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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 41

POV LIANNA

Eu ainda estava com o gosto metálico do telefonema preso na língua quando a campainha tocou de novo.

Meu coração deu um tranco. Por um segundo eu achei que fosse ele.

Respirei fundo, fui até a porta, com a alma em suspenso.

Mas quando abri, o ar voltou aos meus pulmões.

— Amanda! — Selin gritou, correndo e se jogando nos braços dela.

Amanda riu, abraçando ele apertado.

— Eita, calma, pequeno furacão! — ela riu, beijando o topo da cabeça dele.

Selena veio logo atrás, agarrando na mão dela como se fosse uma tia adorada.

Eu sorri… até olhar por cima do ombro dela.

Ele ainda estava lá. Parado encostado no carro preto. Braços cruzados. A postura de predador à espreita. Os olhos fixos em mim.

Meu sorriso apagou tão rápido quanto acendeu.

Amanda percebeu. É claro que percebeu. Ela me olhou de lado, atenta.

— Li…? — disse baixinho.

Eu engoli seco.

— Meu ex-marido está ali fora — murmurei. — Eu preciso falar com ele.

Ela fechou o rosto na hora.

— O quê? Aqui? Na sua porta?

Assenti, tensa.

— Segura as pontas com eles, por favor. É rápido.

Amanda imediatamente puxou os dois para dentro.

— Claro. Vão lá, meus amores. Vamos terminar esse desenho e depois eu faço chocolate quente. — ela disse, com aquele tom doce que sempre usava com eles.

Selena vibrou. Selin também.

E eu senti o nó na garganta apertar, porque aquela cena era exatamente a que eu precisava que Zayden acreditasse: Amanda sendo… mãe.

Fechei a porta. Respirei fundo. Olhei novamente para o carro.

Ele não desviou o olhar em nenhum instante.

Caminhei até lá, sentindo minhas pernas tremerem, mas sem demonstrar. Quando parei ao lado da porta, ele sequer precisou dizer nada.

Destravou a porta por dentro, e eu entrei.

Silêncio.

A energia dentro do carro era densa, elétrica, sufocante. Zayden estava com o maxilar travado, uma veia saltando no pescoço. Os olhos? Deus.

Pareciam fogo contido.

Eu virei o rosto para a janela. Me recusei a ser a primeira a quebrar o silêncio.

Ele esperou. Eu esperei.

E então eu falei.

— As crianças… — comecei, controlada — …são filhos da Amanda.

O silêncio dele estalou como um galho seco sob o peso.

Ele virou lentamente o rosto na minha direção.

Lentamente. Como quem desmonta uma mentira no microscópio.

— Filhos da Amanda? — repetiu, testando a frase como se avaliando a estrutura. — Interessante. Já que, até onde eu sei, Amanda nunca foi casada.

— Porque ela é mãe solo, Zayden. — respondi, firme. — E não expõe a vida pessoal dela pra ninguém.

Ele me encarou mais fundo, como se pudesse ver a mentira se costurando dentro de mim.

— Explica. — ordenou.

Então eu continuei, sem tremer.

— Ela engravidou nova. Sozinha. Abandonada. — ajustei a voz, criando a história enquanto a decorava. — Ela não tem família. Não tem apoio. Eu ajudo quando posso. Às vezes com dinheiro, às vezes ficando com as crianças quando ela está trabalhando em turnos dobrados.

Soltei o ar devagar.

— Eles são como sobrinhos para mim. E hoje de manhã ela precisou sair às pressas para resolver um problema no trabalho, por isso deixaram as crianças comigo.

O silêncio dele era quase um animal.

— É por isso que o menino abriu a porta. — concluí.

Zayden inclinou um pouco a cabeça, como se processando as informações, medindo cada palavra, cada nuance, cada microexpressão minha.

— Você é péssima mentindo. — ele disse, de repente.

Meu estômago afundou. Mas eu mantive a postura.

— Não estou mentindo.

— Está. — ele retrucou, seco, sem hesitação. — Eu ouvi na sua respiração.

Eu cerrei os dentes.

— Você não é mais parte da minha vida pra analisar minha respiração.

Ele sorriu. Um sorriso perigoso, daqueles que vinham antes de ele destruir uma negociação inteira no hospital.

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