RUBI MONTENEGRO
O escritório do Dr. Sales ficava no centro financeiro, um lugar sóbrio com móveis de couro escuro e cheiro de café forte. O advogado, um homem de meia-idade com óculos de aros grossos, me recebeu com um aperto de mão firme.
— Sra. Beckett, é um prazer. Domênico me falou muito bem da senhora.
— Obrigada por me receber tão rápido, Dr. Sales. — Me sentei à frente dele e tirei o contrato da bolsa. — Meu marido, Ares Beckett, alega que este documento me impede de trabalhar para a concorrência. Ele diz que detém os direitos da minha imagem.
O Dr. Sales pegou o documento e ajeitou os óculos. Eu observava cada micro expressão no rosto dele enquanto o homem lia, tentando adivinhar se eu estava condenada ou salva. Ele leu a primeira página, virou para a segunda, murmurou algo inaudível e franziu a testa na terceira página.
Minhas mãos suavam. Se Ares estivesse certo, eu teria que voltar para aquela mansão com o rabo entre as pernas. Teria que admitir a derrota.
De repente, o Dr. Sales parou. Um sorriso satisfeito começou a se formar no canto da boca dele. Ele releu um parágrafo específico e depois olhou para mim.
— Sra. Beckett, a senhora disse que ele ameaçou levá-la ao tribunal com base na cláusula de imagem?
— Sim. Ele foi bem enfático. Disse que comprou os direitos da família Montenegro.
— Exatamente — o advogado concordou, batendo o dedo no papel. — Ele comprou os direitos da família Montenegro.
— Eu sou filha deles. — Suspirei desiludida. — Era de se esperar que meu marido conseguisse o que queria.
— Não é bem assim. A lei é feita de detalhes, minha cara. — O Dr. Sales girou o contrato para que eu pudesse ver. — Aqui, na Cláusula 15, diz: "Ares Beckett detém exclusividade sobre a exploração de imagem comercial de qualquer portador do sobrenome Montenegro, ou dependentes diretos que utilizem tal nome para fins lucrativos".
Li a frase duas vezes, ainda sem entender onde ele queria chegar.
— Eu não entendo. Eu sou uma Montenegro.
— Sim, mas o senhor Beckett cometeu um erro. — O advogado recostou-se na cadeira, parecendo se divertir. — Ao casar com a senhora, ele fez com que você adotasse o sobrenome dele, correto?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!