ARES BECKETT
O telefone não tocou nem duas vezes antes de o chefe da minha equipe de inteligência atender.
— Bom dia, Sr. Beckett...
— Cale a boca e escute bem — rosnei, irritado. — Você tem exatos dez minutos para descobrir qual idiota da sua equipe me enviou um pen drive vazio em vez do dossiê que eu exigi. Se eu não tiver o culpado e o arquivo certo na minha mesa de forma imediata, você vai implorar por um emprego limpando chão de banheiro e eu vou garantir que seja recusado. Fui claro?
Desliguei antes que ele pudesse gaguejar qualquer desculpa inútil.
Naquele momento, a porta do closet se abriu. Rubi saiu, já vestida com calças confortáveis e uma blusa solta de ficar em casa. Ela parou no meio do caminho, olhou para mim sentado na beirada da cama, com o celular na mão e uma cara de quem ia cometer um assassinato, e balançou a cabeça como se eu não tivesse salvação. Sem dizer uma palavra, ela me deu as costas e saiu do quarto.
Tentei acalmar os meus instintos homicidas. Fui até o closet, troquei o terno amarfanhado por algo mais casual, e desci as escadas.
No corredor do primeiro andar, encontrei uma das empregadas espanando.
— Você viu a minha esposa?
A mulher deu um pequeno pulo de susto.
— S-sim, senhor. A senhora foi para a biblioteca.
Dei um aceno e caminhei até lá. Abri a porta bem devagar. Rubi estava em pé perto de uma das estantes do fundo, correndo o dedo delicadamente pelas lombadas dos livros.
Quando ela notou a minha presença, parou e se virou, desconfiada.
— O que você está fazendo aqui? — indagou.
— O mesmo que você. — respondi, com a maior cara de pau do mundo, caminhando até uma prateleira qualquer e correndo o dedo pelos livros igual a ela. — Vim buscar um livro.
Rubi estreitou os olhos, pegou um romance e foi se sentar em uma das enormes poltronas de couro perto da janela. Peguei o primeiro livro de capa dura que vi pela frente e fui até ela, sentando-me na poltrona exatamente ao seu lado.
Cruzei as pernas e abri o livro bem no meio, para fingir que já havia começado antes e estava inacabado. Eu fingia ler, mas os meus olhos não passavam da primeira linha da página. A minha atenção estava inteiramente focada nela. A luz da manhã entrava pela janela, iluminando o rosto de Rubi, e eu me peguei observando cada detalhe.
De repente, ela ergueu o olhar na minha direção.
Imediatamente, baixei meus olhos para o papel e virei a página com uma expressão seríssima e muito concentrada, fingindo ler palavras que eu nem sabia quais eram. Espiei por cima da borda do livro alguns segundos depois. Ela já tinha voltado a ler a história dela.
Pigarreei, quebrando o silêncio confortável da sala.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!