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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 454

Ísis a encarou em silêncio.

Olívia sustentou o olhar.

— Nem todo amor precisa terminar em casamento. — murmurou.

A voz começou a falhar, mas ela insistiu.

— Às vezes amar alguém também é ir embora. Liam já me falou isso.

Ísis estreitou o olhar.

— Isso não parece você falando. — respondeu devagar. — E é com a Ísis que você está falando. Sua amiga. A que viu tudo desde quando isso era um contrato.

Olívia enxugou uma lágrima antes que caísse.

— Pois se acostuma. — devolveu, endurecendo o maxilar.

Respirou fundo.

— Eu tomei uma decisão adulta. Pela minha filha. Pela minha sanidade. Pela minha família.

Ísis inclinou-se para frente, ignorando a dor no corpo.

— Ou por medo? — perguntou baixo.

Olívia virou o rosto imediatamente.

— Por lucidez. — respondeu na mesma hora.

Levantou as duas mãos aos cabelos, perdida por um segundo, mas se recompôs.

— Meu irmão quase morreu… Liam está preso… meu pai está destruído… você e os gêmeos poderiam ter se machucado…

A respiração falhou.

As pernas cederam e ela sentou-se na poltrona à frente.

— Eu não aguento mais viver no meio de tragédia. — confessou, a voz quebrada.

Ísis a observou com tristeza.

— Você não precisa carregar isso sozinha. — disse com ternura.

Olívia riu sem humor.

— Preciso, sim. — respondeu, baixando os olhos.

Os dedos apertaram a própria saia.

— Porque fui eu que escolhi sair dessa história.

Ísis ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois falou com doçura:

— O Liam não vai aceitar isso.

Olívia ergueu o rosto devagar.

— Vai ter que aceitar. — respondeu firme, embora chorosa.

Ísis sustentou o olhar dela.

— E você? — perguntou.

A pergunta a atingiu em cheio.

Ela demorou para responder.

— Eu já aceitei. — mentiu quase num sussurro.

Ísis recostou-se no sofá, exausta.

— Eu vim aqui abrindo ponto de cesárea quase no caminho…

Isso arrancou de Olívia um riso choroso.

Ísis sorriu também.

— …pra te lembrar de uma coisa.

Olívia enxugou o rosto.

— O quê? — perguntou, rouca.

Ísis a encarou com firmeza.

— Desespero vestido de escolha… continua sendo desespero.

Silêncio.

Olívia sustentou o olhar dela, mesmo com os olhos cheios d’água.

— Talvez. — murmurou, respirando fundo.

Endireitou os ombros mais uma vez.

— Ainda assim… a escolha continua sendo minha.

No hospital, o quarto de Victor já tinha um ar diferente. Menos pesado. As flores sobre a mesa lateral, a mala pequena aberta na poltrona e Ana dobrando uma blusa com cuidado denunciavam o que todos esperavam há semanas.

Alta.

Olívia estava perto da janela, os braços cruzados, observando o irmão sentado na cama, ainda pálido, ainda marcado, mas vivo. Victor usava uma camiseta confortável e mantinha a expressão cansada, como se até ficar sentado exigisse mais força do que ele queria admitir.

O médico terminou de conferir o prontuário no tablet e ergueu o olhar para os três.

— Victor vai para casa, mas isso não significa vida normal imediata. — explicou, com calma. — Nas próximas semanas, nada de esforço físico, nada de dirigir, nada de álcool e nada de situações de estresse intenso.

Victor soltou um suspiro baixo.

— Então basicamente vida de planta.

Ana lançou um olhar de censura para ele.

— Victor.

O médico sorriu de leve.

Victor riu sem humor e passou a mão pelo rosto, cansado.

— Tá. Vamos imaginar que eu decida lutar por um relacionamento com ela. Não é o caso, mas vamos imaginar.

Ele ergueu os olhos para a irmã.

— Como seria? Nos encontros da família? Nas festas dos Holt? Eu chegando com Bárbara do lado, Liam olhando pra ela com ódio, você tendo que engolir a presença dela?

Olívia desviou o olhar por um segundo. Victor prosseguiu.

— E os almoços de Dia dos Pais? Dia das Mães? Ela sentada na mesma mesa que você, que Liam, que Meredith?

A voz dele baixou.

— Não dá.

Olívia apertou as mãos no colo.

— Você fala isso como se tudo fosse simples.

— Porque é. — ele respondeu, duro demais. Depois respirou fundo, tentando suavizar. — Foi só sexo, Olívia. Uma noite. Eu nem estava esperando. Aconteceu.

Olhou para a janela.

— Foi só mais uma mulher que eu tive.

Olívia o encarou, ferida pela mentira dele.

— Não foi só mais uma mulher. E você sabe disso.

Victor virou o rosto rápido.

— Não começa.

— Você sente algo por ela. Só não quer admitir.

Ele soltou uma risada curta, cansada.

— Ela é obcecada pelo Liam. Isso não vai mudar.

— As coisas mudaram. — Olívia rebateu, inclinando-se um pouco para ele. — Ela esteve aqui para ver você.

Victor ficou em silêncio.

— E você foi frio com ela. Você fez ela ir embora.

O maxilar dele travou. Por alguns segundos, parecia que ia responder com raiva, mas a expressão cedeu para o cansaço.

— Eu estava com dor, Olívia. Confuso. As memórias ainda não voltaram ao normal. Não se esquece disso.

A voz saiu mais baixa. Mais honesta.

— Eu mal consigo confiar no que lembro. Você é uma romântica incurável, eu não.

Ana deixou a blusa dobrada sobre a mala e se aproximou da cama. Tocou de leve o ombro do filho.

— Filho…

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