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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 21

POV Lianna

A coletiva tinha acabado, mas o burburinho ainda ecoava pelos corredores do hospital. Já era fim de tarde, mas o som das câmeras, das risadas, dos sussurrosainda preenchiam minha mente. Aquela mistura de admiração e veneno que vinha no mesmo pacote desde que eu voltara a existir para o mundo.

Eu só queria sair dali. Trocar o salto pelo silêncio da minha casa, o flash das câmeras pelo barulho suave da chaleira fervendo.

Mas, claro, o inferno tem ótimo timing.

— Doutora Aslan. — A voz grave veio do corredor.

Virei e encontrei o inferno de terno. Zayden. Mãos nos bolsos, semblante frio, mas os olhos… aqueles olhos tinham raiva o suficiente pra incendiar um prédio.

— A direção quer falar com a senhora. — disse, formal, controlado demais.

— A direção? — ergui uma sobrancelha. — Ou o senhor Cross?

Ele manteve o sorriso de quem sabe o jogo que j**a.

— Os dois. A reunião é sobre “conduta pública”. — Fez aspas com os dedos. — Acho que você sabe o motivo.

Suspirei.

— Se for para me intimidar, não perca tempo. Já sobrevivi à sua casa. Seu conselho é um spa perto daquilo.

Ele riu baixo, um som rouco que me irritava por me afetar.

— Continua com a língua afiada. Vamos ver se ela é útil numa sala cheia de acionistas.

***

A sala de reuniões era toda vidro e frieza. Lá fora, Genebra brilhava como se zombasse de nós. Na cabeceira, o diretor tentava manter um tom neutro; ao lado dele, Viviane, evidentemente convidada só pra causar. E, claro, Zayden, reclinado, com aquele ar satisfeito de quem se acha dono do jogo.

A pauta era clara: “repercussão pública da coletiva”. Na prática: me calar.

— Doutora Aslan — começou o diretor, cauteloso. — O hospital preza pela imagem institucional. Sua resposta à doutora Weber foi… eloquente, mas—

— Necessária. — interrompi, sem desculpas. — E ética. Defendi meu trabalho. Nenhum paciente morreu de sinceridade.

Viviane bufou, teatral.

— Ética é uma palavra perigosa pra quem adora holofote.

— Perigosa mesmo, doutora Weber — rebati, calma. — Especialmente pra quem a usa sem entender o significado.

Zayden respirou fundo, contendo um sorriso.

O diretor tentou intervir:

— Senhoras, por favor...

Mas já era tarde. O clima virou pólvora.

— O que vocês querem, afinal? — perguntei. — Que eu peça desculpas por não abaixar a cabeça quando me atacam em público?

Zayden se inclinou pra frente, voz baixa e cortante:

— Queremos que você entenda que agora responde não só por si, mas pelo conselho que eu represento.

Ah. Então era isso. Controle. Sempre o mesmo jogo disfarçado de profissionalismo.

— Curioso… — murmurei. — O senhor fala como se mandasse em mim.

— Bom, a partir de hoje eu mando no hospital. — ele respondeu, direto.

— E acha que isso me assusta? — sorri de canto. — Eu já operei corações em colapso, Zayden. O seu não é exceção.

Silêncio. Viviane fingiu tossir, desconfortável. O diretor pigarreou.

— Acho melhor encerrarmos por aqui — disse, tenso. — Todos precisamos respirar.

Levantei, pronta pra sair, mas Zayden foi mais rápido. A mão dele segurou meu braço: firme, quente, possessiva.

— Lianna. — a voz dele baixou. — Um minuto.

— Tremo, sim. — sorri, venenosa. — Mas é de nojo.

Ele sorriu de volta, aquele sorriso torto que misturava dor e prazer.

— Continua linda quando mente.

— E você continua um covarde quando se sente ameaçado.

Silêncio. Ele respirou fundo, os olhos percorrendo meu rosto com algo que beirava o desespero.

— Eu ainda vou te ter de volta, Lianna.

— Já me teve. E perdeu.

Virei as costas e saí, batendo a porta.

Do outro lado, ouvi o som de algo sendo jogado contra a parede, o eco de um homem que perdeu o controle, outra vez.

Enquanto caminhava pelo corredor, encontrei Adrian. Ele percebeu na hora o estado do meu rosto.

— Tudo bem?

— Tudo, doutor. — respondi, respirando fundo. — Só precisei lembrar alguém que nem sempre o dinheiro compra respeito.

Ele me olhou por um instante, com aquele olhar calmo que era o oposto exato do caos de Zayden.

— E lembrou bem. — respondeu, simples. — Mas o jeito como ele olha pra você…

Sorri, cansada.

— O jeito como ele olha pra mim é o mesmo com que um incêndio olha pra madeira. E eu já fui queimada o bastante.

Adrian assentiu.

— Então, por quê não deixa alguem ser água? Eu poderia te ajudar...

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