já me falou isso.
Ísis estreitou o olhar.
— Isso não parece você falando. — respondeu devagar. — E é com a Ísis que você está falando. Sua amiga. A que viu tudo desde quando isso era um contrato.
Olívia enxugou uma lágrima antes que caísse.
— Pois se acostuma. — devolveu, endurecendo o maxilar.
Respirou fundo.
— Eu tomei uma decisão adulta. Pela minha filha. Pela minha sanidade. Pela minha família.
Ísis inclinou-se para frente, ignorando a dor no corpo.
— Ou por medo? — perguntou baixo.
Olívia virou o rosto imediatamente.
— Por lucidez. — respondeu na mesma hora.
Levantou as duas mãos aos cabelos, perdida por um segundo, mas se recompôs.
— Meu irmão quase morreu… Liam está preso… meu pai está destruído… você e os gêmeos poderiam ter se machucado…
A respiração falhou.
As pernas cederam e ela sentou-se na poltrona à frente.
— Eu não aguento mais viver no meio de tragédia. — confessou, a voz quebrada.
Ísis a observou com tristeza.
— Você não precisa carregar isso sozinha. — disse com ternura.
Olívia riu sem humor.
— Preciso, sim. — respondeu, baixando os olhos.
Os dedos apertaram a própria saia.
— Porque fui eu que escolhi sair dessa história.
Ísis ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois falou com doçura:
— O Liam não vai aceitar isso.
Olívia ergueu o rosto devagar.
— Vai ter que aceitar. — respondeu firme, embora chorosa.
Ísis sustentou o olhar dela.
— E você? — perguntou.
A pergunta a atingiu em cheio.
Ela demorou para responder.
— Eu já aceitei. — mentiu quase num sussurro.
Ísis recostou-se no sofá, exausta.
— Eu vim aqui abrindo ponto de cesárea quase no caminho…
Isso arrancou de Olívia um riso choroso.
Ísis sorriu também.
— …pra te lembrar de uma coisa.
Olívia enxugou o rosto.
— O quê? — perguntou, rouca.
Ísis a encarou com firmeza.
— Desespero vestido de escolha… continua sendo desespero.
Silêncio.
Olívia sustentou o olhar dela, mesmo com os olhos cheios d’água.
— Talvez. — murmurou, respirando fundo.
Endireitou os ombros mais uma vez.
— Ainda assim… a escolha continua sendo minha.
No hospital, o quarto de Victor já tinha um ar diferente. Menos pesado. As flores sobre a mesa lateral, a mala pequena aberta na poltrona e Ana dobrando uma blusa com cuidado denunciavam o que todos esperavam há semanas.
Alta.
Olívia estava perto da janela, os braços cruzados, observando o irmão sentado na cama, ainda pálido, ainda marcado, mas vivo. Victor usava uma camiseta confortável e mantinha a expressão cansada, como se até ficar sentado exigisse mais força do que ele queria admitir.
O médico terminou de conferir o prontuário no tablet e ergueu o olhar para os três.
— Victor vai para casa, mas isso não significa vida normal imediata. — explicou, com calma. — Nas próximas semanas, nada de esforço físico, nada de dirigir, nada de álcool e nada de situações de estresse intenso.
Victor soltou um suspiro baixo.
— Então basicamente vida de planta.
Ana lançou um olhar de censura para ele.
— Victor.
O médico sorriu de leve.
Victor riu sem humor e passou a mão pelo rosto, cansado.
— Tá. Vamos imaginar que eu decida lutar por um relacionamento com ela. Não é o caso, mas vamos imaginar.
Ele ergueu os olhos para a irmã.
— Como seria? Nos encontros da família? Nas festas dos Holt? Eu chegando com Bárbara do lado, Liam olhando pra ela com ódio, você tendo que engolir a presença dela?
Olívia desviou o olhar por um segundo. Victor prosseguiu.
— E os almoços de Dia dos Pais? Dia das Mães? Ela sentada na mesma mesa que você, que Liam, que Meredith?
A voz dele baixou.
— Não dá.
Olívia apertou as mãos no colo.
— Você fala isso como se tudo fosse simples.
— Porque é. — ele respondeu, duro demais. Depois respirou fundo, tentando suavizar. — Foi só sexo, Olívia. Uma noite. Eu nem estava esperando. Aconteceu.
Olhou para a janela.
— Foi só mais uma mulher que eu tive.
Olívia o encarou, ferida pela mentira dele.
— Não foi só mais uma mulher. E você sabe disso.
Victor virou o rosto rápido.
— Não começa.
— Você sente algo por ela. Só não quer admitir.
Ele soltou uma risada curta, cansada.
— Ela é obcecada pelo Liam. Isso não vai mudar.
— As coisas mudaram. — Olívia rebateu, inclinando-se um pouco para ele. — Ela esteve aqui para ver você.
Victor ficou em silêncio.
— E você foi frio com ela. Você fez ela ir embora.
O maxilar dele travou. Por alguns segundos, parecia que ia responder com raiva, mas a expressão cedeu para o cansaço.
— Eu estava com dor, Olívia. Confuso. As memórias ainda não voltaram ao normal. Não se esquece disso.
A voz saiu mais baixa. Mais honesta.
— Eu mal consigo confiar no que lembro. Você é uma romântica incurável, eu não.
Ana deixou a blusa dobrada sobre a mala e se aproximou da cama. Tocou de leve o ombro do filho.
— Filho…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...