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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 40

POV Lianna

O telefonema que corta o ar

A porta se fechou atrás de mim com um estalo seco, e meu corpo inteiro gelou como se tivesse acabado de mergulhar num mar de gelo. Encostei as costas nela, tentando recuperar o ar.

O carro preto. Ali. Parado. Observando.

Eu sabia aquele padrão de carros. Eu sabia aquele tipo de vidro. Eu sabia o jeito como minha espinha queimou, como se reconhecesse um predador antigo.

Zayden. Ele tinha voltado. De novo. E agora… na minha rua.

Selin estava na sala, ainda rindo do desenho.

Selena estava deitada no sofá, brincando com o ursinho.

Meus filhos. Minha vida. Meu maior segredo. Meu maior medo.

O celular vibrou na bancada. Número desconhecido.

Senti meu estômago cair.

Ignorei.

Fechei os olhos. Respirei fundo. Precisava agir com calma. Precisava trancar tudo. Precisava não desmoronar.

— Mamãe, que foi? — Selena perguntou, aparecendo na porta da sala.

— Nada, meu amor. — forcei um sorriso. — Vamos ver um filme? Um daqueles bem longos.

Eles vibraram, felizes, e foram correndo escolher um.

Eu coloquei um filme colorido, cheio de músicas, e baixei as luzes. Aconcheguei os dois no sofá, puxei uma mantinha, beijei cada cabeça.

— Não saiam daqui, tá? — pedi, suave.

Eles assentiram, distraídos.

Meu celular vibrou de novo. Número desconhecido. O mesmo. Meu coração falhou.

Eu fui até a cozinha. Cada passo parecia pesar uma tonelada.

O toque recomeçou. O som cortava o ar, insistente, incômodo, como se arrancasse pedaços de mim.

Engoli seco.

Peguei o celular.

Atendi.

— Alô?

Silêncio por um segundo.

E então…

— O que ele estava fazendo aí?

A voz dele. Baixa. Controlada. Letal.

Eu tremi dos pés à cabeça.

— Zayden… — murmurei, a garganta fechada.

— Responde. — ele exigiu, sem elevar a voz. — O que Adrian estava fazendo aí?

A cozinha ficou pequena. Pequena demais. A realidade ficou estreita, sufocante.

Eu fechei a porta para a sala, com medo que as crianças ouvissem. Encostei a mão no balcão, tentando me manter de pé.

— Ele só veio entregar algo que eu esqueci no hospital. — respondi, forçando firmeza. — É só isso.

— Você ofereceu café pra ele.

Era uma afirmação. Não uma pergunta. Meu sangue gelou. Ele estava observando. De perto.

O tempo todo.

— Como você sabe disso? — sussurrei.

— Eu vi. — ele respondeu, simples. Cruel. Verdadeiro. — Vi ele entrando. Vi ele saindo. Vi você sorrindo pra ele.

Meu coração batia tão forte que doía.

— Você está me vigiando? — eu arrisquei, tentando manter minha voz num nível aceitável.

Uma pausa longa.

— Eu estou cuidando do que é meu.

Aquela frase. Aquela maldita frase.

Eu apertei os dentes.

— Eu não sou sua. — respondi, gelada. — E não tenho que justificar quem entra na minha casa.

— A sua casa? — ele repetiu, num riso seco. — Engraçado. Você não tinha uma casa quando foi embora. Eu que…

— Isso acabou. — cortei, firme. — Não tem direito nenhum sobre mim. Nenhum.

Ele riu de novo. Um riso amargo, quase ferido.

— Engraçado você insistir nisso depois do que aconteceu na minha sala.

Meus músculos travaram.

— Não menciona isso. — rosnei. — Nem por um segundo.

— Você gemeu no meu ouvido, Lianna.

Eu tremi. De nojo. De raiva. De medo.

— Você não existe. — eu disse, num sussurro. — Meu advogado vai te ligar.

Ele ignorou.

— Quem era o garoto?

A pergunta caiu como um tiro. Minha respiração falhou.

— G-garoto?

— O que abriu a porta. — ele disse, agora frio, calculado, perigoso.

A voz do Zayden que destrói impérios. Que intimida conselhos inteiros. Que move um hospital inteiro ao silêncio.

— Quem é ele?

Meus dedos ficaram dormentes.

— Ele… ele é…

O mundo começou a girar.

— Zayden, pelo amor de Deus…

— Você está me escondendo alguma coisa.

Deus. Ele estava começando a ligar os pontos.

— Eu não estou. — forcei, embora minha voz estivesse tremendo.

— Mentira. — ele sussurrou.

Não era um ataque. Era uma constatação. Um veredito.

— Eu vou descobrir. — repetiu. — Nem que eu tenha que ir até sua porta agora.

Um pânico visceral subiu pelo meu peito.

— NÃO! — quase gritei. — Não venha aqui!

— Por quê?

Porque meus filhos estão aqui. Porque você vai enchê-los de perguntas. Porque vai reconhecê-los. Porque você vai perceber que eles têm o seu nariz. O seu sorriso torto. A sua sobrancelha arqueada.

Porque você vai perceber a verdade. Porque você vai levá-los.

Mas eu não podia falar isso.

— Porque eu não quero você perto de mim. — respondi, firme. — Não hoje. Não nunca.

Silêncio.

E então…

— Se ele for meu… — Zayden continuou, rouco — …eu juro por Deus que eu tiro ele daí.

Meu sangue virou gelo.

Era isso. Era o pesadelo. Era a ameaça. Era o aviso.

— Ele NÃO é seu. — rasguei a frase pela garganta. — E você NÃO vai entrar na minha casa nunca.

— Veremos. — ele respondeu.

A linha ficou muda.

Ele desligou.

Eu fiquei ali na cozinha, parada, com o celular na mão e o mundo desabando nas minhas costas.

As lágrimas começaram a cair sem permissão.

A primeira, depois a segunda. Mas eu as limpei rápido.

Porque naquele instante… Eu ouvi a voz suave da Selena chamando:

— Mamãe? O filme tá tão legal. Vem ver com a gente?

Eu respirei fundo. Engoli o choro. Lavei o rosto. Fiz uma prece silenciosa para qualquer santo que estivesse ouvindo.

E quando voltei para a sala… Meus filhos sorriram pra mim.

Eu me sentei entre os dois. Abracei ambos. Beijei as testas.

E prometi a mim mesma, e a eles, que ninguém, nem mesmo Zayden Cross, ia arrancá-los dos meus braços.

Nem morto.

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