RUBI MONTENEGRO
Caminhamos em silêncio até a sala de jantar. Assim que chegamos à mesa, fui direto para a minha cadeira habitual, na outra ponta, o mais longe possível do campo de visão dele. Mas antes que eu pudesse seguir para o meu lugar, Ares segurou minha mão.
— Sente-se à minha direita a partir de agora, por favor. — ele pediu, puxando a cadeira ao lado da dele.
Olhei para o assento e dei de ombros. Para mim não fazia muita diferença de que lado da mesa eu seria obrigada a aturar a presença dele. Sentei-me sem discutir.
Assim que a Mary e outra empregada trouxeram a comida, Ares fez um gesto com a mão, dispensando as duas. Para a minha total surpresa, ele mesmo pegou a jarra de cristal e serviu o suco no meu copo.
— Obrigada. — murmurei, estreitando os olhos e o observando como se ele tivesse acabado de criar uma segunda cabeça. Ares prestativo? Aquilo era muito estranho, mas tudo que ele fazia ultimamente também era.
Ele se sentou ao meu lado e, com um movimento calmo, tirou um pen drive do bolso da calça, pousando-o na mesa bem ao lado do meu prato.
— Aquele outro arquivo foi um erro da minha equipe. Este aqui é o verdadeiro presente.
Peguei o pequeno objeto com extrema desconfiança, avaliando-o como se fosse explodir.
— Você tem certeza de que não tem outra pegadinha aqui dentro? Um vídeo de gatinhos miando no mudo, talvez?
Ares suspirou e cortou um pedaço do bife.
— Se tiver, eu te garanto que o país terá mais de sessenta novos desempregados antes do fim do dia.
A naturalidade com que ele ameaçava a economia local me fez prender um sorriso.
— E o que tem aqui? É surpresa ou posso saber antes de abrir?
— Tem absolutamente tudo sobre a sua família. — Ares respondeu. — Os segredos, as contas, as dívidas, aliados. Tudo.
Fiquei encarando o pen drive.
— E o que eu posso fazer com isso?
— O que você quiser, Rubi. — Ele me olhou nos olhos intensamente. Era como se seu olhar implorasse "Use, por favor". — Use se quiser se vingar, se eles te incomodarem, se tentarem atravessar o seu caminho de novo... você pode usar tudo isso para esmagá-los.
Girei o pen drive entre os dedos. O homem ao meu lado era um manipulador nato, mas suas conexões eram bem úteis. Eu diria que ao invés desse pen drive ser minha arma, seria um escudo. Não vou usar contra minha família, a menos que eles peçam por isso.
Queria também ter esse tipo de bomba contra Ares...


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!