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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 100

POV LIANNA

O convite chegou como uma sentença disfarçada de nostalgia.

Não foi agressivo. Não foi explícito. Foi pior.

Hotel Kronberg. Zurique. Restaurante La Verrière.

Mesa 12. Hoje. 20h.

Eu não precisava de mais nenhuma palavra para entender.

Mesa 12. A mesa de sempre.

A mesa onde ele gostava de me encostar por baixo, de segurar minha mão como se fosse dono, de sorrir para mim em público enquanto me desmontava em silêncio.

A mesa onde eu fui feliz e onde comecei a desaparecer.

Meu estômago revirou.

Adrian estava na cozinha, preparando algo simples para as crianças jantarem. Selin e Selina desenhavam no tapete da sala, tranquilos demais para o caos que eu carregava por dentro.

Eu fiquei alguns segundos parada, com o celular na mão, tentando respirar.

— Lia? — Adrian chamou, atento demais para ignorar meu silêncio.

Fui até a cozinha. Ele me olhou uma vez… e soube.

— É ele.

Assenti.

— Marcou um encontro. Em Zurique.

O maxilar dele travou.

— Onde?

— No Kronberg.

O olhar de Adrian escureceu de um jeito perigoso.

— Ele está brincando com você.

— Ele sempre brincou. — respondi, cansada. — Só que agora… ele acha que ganhou.

Adrian largou o pano de prato e se aproximou.

— Você não vai.

— Eu vou.

— Não sozinha.

— Sozinha, sim. — minha voz saiu firme, mesmo com o medo vibrando por dentro. — Eu preciso fazer isso.

— Lianna… — ele segurou meu rosto. — Esse homem é manipulador. Ele sabe exatamente onde tocar. Ele sabe como te desmontar.

Engoli seco.

— Eu sei. — sussurrei. — E justamente por isso… eu preciso ir.

Ele respirou fundo, lutando contra a vontade de me impedir à força.

— E as crianças?

— Ficam com você. — meus olhos arderam. — Elas estão seguras aqui. Com você.

Silêncio.

Ele me abraçou forte. Não como quem prende. Como quem solta, mesmo contra a própria vontade.

— Me liga quando chegar. — murmurou. — Me liga quando sair. Me liga se respirar errado.

— Eu prometo.

— E se ele tentar qualquer coisa…

— Eu vou sair. — interrompi. — Não sou mais a mulher que ele deixou naquela mesa.

Adrian me beijou a testa.

— Eu espero que não.

Eu também.

***

Zurique brilhava demais naquela noite.

Luzes frias. Gente bonita. Perfumes caros. Carros silenciosos demais.

O Hotel Kronberg continuava exatamente igual. Imponente. Elegante. Intimidante.

Entrei pelo lobby com o coração batendo no ouvido.

Cada passo era uma memória.

Cada espelho parecia devolver uma versão antiga de mim, mais jovem, mais apaixonada, mais vulnerável.

O restaurante La Verrière estava cheio. Música baixa. Risos contidos. Taças de cristal.

E então eu vi.

Mesa 12.

Ele estava sentado exatamente como antes. Terno escuro, postura relaxada, o relógio caro no pulso esquerdo. Um copo de uísque à frente.

Zayden levantou o olhar no segundo em que me aproximei.

O sorriso surgiu devagar.

O mesmo sorriso que já me fez esquecer quem eu era.

— Você veio.

— Não confunda isso com aceitação. — respondi, fria.

Ele puxou a cadeira.

— Senta, Lianna.

Sentei.

O cheiro dele ainda era o mesmo. Madeira, álcool caro e controle.

— Você demorou. — comentou.

Capítulo 100 — O Lugar Onde Tudo Começou 1

Capítulo 100 — O Lugar Onde Tudo Começou 2

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