POV LIANNA
A música infantil tocava, as luzinhas tremulavam entre as árvores, as mesas estavam cheias e coloridas, e meus filhos estavam tão felizes que pareciam dois sóis pequenos correndo pelo jardim do Adrian.
Mas o meu foco estava a… vinte passos de distância.
Adrian estava conversando com alguns pais ou tentando, enquanto três mães orbitavam em volta dele como satélites carentes de atenção.
E ele, coitado, nem percebia.
Ele estava ali todo natural, usando aquela camisa branca impecável, de mangas dobradas, o relógio discreto mas caro, o sorriso bondoso, a postura segura… e aqueles olhos azuis que deixavam qualquer uma de joelhos.
Inclusive eu. Principalmente eu.
Respirei fundo e tentei manter a compostura, porque eu estava ali pra celebrar meus filhos, não pra ter um colapso emocional por causa de…
…um homem.
Mas o destino tem um senso de humor terrível.
Quando eu cheguei perto dele, uma das mães, acho que o nome dela era Clarice, mas poderia muito bem ser “Inconveniente número 3”, segurou o braço dele de novo.
SEGUNDO TOQUE NO BRAÇO.
Eu deveria ganhar uma medalha olímpica por não ter arrancado a mão dela dali.
— Adrian, você podia me dar seu número — ela disse, sorrindo como se estivesse oferecendo o fígado numa bandeja. — Para marcarmos playdates. Nossos filhos se dão tão bem…
O filho dela tinha três anos. O meu tinha seis. Eles não tinham se visto nem dez minutos.
Meu Deus, que pobreza de criatividade.
Adrian, santo que é, respondeu com a diplomacia mais doce e simultaneamente mais mortal:
— Acho que é melhor você conversar com a recepção do Saint-Marc, Clarice. Eles têm meu contato profissional.
BURRRRRN.
Ela congelou, sorriu amarelo, e saiu quase tropeçando. Eu senti a alma dela evaporar.
Então ele me viu. E instantaneamente, o rosto dele amoleceu. As sobrancelhas relaxaram. Os ombros também. Como se ele tivesse encontrado o porto seguro dele... em mim.
Droga. Droga mesmo. Meu peito apertou daquele jeito perigoso.
— Oi — ele disse, com aquela voz que já tocava direto no meu sistema nervoso.
— Oi — respondi, segurando o copo com força pra não deixar minhas mãos tremerem. — Tá… tudo bem aí?
Ele riu.
— Acho que algumas mães estão com mais sede que as crianças.
— É, eu percebi — murmurei, meio amarga, meio sarcástica, totalmente enciumada.
Ele me olhou… e entendeu. Porque Adrian, ao contrário de Zayden, me lia. Me lia inteira.
— Não precisa ficar assim — ele disse, baixinho, só pra mim. — Eu não estou interessado em nenhuma delas.
Eu desviei o olhar.
— Não estou "assim".
— Está — ele provocou, e a voz dele desceu num timbre que me arrepia inteira. — E eu gostei.
O ar saiu dos meus pulmões.
— Ei — ele chamou. — Olha pra mim.
Olhei.
Infelizmente.
— Não precisa ter vergonha — ele disse, com aquela calma protetora que sempre me desmonta. — Eu sei que isso tudo é estranho. A festa, a casa, as pessoas… tudo. Mas eu estou aqui. Fica comigo.
Eu abri a boca pra responder e nesse instante, Selin apareceu correndo.
— MAMÃE! MAMÃE! — ele agarrou minha perna. — O bolo chegou!
— O bolo chegou — repeti, rindo, salvando minha própria vida emocional.
Adrian se abaixou, bagunçou o cabelo do Selin e disse:
— Vamos lá ver, campeão?
Selin assentiu e puxou ele pela mão. Pela mão.
Amanda apareceu de novo, mordendo o lábio.
— Olha essa cena… meu Deus, Li… se você não casar com esse homem, eu caso.
Valentina completou:
— Eu não caso, mas eu faço uma proposta indecente.
— Sai. As duas. — falei, empurrando elas com a mão.
Elas riram. E assim começou a festa do ano, com meus filhos felizes, Adrian sendo o homem mais sedutor sem esforço do planeta, e eu tentando não morrer de amor e ciúmes ao mesmo tempo.

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