RUBI MONTENEGRO
A luz da segunda-feira entrou pelas frestas da cortina, me acordando de um sono inquieto. Apesar do desastre no final do baile e da ameaça de Ares, uma parte de mim queria acreditar que era apenas um blefe. Ares era arrogante, mas será que ele seria louco o suficiente para atacar um concorrente sem motivo? Tenho certeza que não.
Espreguicei-me, sentindo o corpo ainda cansado, e peguei meu celular na mesa de cabeceira para checar a agenda.
Assim que a tela acendeu, meu coração falhou uma batida.
Havia dezenas de notificações. O ícone de mensagens estava explodindo, e-mails urgentes chegavam um atrás do outro.
Cliquei na primeira manchete de um portal famoso de economia e moda.
"ESCÂNDALO NA MODA: Bane Fashion acusada de Plágio Massivo e Trabalho Escravo na Ásia."
— O quê? — A palavra saiu num sussurro engasgado.
Rolei a tela para baixo, lendo com horror crescente. A matéria era detalhada. Dizia que a coleção "Renascimento", a minha coleção, tinha sido copiada descaradamente de designers independentes e pobres. Pior ainda, afirmava que as roupas eram produzidas em fábricas ilegais com condições desumanas e uso de mão de obra infantil.
Havia fotos de documentos, supostos e-mails vazados com o nome de Domênico autorizando as ilegalidades para "cortar custos".
— Não... — A bile subiu à minha garganta. — Isso é mentira. Eu vi a produção!
Outra notificação pipocou no topo da tela: "URGENTE: Ações da Bane Fashion despencam 60% na abertura do mercado. Investidores pedem afastamento imediato de Domênico Bane. Ministério Público abre investigação."
Lembrei das palavras de Ares no corredor: "Amanhã, você não terá tantos motivos para sorrir."
— Ares. — O nome saiu da minha boca com amargura. — Foi ele. Ele cumpriu a ameaça.
Pulei da cama, ignorando a tontura. Tomei banho, vesti a primeira roupa que vi pela frente e corri para o carro. Eu precisava chegar à empresa e precisava ver Domênico.
Quando cheguei à sede da Bane Fashion, me deparei com caminhões de emissoras de TV na porta, repórteres tentando invadir a recepção, e manifestantes começando a se aglomerar com cartazes.
Entrei pela garagem dos fundos, usando meu crachá.
Subi para o andar da presidência. Corri para a sala de Domênico e abri a porta sem bater.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!