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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 9

Pov Lianna Aslan

Em casa, a vida era outro espetáculo, igualmente desafiador.

O apartamento que escolhi para morar em Genebra era amplo, moderno, mas tinha a alma que eu dei a ele: janelas abertas para o lago, paredes cobertas por livros de medicina e literatura, plantas que eu mesma cuidava quando precisava esvaziar a mente. Mas o coração da casa corria em pés descalços pelo corredor naquele fim de tarde.

— Mãe! — Selena correu até mim primeiro, como sempre. Se atirou nos meus braços ainda com o uniforme da escola, as tranças meio desfeitas e os olhos cor de mel brilhando de curiosidade. — Você demorou! A gente já tinha apostado se você ia chegar antes ou depois do pôr do sol!

— Quem ganhou? — perguntei, ajeitando-a no colo, sentindo o cheirinho de giz de cera e chocolate que sempre vinha dela.

— Eu, é claro. — respondeu uma voz mais baixa, irônica, logo atrás. Selin, com os mesmos olhos que um dia me fizeram tremer diante de Zayden, apareceu segurando uma pasta escolar. — Eu disse que você não cumpre horários quando está no hospital.

Arqueei a sobrancelha.

— Esperto demais para um menino de seis anos, não acha?

Ele deu de ombros, com aquele sorriso enviesado que sempre me lembrava Zayden e, ao mesmo tempo, me fazia querer apagar qualquer lembrança.

— Só observo, mãe. Só observo.

Selena soltou uma gargalhada.

— Ele fica falando como se tivesse oitenta anos!

Beijei a testa dos dois, tentando disfarçar o aperto no peito. Eu os amava mais do que minha própria vida, mas às vezes, quando Selin ficava sério demais, quando franzia a testa como o pai fazia, quando observava em silêncio como se decifrasse o mundo... eu sentia um medo irracional. Medo de que, um dia, o passado que lutei tanto para apagar viesse buscar não a mim, mas a eles.

— E para o jantar... — sugeri, tentando recuperar a leveza. — Que tal lasanha?

Selena abriu um sorrisinho hesitante, mas algo em seus olhos denunciava o abatimento.

— Com queijo extra? — perguntou, quase sem energia.

— Com queijo extra e molho duplo. — garanti, tentando arrancar um sorriso de verdade.

Selin apareceu logo atrás, com a mochila pendurada em um ombro só.

Fizemos a lasanha com aquela bagunça de criança e muitos sorrisos. Ao finalizar a mesa posta, Selin aparece logo atrás da irmã e ocupa seu lugar a mesa.

— Aposto que você vai queimou de novo, mãe.

— Que gracinha — provoquei, estreitando os olhos. — E quem vai lavar a louça, já que tá tão falante?

— Eu lavo. — respondeu, sério. — Mas só se a Selena prometer parar de fingir que tá tudo bem.

Ela congelou. O garfo caiu da mão.

Meu coração se apertou.

— O que aconteceu?

Selena desviou o olhar.

— Nada.

Mas Selin respirou fundo, como quem sabe que esconder só piora.

— Foi na escola. — começou. — Umas meninas zombaram da gente… disseram que a gente não tem pai.

O silêncio que se seguiu foi brutal. Selena apertou o guardanapo entre os dedos.

Capítulo 9 — Mas todo mundo tem pai, mãe. Por que a gente não tem? 1

Capítulo 9 — Mas todo mundo tem pai, mãe. Por que a gente não tem? 2

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