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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 27

POV LIANNA

Quando chegamos em casa, o cansaço caiu sobre nós como uma coberta pesada. As crianças correram para dentro, animadas com o passeio, completamente alheias ao fato de que meu coração tinha parado no parque.

Amanda entrou logo depois, chutando a porta com o pé.

— Ok, família Aslan, hoje eu fico até vocês estarem dormindo. — ela declarou, apoiando as mãos na cintura. — Considerem isso um ato de serviço comunitário.

Selena riu. Selin correu para abraçar a perna dela.

Eu respirei fundo. Só de ter Amanda ali, a respiração voltava um pouco mais leve.

— Vamos cozinhar? — ela sugeriu, me cutucando. — As crianças amam quando você faz risoto. E eu amo comer o risoto que você faz.

— Você ama comer qualquer coisa. — falei, finalmente esboçando um sorriso.

— Verdade. — respondeu. — Mas especialmente o que você faz quando tá estressada. Vem temperado com ódio gourmet.

Revirei os olhos, mas fui pra cozinha.

As crianças ficaram sentadas no balcão, balançando as pernas, discutindo sobre qual desenho iam ver depois do banho. Amanda cortava tomate com a habilidade de alguém que claramente não deveria usar facas afiadíssimas. E eu mexia a panela, tentando organizar meus pensamentos enquanto o cheiro do alho começava a preencher a casa.

Parecia seguro. Parecia normal. Parecia mentira.

Selena bocejou.

— Mãe, posso tomar banho primeiro?

— Pode. — respondi. — Você e o Selin vão agora.

— Mas eu tô vendo você mexer isso! — Selin reclamou.

— E vai continuar vendo depois do banho. — disse Amanda, empurrando ele gentilmente. — Vai, campeão. Cheiro de menino suado não combina com risoto sofisticado.

Eles foram rindo, correndo pelo corredor. Assim que a porta do banheiro fechou, o silêncio tomou a cozinha.

Amanda apoiou a faca na tábua, virou-se para mim e cruzou os braços.

— Tá. Agora você me diz por que seu rosto ficou branco quando você ligou o carro.

Segurei a borda da pia. O metal frio ajudou a manter meus joelhos firmes.

— Eu vi o carro dele.

A expressão dela endureceu na hora. Amanda tinha esse talento: emoção rápida, proteção imediata.

— Ele nos seguiu?

Balancei a cabeça.

Soltei o ar devagar. Meus ombros cederam um pouco.

Amanda sorriu com cuidado.

— Agora continua esse risoto, antes que eu passe vergonha e ele fique intragável.

Eu ri. Pouco. Mas ri.

***

Quando as crianças voltaram do banho, cheirosas, enroladas em toalhas, a casa já estava cheia de cheiro bom. Amanda serviu o suco, Selin pegou o pão sem permissão, Selena falou sobre um sonho que teve com um unicórnio que queria ser médico.

A mesa estava caótica. Caótica e suave.

Enquanto eles jantavam, conversavam, riam, Amanda lançava olhares discretos pra mim, aqueles olhares que perguntavam “Você tá ok?” sem dizer nada.

Eu respondia com pequenas piscadas, pequenas respirações. No fundo, eu ainda tremia. Mas tremia menos.

Depois do jantar, assistimos um desenho no sofá. As crianças se encolheram entre nós. Amanda acabou dormindo primeiro, como sempre. Eu fiquei ali, com Selin deitado no meu colo e Selena abraçada no meu braço.

Eu precisava proteger o meu mundo. Zayden não pode acabar com a minha felicidade mais uma vez.

Eu não vou deixar.

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