ARES BECKETT
— Eu posso te beijar?
Ela piscou, a respiração falhou enquanto olhava para a minha boca.
— Isso é um pedido?
— É uma pergunta — esclareci.
— Nesse caso, a resposta é...
Eu sabia exatamente o que ela ia dizer. Um grande, teimoso e irritante "não". Então, eu simplesmente não deixei que ela terminasse a frase. Abaixei a cabeça e capturei os lábios dela com os meus.
Deslizei uma das mãos pelas costas dela, emaranhando meus dedos nas ondas do seu cabelo escuro para inclinar o rosto dela no ângulo perfeito. A minha outra mão segurou a cintura dela, puxando seu corpo com força contra o meu peito até não sobrar um único milímetro de espaço entre nós.
Os lábios de Rubi eram muito mais macios do que eu lembrava, talvez porque da última vez ela não me deixou experimentar direito. Também tinham o gosto do vinho tinto que tomamos no jantar. No primeiro segundo, ela ficou completamente rígida nos meus braços, pega de surpresa pela minha atitude. Senti as mãos pequenas dela espalmadas no meu peito, indecisas se me empurravam para longe.
Então, ela soltou um suspiro baixo. Aproveitei a chance, separei os lábios dela com os meus e aprofundei o beijo, deslizando a minha língua para dentro.
Foi nesse momento que percebi algo que fez o meu coração bater enlouquecido. Rubi hesitou. Os movimentos dela eram um pouco desajeitados, inocentes. A mulher feroz e de língua afiada, tinha pouquíssima experiência naquilo, talvez até... nenhuma experiência . A constatação de que eu poderia estar sendo o primeiro beijo apaixonado da vida dela me excitou muito mais.
Mudei minhas ações na mesma hora. Parei de exigir e comecei a guiá-la.
Movi meus lábios contra os dela com paciência, saboreando cada canto da sua boca. Acariciei a língua dela com a minha, suavemente, ensinando-lhe o ritmo, mostrando como se fazia. O meu polegar acariciou a linha do maxilar dela, um pedido silencioso para que ela relaxasse. E ela derreteu. As mãos que estavam no meu peito subiram, agarrando as lapelas do meu smoking. Rubi seguiu o meu ritmo, correspondendo ao beijo. Foi um beijo profundo, molhado e inesquecível.
Quando a música finalmente chegou ao fim, eu me afastei muito a contragosto. Interrompi o beijo, abri os olhos e a encarei. O olhar de Rubi estava completamente nublado, perdido e fora de foco. As bochechas estavam coradas e os lábios úmidos por causa da minha boca. Ela parecia completamente zonza.
Sorri, entrelacei os meus dedos nos dela e a guiei de volta para a nossa mesa.
Assim que nos sentamos, o investidor francês ranzinza que Rubi havia conquistado sorriu largamente para nós.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!