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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 29

POV LIANNA

Eu ainda sentia a pele queimando, não do banho quente de vestiário, mas do olhar dele.

Eu não conseguia tirar da cabeça o jeito como Zayden ficou parado atrás de mim, imóvel, respirando como se tivesse levado um soco, me olhando como se eu fosse alguma miragem que ele tinha rezado anos pra ver de novo.

Uma miragem nua.

O choque já tinha passado. O pânico também. O que invadia agora, com força total, era a fúria. Um tipo de fúria que fazia meu coração bater no pescoço.

Fechei meu armário com violência. Troquei de roupa com mãos trêmulas, tentando não socar nada. Enfiei o tênis sem sequer amarrar direito. Prendi o cabelo num rabo indignado. E quando me olhei no espelho por dois segundos, percebi:

Eu estava com aquela cara.

Aquela que eu passei ANOS tentando sufocar pra sobreviver a ele. A cara de alguém que tá por um fio.

Saí do vestiário como uma flecha. Corredor, sensação de eco, passos rápidos. Minha cabeça queimando em cada passo.

Eu precisava de respostas. Agora. Eu precisava arrancar aquilo dele. Precisava ouvir da boca dele o que diabos ele achou que estava fazendo entrando no vestiário feminino, me olhando nua como se tivesse algum direito.

Eu virei o corredor e quase bati no Adrian.

Ele piscou, surpreso.

— Lianna? — ele murmurou, se aproximando rápido. — Ei, você tá pálida. Aconteceu alguma coi—

— Onde tá o Zayden? — cortei, sem respirar.

Ele arregalou os olhos. Claramente sentiu a atmosfera. Eu devia estar com uma aura tão assassina que até o ar recuava.

— Eu… — Adrian levantou as mãos, apaziguador. — Tudo bem. Eu vi ele há uns dez minutos. Entrou na sala dele. Tava… hm… meio estranho.

— Obrigada. — murmurei, mais pra cumprir função do que por educação.

Passei por ele quase roçando o ombro, apressada, sem esperar reação.

Ele me chamou:

— Lianna—

Mas eu já estava longe demais pra ouvir. Ou pra querer ouvir.

A porta da sala dele estava entreaberta.

Aquilo já me deixou ainda mais irritada. Zayden nunca deixava nada à mostra. Sempre tudo fechado, organizado, controlado, como se ele precisasse que o mundo coubesse na caixa mental dele.

Mas agora… Agora parecia que nem ele sabia onde terminava e começava.

Empurrei a porta. Com tudo.

Ela bateu na parede com um estrondo que ecoou pelo andar. E eu nem pisquei.

Zayden se virou, sobressaltado.

Ele estava sem terno. Só a camisa social, com as mangas enroladas até o cotovelo. Os primeiros botões abertos. O cabelo bagunçado, como se tivesse passado a mão mil vezes tentando lembrar como se respirava.

O pior? Ele ficou lindo assim. E eu odiei cada centímetro dessa constatação.

— Que porra foi aquela? — eu explodi, a voz tremendo de indignação pura. — O que diabos você tinha na cabeça? O que exatamente te deu o direito de entrar no vestiário e me olhar daquele jeito?!

Ele abriu a boca. Fechou. Depois inspirou fundo como se precisasse de fôlego pra me enfrentar.

— Lianna… eu não entrei pra te olhar. Eu só… não sabia que você estava lá. Eu só entrei.

— AH, CLARO. — eu ri, histérica. — Você entrou no vestiário feminino do hospital mais movimentado de Genebra “sem querer”.

Ele cerrou o maxilar.

— Você perdeu. — dei um passo à frente, quase encostando o dedo no peito dele. — Sete anos atrás. No momento exato em que escolheu minha irmã. Minha própria irmã. Eu morri ali.

Ele não piscou.

— Eu nunca escolhi ela.

— VOCÊ ME TRAIU. — gritei. — Você me deixou. Você me quebrou. E ainda teve coragem de aparecer aqui achando que alguma parte de mim deve alguma coisa pra você?

— Eu nunca te deixei. — ele devolveu, mais alto. — VOCÊ FUGIU!

Meus olhos queimaram.

— Eu fugi porque estava grávida. — eu quase sussurrei, sem pensar.

Eu parei. O ar congelou na sala. Zayden franziu o cenho. Um segundo. Dois. Três.

Meu coração travou. Eu não podia ter dito isso. Não podia ter deixado aquilo escorregar. Não agora.

Engoli seco. Corrigi rápido:

— Grávida de… trabalho. — soltei, forçando. — Grávida de... de cansanço, de tudo que você me deixou pra carregar sozinha.

Ele franziu mais o cenho. Mas não insistiu. Ele estava bravo demais pra pensar direito também.

— Lianna… — ele passou a mão nos cabelos, exausto. — Eu entrei naquela porcaria daquele vestiário porque eu estava preocupado com você. Me disseram que você saiu da cirurgia cambaleando.

Eu pisquei.

— Você estava… preocupado? — ironizei.

— Sim. — ele disparou. — Eu fico preocupado, droga. Mesmo você detestando isso.

— Eu não detesto. — estrangulei. — Eu só não acredito.

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