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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 30

POV Lianna

Eu pisquei.

— Você estava… preocupado? — ironizei.

— Sim. — ele disparou. — Eu fico preocupado, droga. Mesmo você detestando isso.

— Eu não detesto. — estrangulei. — Eu só não acredito.

Ele avançou um passo. Eu recuei sem perceber.

— Você pode não acreditar em mim. — a voz dele despencou, rouca. — Mas eu nunca passei um único dia desde que você foi embora… sem pensar em você.

Meu estômago caiu. Meu corpo inteiro ficou tenso. Eu odiei o jeito que isso me afetou. Odiei a lembrança que isso trouxe. Odiei a raiva que virou quase outra coisa quando ele disse aquilo.

— Isso não muda nada. — falei, firme. — Eu quero o divórcio. E você vai assinar.

Ele balançou a cabeça, lento, como se eu tivesse pedido pra ele se jogar de um prédio.

— Eu não vou assinar nada.

— Vai sim. — avancei um passo, a voz subindo. — Você vai. Eu não vou ficar presa nessa história podre pra sempre. Eu quero minha vida de volta. MINHA. Não sua.

— Então por que corre atrás de mim? — ele falou, de repente. — Por que veio aqui? Por que bateu a porta como se o mundo fosse acabar se não falasse comigo agora?

Eu engasguei. Não porque ele tinha razão. Mas porque a pergunta era uma facada.

— Porque você cruzou uma linha. — forcei, cada palavra dura. — Porque você não tem o direito de entrar onde eu estou vulnerável. Não tem o direito de me ver daquele jeito. Não tem o direito de—

— Eu tenho todos os direitos sobre você. — ele rosnou.

Eu arfei.

— NÃO. TEM. MAIS.

Ele ficou imóvel. Completamente imóvel. Apenas me olhando. Como se estivesse vendo um fantasma.

— Você acha que consegue viver num mundo onde eu não existo? — ele perguntou, a voz baixa, arrancada.

— Eu já vivo. — respondi.

Ele respirou fundo. Quase um riso, mas sem humor.

— Então por que seus olhos tremeram quando eu entrei no vestiário?

Eu gelei.

— Não tremeram. — menti.

Ele deu um passo. Eu empurrei seu peito, com força.

— PARA. — ordenei. — Não faz isso. Não bagunça o que eu consegui reconstruir.

— O que você reconstruiu? — ele rebateu, duro. — Quem é que dorme com você? Quem é que divide o seu café? Quem é que segura você quando você acorda chorando?

Ninguém.

Minha garganta fechou. Ele continuou.

— Você acha que acabou. Mas eu vejo você, Lianna. Vejo o jeito que evita olhar pra mim. Vejo como sua respiração muda quando falo perto. Vejo tudo que você tenta enterrar.

— Você não sabe de nada. — murmurei.

— Sei, sim. — ele sussurrou, chegando perto demais. — Você ainda sente.

— NÃO. — eu gritei. — EU NÃO SINTO NADA POR VOCÊ. APENAS ÓDIO.

— Mentirosa.

Aquilo quebrou. Eu bati a mão na mesa dele.

— SAIA. — gritei. — SAIA da minha vida. Do meu hospital. Do meu caminho. Para de invadir tudo que eu toco. Eu não quero você perto. EU NÃO QUERO VOCÊ.

Ele cerrou o maxilar.

— Eu não destruí você.

— Não? — meus olhos arderam. — Você destruiu minha confiança. Meu casamento. Minha família. Me destruiu por dentro. E agora vem me dizer que tem “direitos”? Que pode entrar onde quiser? Me olhar nua como se fosse dono de alguma coisa?

Ele fechou os olhos. Respirou fundo.

— Eu entrei porque queria ver você. — confessou. — Porque eu não aguento mais ficar longe.

Meu corpo inteiro parou.

— E eu olhei porque… — sua voz falhou, quase imperceptível — …eu senti saudade.

Saudade. Essa palavra. Essa maldita palavra.

Eu senti um peso subindo do estômago pro peito. E eu odiei. Odiei o jeito como meu coração bateu mais forte. Odiei a lembrança que veio. Odiei o calor que tentou subir no meu rosto.

E foi isso que me salvou. A raiva voltou.

— Você perdeu o direito de sentir saudade de mim no dia em que me traiu com minha irmã. No dia em que disse que tudo em mim era drama. — eu disse, fria.

Ele arregalou os olhos. Dessa vez, como se aquilo tivesse atingido o único lugar que restava intacto dentro dele.

— Lianna… — ele tentou.

Mas eu já tinha terminado. Eu respirei fundo, firmei o que restava da minha dignidade e disse:

— Eu vou repetir pela última vez: Assina o divórcio. Acaba com isso. E me deixa ir.

Ele não respondeu. Só me olhou. Como se estivesse vendo a própria queda.

Eu virei as costas em direção a porta. Mas antes que a porta se abrisse, eu ouvi ele murmurar algo baixo, tão baixo que talvez eu tivesse imaginado:

— Eu não consigo te deixar ir.

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