Luana alugou um quarto minúsculo e miserável em uma área remota. As inquilinas do local eram quase todas mulheres que dormiam de dia e se vendiam à noite. Naturalmente, presumiram que ela fosse mais uma delas.
Para Luana, nada importava. Escondida naquele cubículo, passou a varrer a internet atrás de alguém capaz de curá-la.
Postou em fóruns médicos e deixou seu novo contato em todos os cantos.
No exato dia em que abandonou o Jardins do Perfume, trocou de número.
Agora, ninguém possuía seus dados reais.
Logo depois, várias pessoas a adicionaram. Eram médicos ou assistentes dos sites onde ela havia apelado.
Ela descrevia a condição com uma frieza apática. Alguns diziam ser um caso raro, difícil, mas não impossível. Os mais medrosos simplesmente recusavam na hora.
Quando o vazio e as cinzas do desespero pareciam definitivos, uma mensagem piscou na tela:
— Senhorita, gostaria de fazer uma tentativa conosco? Temos estudado casos idênticos ao seu e possuímos uma equipe de pesquisa dedicada.
Com a apatia de quem não tem mais nada a perder, Luana digitou:
— Certo.
A pessoa respondeu:
— Precisamos agendar. Meu mentor estará disponível na tarde de depois de amanhã. O horário lhe convém?
Luana:
— Sim.
Na tarde combinada, dois dias depois, Luana compareceu ao local.
No entanto, ela nunca poderia imaginar que o médico que a atenderia seria Dante.
O que ela ignorava era a reputação internacional de Dante. Ele era constantemente requisitado mundo afora, mas recentemente, devido à pressão possessiva e desesperada de Sebastião, dedicava-se exclusivamente a encontrar a cura para Luana. Ao saber por sua pupila, Cláudia, sobre uma paciente com sintomas idênticos, decidiu investigar pessoalmente.
Dante encarava a tela do computador, focado na prescrição do paciente anterior. Sem erguer os olhos, murmurou um seco "sente-se".
As mãos de Luana apertaram as alças da mochila. O instinto gritou para ela dar meia-volta e sumir, mas fugir subitamente levantaria suspeitas imediatas de Dante.
Além disso, a máscara cobria seu rosto. Ele não teria como reconhecê-la.
Ela sentou-se, afundando em um silêncio absoluto e defensivo.
Dante concluiu as anotações, finalmente ergueu o rosto e disse:
— Você é a Vanusa, correto?
Cláudia enviou o endereço. Dante franziu a testa ao ler o local degradante e questionou:
— Ela sabia que seria atendida por mim quando agendou?
Cláudia respondeu:
— Acredito que não. Eu não mencionei o seu nome, e ela não perguntou.
Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Dante. Pensou em ligar para Sebastião e acabar com o desespero do amigo, mas hesitou. E se fosse apenas um falso alarme?
Dante tirou o jaleco branco, saiu do consultório e discou o número deixado pela paciente. Após alguns toques, a voz de Luana atendeu:
— Alô? Quem fala?
Tu... Tu... Tu...
Ele desligou. Luana presumiu ser trote e não deu importância. Naquela noite, fortes batidas soaram em sua porta. Ela ignorou, mas as pancadas se tornaram tão violentas e obstinadas que os vizinhos começaram a berrar insultos imundos pelas paredes finas.
Sem alternativa, ela destrancou a fechadura.
A porta se abriu, revelando uma figura alta e imponente nas sombras. A luz com sensor de movimento piscou, e os olhos de Luana bateram no rosto do homem.
Era Dante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
Na fase final sa história eles põem essa mudança ridícula de linguagem esse autor mud para uma linguagem ridícula totalmente fora do contexto atual que iniciou a história...
Fica horrível a leitura quando eles adotam essa linguagem....
Por favor, libera mais capítulos!...