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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 12

POV Lianna Aslan

O som do monitor cardíaco era estável. A respiração de Camille, controlada. O sangue nas minhas luvas, limpo.

Cinco horas de cirurgia, e o resultado estava diante de mim: vida.

Enquanto eu removia o gorro e as luvas, a equipe me olhava com uma mistura de alívio e reverência. Já estavam acostumados ao improvável, mas, ainda assim, o impossível sempre tinha gosto de milagre.

— Excelente trabalho, doutora. — murmurou o anestesista. — Achei que a perdíamos.

— Eu também. — respondi, fria. — Mas não hoje.

Deixei a sala e tirei o avental cirúrgico, juntamente com as outras peças sujas de sangue. Não olhei para trás. Não me dei o luxo de sentir nada. O som dos meus saltos no corredor era o único lembrete de que eu ainda estava viva.

Até que o inevitável aconteceu. A voz dele.

— Lianna.

Meu corpo congelou por um segundo. Mas eu não parei.

— Lianna, espera. — ele insistiu, aproximando-se.

Parei. Devagar. Respirei. E me virei. Zayden Cross estava a poucos passos de mim, o mesmo olhar arrogante que eu conhecia, só que agora havia algo mais. Exaustão. Raiva. Orgulho ferido.

— Senhor Cross. — corrigi, seca. — A paciente está fora de perigo. Fiz o que vim fazer.

Ele riu de leve, aquele riso abafado que sempre precedia o caos.

— Então é “senhor Cross” agora? Depois de tudo?

— Depois de tudo, principalmente.

Por um instante, ele me observou em silêncio. O olhar viajou pelo meu rosto, pelo jaleco, pelos crachás pendurados.

— Mudou.

— Não tanto quanto você pensa. — respondi. — Só aprendi a sobreviver.

Ele deu um passo à frente.

— Por que queria tanto o divórcio, Lianna? — a voz saiu baixa, venenosa. — É por alguém?

Aquilo me fez rir, mesmo sem vontade.

— Você acha mesmo que o mundo gira em torno da sua vaidade?

— Me responda. — insistiu, com o queixo erguido. — Tem outro homem?

— Não. — disse, encarando-o com calma. — Mas se tivesse, não seria adultério. Seria libertação.

Ele cerrou o maxilar.

— Você fala como se o passado não tivesse existido.

— O passado morreu no dia em que você me matou por dentro.

O silêncio entre nós se tornou insuportável. Zayden deu mais um passo. Eu não recuei.

— Você me odeia tanto assim? — perguntou.

— Eu não desperdiço ódio com fantasmas.

Ele sorriu, frio, aproximando-se o suficiente para que eu sentisse o perfume dele — o mesmo de anos atrás.

— Cuidado, Lianna. — sussurrou. — Essa indiferença pode custar caro.

Olhei para ele, firme.

— Não existe nada que você ainda possa tirar de mim.

— O divórcio. — provocou. — Prometi assinar, lembra? Talvez eu tenha mudado de ideia.

Respirei fundo, controlando o impulso de reagir.

— É claro que mudou. Você nunca cumpre promessas.

— Não quando percebo que ainda há algo para resolver. — ele respondeu, com um meio sorriso. — E nós ainda temos pendências, Lianna.

— E como era o nome dele, mesmo? — perguntei, forçando um sorriso.

— Zayden… Zayden alguma coisa...

O outro confirmou, animado. — Isso! Eu vi até uma foto uma vez. No antigo arquivo do hospital. Eles pareciam felizes.

Ri baixo. Devagar.

— Felizes… — repeti, tirando o celular do bolso.

Abri uma foto antiga. Eu e Lianna. Antes de tudo ruir. O braço dela em volta da minha cintura. O sorriso que ela nunca mais repetiu.

Estendi o celular para eles.

— É essa foto?

Eles olharam, surpresos.

— S-sim! Essa mesmo!

— Interessante. — aproximei o rosto, deixando o sorriso crescer, frio. — Porque o tal “marido morto” está bem vivo.

Os dois empalideceram. Um deles tentou balbuciar algo.

— Senhor… então o senhor é—

— Zayden Cross. — interrompi, seco. — E não, eu não estou morto.

Deixei o celular cair sobre o balcão e me afastei, sentindo a raiva ferver sob a pele.

Lianna havia me matado, pelo menos no papel, na narrativa, no mundo que ela construiu sem mim.

Ela apagou meu nome. E agora, andava por aí como uma viúva admirada. Enquanto eu, o “fantasma”, assistia o mundo aplaudir a mulher que me enterrou viva.

Sorri sozinho, o som oco no corredor vazio.

— Tudo bem, Lianna. — murmurei. — Você me enterrou… mas esqueceu que fantasmas sempre voltam pra assombrar.

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