POV Zayden
Sete anos.
Os anos passaram, mas o rancor não. Eu me tornei mais rico, mais frio, mais respeitado. Expandimos a empresa para três países, e o meu nome virou sinônimo de sucesso.
Mas sucesso é só uma forma elegante de mascarar o vazio.
Camille continuou ao meu lado, mesmo sem alianças, mesmo sem promessas. Ela dizia que me amava. Eu fingia acreditar. De certa forma, ela me lembrava o que era ter alguém ao alcance da mão, mesmo que o coração estivesse a quilômetros dali.
Às vezes, quando ela dormia, eu olhava pra ela e tentava convencer a mim mesmo de que tinha escolhido certo dessa vez. Mas o perfume que ela usava era doce demais. O toque, previsível demais.
Lianna tinha o cheiro do impossível. Camille tinha o cheiro da rotina.
E eu me odiava por ainda comparar.
Sete anos desde o dia em que ela foi embora.
Quando ela foi embora, eu não acreditei. Achei que fosse só mais uma das crises dramáticas, dessas que terminam em lágrimas e promessas. Eu esperei. Esperei uma semana. Um mês. Três.
Nada.
Liguei para advogados, mandei pessoas procurá-la, chequei clínicas, hospitais, até passagens de avião. Ela tinha sumido do mapa. E o que mais me irritou não foi a ausência. Foi o silêncio. Lianna não deixou rastros, nem bilhetes, nem arrependimentos. Apenas o acordo de divórcio assinado, no qual, nunca assinei.
Ela acreditava que podia me apagar da vida dela, mas eu ainda tinha o que ela não podia apagar: o poder.
E foi aí que decidi não assinar o acordo de divórcio.
— Senhor Cross, tenho o dever de lhe lembrar... — meu advogado me olha por cima dos óculos, preocupado. — São sete anos. Tecnicamente, o casamento ainda existe, mas...
— É assim que quero que continue. — corto, firme. — Nada de divórcio.
Ele hesita. — Mas, com todo respeito, por quê?
Cruzo as mãos sobre a mesa.
Naquele momento, a lembrança de Lianna voltou à minha mente. Nesses anos, eu me perguntava onde ela estava, se tinha arranjado alguém, se havia conseguido sobreviver sem o meu nome, sem o meu dinheiro, sem mim.
E então eu mesmo respondia: “Não. Ela não sobreviveria.”
Aquela convicção era o que me mantinha respirando. Pensar que Lianna tinha dado certo sozinha seria admitir que eu falhei e eu não admito falhas.
Ela voltaria. Mais cedo ou mais tarde, voltaria. Era inevitável. E quando voltasse, aprenderia o lugar dela.
— Porque ela não vai durar. Ela, vai, voltar.
Ele me olha, confuso.
— A senhora Cross?
Sorrio.
— Lianna nunca foi feita para o mundo real. Ela era emoção, impulso. Vivia num universo próprio. Sempre precisei ser o chão dela. E quando o chão desaparece...
Dou de ombros.
— Mais cedo ou mais tarde, ela vai cair. E quando cair, vai lembrar quem sempre a sustentou.
Assino alguns papéis, sem realmente ler. Não importava o conteúdo. Eu ainda era o marido no papel.
Isso me bastava.
O olhar de Camille vacilou.
— Então por que não se livra desse erro?
— Porque gosto de ter controle sobre as coisas. — respondi, frio. — Enquanto aquele divórcio não for assinado, ela continua sendo minha esposa.
O rosto dela empalideceu.
— Você é doente.
— Realista. — corrigi.
Ela levou as mãos ao peito.
— Eu te odeio.
— Ótimo. — murmurei, virando outro gole. — Isso significa que ainda se importa.
Mas a resposta dela não veio. Quando levantei o olhar, Camille estava imóvel. O copo que segurava escorregou de seus dedos e se espatifou no chão.
— Camille? — me levantei, a irritação dando lugar a algo parecido com pânico. — Camille!
Ela cambaleou, o corpo tombando antes que eu pudesse segurá-la.
— Droga! — me ajoelhei, tentando reanimá-la. — Respira, porra!
O som da chuva foi engolido pelo toque frenético do telefone enquanto eu discava para a emergência.
— Aqui é Zayden Cross! — gritei, ofegante. — Preciso de uma ambulância agora! Ela está com parada cardíaca!.

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