RUBI MONTENEGRO
Caminhávamos lado a lado pelas calçadas iluminadas de Paris. O ar estava frio, mas o calor do corpo de Ares tão perto do meu me mantinha aquecida. Na verdade, meu corpo inteiro ainda formigava e a minha mente repassava aquele beijo em um looping infinito.
Eu estava totalmente na defensiva. A cada passo, esperava o momento em que ele faria alguma piada arrogante ou tentaria me arrastar direto para a cama do hotel.
— Vai ficar me olhando com essa cara de suspeita a noite toda? — Ares perguntou, com um sorriso de lado.
— Estou apenas tentando descobrir qual é a sua intenção. — Cruzei os braços, Ares percebeu meu desconforto e colocou seu paletó nos meus ombros. — Obrigada. — Agradeci pelo paletó. — Mas você não é do tipo que dá passeios noturnos a pé sem um motivo oculto. O que você quer, Ares?
Ele parou no meio da calçada e colocou a mão no peito, fingindo estar profundamente ofendido.
— Eu? Um motivo oculto? Estou apenas sendo o cavalheiro gentil e educado que a minha esposa merece.
— Cavalheiro? Você? — Soltei uma risada pelo nariz. — Tá bom. E eu sou a Rainha da Inglaterra em turnê.
— Sou um homem generoso e cheio de surpresas, Rubi. Falando nisso... — Ele apontou para uma pequena barraquinha iluminada na esquina. — Você gosta de crepes?
— Você... o homem que só come em restaurantes com estrelas Michelin... quer comprar comida de rua?
— Se tiver muito chocolate, eu como até pedra. — Ele piscou para mim e pegou a minha mão, me puxando até a barraca.
Foi a atitude mais surreal que já imaginei vindo dele. Ares, vestindo um smoking feito sob medida, encostou no balcão de rua e pediu dois crepes de Nutella com morango para o vendedor, usando um francês perfeito.
Ele me entregou o crepe quentinho enrolado no papel.
— Cuidado para não sujar o seu vestido, senhora Beckett.
— Preocupe-se com a sua gravata, senhor Beckett — rebati, dando uma mordida. — Meu Deus, isso é absurdo de bom!
Ares deu uma mordida no dele e imediatamente fez uma careta.
— Droga. Caiu chocolate no meu sapato.
Caí na gargalhada. Ver aquele magnata tentando limpar uma gota de Nutella do sapato no meio da rua era impagável. O clima estranho desapareceu como mágica. Voltamos a caminhar, comendo e conversando.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!