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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 80

POV LIANNA

A música infantil tocava, as luzinhas tremulavam entre as árvores, as mesas estavam cheias e coloridas, e meus filhos estavam tão felizes que pareciam dois sóis pequenos correndo pelo jardim do Adrian.

Mas o meu foco estava a… vinte passos de distância.

Adrian estava conversando com alguns pais ou tentando, enquanto três mães orbitavam em volta dele como satélites carentes de atenção.

E ele, coitado, nem percebia.

Ele estava ali todo natural, usando aquela camisa branca impecável, de mangas dobradas, o relógio discreto mas caro, o sorriso bondoso, a postura segura… e aqueles olhos azuis que deixavam qualquer uma de joelhos.

Inclusive eu. Principalmente eu.

Respirei fundo e tentei manter a compostura, porque eu estava ali pra celebrar meus filhos, não pra ter um colapso emocional por causa de…

…um homem.

Mas o destino tem um senso de humor terrível.

Quando eu cheguei perto dele, uma das mães, acho que o nome dela era Clarice, mas poderia muito bem ser “Inconveniente número 3”, segurou o braço dele de novo.

SEGUNDO TOQUE NO BRAÇO.

Eu deveria ganhar uma medalha olímpica por não ter arrancado a mão dela dali.

— Adrian, você podia me dar seu número — ela disse, sorrindo como se estivesse oferecendo o fígado numa bandeja. — Para marcarmos playdates. Nossos filhos se dão tão bem…

O filho dela tinha três anos. O meu tinha seis. Eles não tinham se visto nem dez minutos.

Meu Deus, que pobreza de criatividade.

Adrian, santo que é, respondeu com a diplomacia mais doce e simultaneamente mais mortal:

— Acho que é melhor você conversar com a recepção do Saint-Marc, Clarice. Eles têm meu contato profissional.

BURRRRRN.

Ela congelou, sorriu amarelo, e saiu quase tropeçando. Eu senti a alma dela evaporar.

Então ele me viu. E instantaneamente, o rosto dele amoleceu. As sobrancelhas relaxaram. Os ombros também. Como se ele tivesse encontrado o porto seguro dele... em mim.

Droga. Droga mesmo. Meu peito apertou daquele jeito perigoso.

— Oi — ele disse, com aquela voz que já tocava direto no meu sistema nervoso.

— Oi — respondi, segurando o copo com força pra não deixar minhas mãos tremerem. — Tá… tudo bem aí?

Ele riu.

— Acho que algumas mães estão com mais sede que as crianças.

— É, eu percebi — murmurei, meio amarga, meio sarcástica, totalmente enciumada.

Ele me olhou… e entendeu. Porque Adrian, ao contrário de Zayden, me lia. Me lia inteira.

— Não precisa ficar assim — ele disse, baixinho, só pra mim. — Eu não estou interessado em nenhuma delas.

Eu desviei o olhar.

— Não estou "assim".

— Está — ele provocou, e a voz dele desceu num timbre que me arrepia inteira. — E eu gostei.

O ar saiu dos meus pulmões.

Capítulo 80 — Se você não casar com esse homem, eu caso. 1

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