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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 99

POV LIANNA

Eu acordei com a sensação errada.

Não foi um barulho. Não foi um pesadelo. Foi aquela impressão silenciosa de que algo mudou enquanto você dormia, como quando o ar pesa antes da chuva.

Abri os olhos devagar.

O quarto ainda estava em penumbra. O relógio marcava 6h04. Adrian dormia ao meu lado, de costas, a respiração tranquila demais para o nó que se formava no meu peito.

Observei o rosto dele por alguns segundos. A barba por fazer. A linha tranquila da boca. A calma de quem ainda acredita que o mundo segue regras justas.

Eu queria ficar ali. Congelar aquele instante. Fingir que minha vida finalmente tinha encontrado um eixo seguro.

Mas o medo não deixa.

Levantei com cuidado para não acordá-lo. Vesti um moletom, prendi o cabelo e fui até o corredor. A casa estava silenciosa. Grande demais. Bonita demais. Segura demais para a tempestade que rondava.

Passei pelo quarto das crianças.

Selin dormia de lado, abraçando o travesseiro como se estivesse sempre pronto para proteger algo. Selina dormia espalhada, um braço jogado para fora da cama, o rosto tranquilo.

Me apoiei na porta.

— Meus amores… — murmurei.

O encontro na escola ainda martelava na minha cabeça. O banco. A postura dele. A naturalidade absurda com que se sentou ao lado dos meus filhos como se tivesse esse direito.

Como se sempre tivesse tido.

Desci para a cozinha e coloquei a cafeteira para funcionar. Minhas mãos tremiam levemente. Ignorei. Respirei fundo.

Você está segura, Lianna.

Você os protegeu por sete anos.

Ele não pode simplesmente aparecer e destruir tudo.

Mas podia.

E era isso que me apavorava.

Meu celular vibrou em cima da bancada.

Congelei.

O visor acendeu.

Número desconhecido.

Meu coração acelerou. Não atendi. Deixei vibrar até parar. Segundos depois, outra notificação.

Uma mensagem: Precisamos conversar. Não é mais uma escolha.

O ar sumiu dos meus pulmões.

Não precisava de assinatura. Não precisava de ameaça explícita. Eu sabia exatamente quem era.

Zayden.

A xícara escorregou da minha mão e bateu na pia, espalhando café quente. Não senti o calor. Não senti nada além do pânico subindo rápido demais.

— Lianna?

A voz de Adrian veio da escada. Ele apareceu no fim do corredor, já acordado, camiseta cinza, olhar atento.

— O que houve?

Eu levantei o celular com a mão trêmula. Ele leu a mensagem em silêncio.

O maxilar dele travou.

— Ele voltou a te procurar.

Não era uma pergunta.

Assenti.

— Eu não respondi. — minha voz saiu baixa. — Eu estou com medo. — senti os olhos arderem. — E eu estou com medo. Medo de ele fazer exatamente o que sempre fez: entrar devagar, parecer razoável, e quando eu perceber… já estar tudo fora do meu controle.

Adrian se aproximou e segurou meus ombros.

— Ele não manda mais em você.

— Ele nunca mandou — respondi, amarga. — Ele só me fez acreditar que mandava.

Silêncio.

Ele me puxou para um abraço firme. Não apertado. Presente.

— Nós vamos lidar com isso juntos. — disse. — Mas você não pode enfrentar sozinha.

— Eu sei… — sussurrei contra o peito dele. — Só não sei como impedir que ele chegue neles.

Essa era a verdade nua.

Não era sobre mim.

Era sobre Selin e Selina.

***

O resto da manhã passou num borrão.

Capítulo 99 — Ele sabe. 1

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