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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 593

Luana alugou um quarto minúsculo e miserável em uma área remota. As inquilinas do local eram quase todas mulheres que dormiam de dia e se vendiam à noite. Naturalmente, presumiram que ela fosse mais uma delas.

Para Luana, nada importava. Escondida naquele cubículo, passou a varrer a internet atrás de alguém capaz de curá-la.

Postou em fóruns médicos e deixou seu novo contato em todos os cantos.

No exato dia em que abandonou o Jardins do Perfume, trocou de número.

Agora, ninguém possuía seus dados reais.

Logo depois, várias pessoas a adicionaram. Eram médicos ou assistentes dos sites onde ela havia apelado.

Ela descrevia a condição com uma frieza apática. Alguns diziam ser um caso raro, difícil, mas não impossível. Os mais medrosos simplesmente recusavam na hora.

Quando o vazio e as cinzas do desespero pareciam definitivos, uma mensagem piscou na tela:

— Senhorita, gostaria de fazer uma tentativa conosco? Temos estudado casos idênticos ao seu e possuímos uma equipe de pesquisa dedicada.

Com a apatia de quem não tem mais nada a perder, Luana digitou:

— Certo.

A pessoa respondeu:

— Precisamos agendar. Meu mentor estará disponível na tarde de depois de amanhã. O horário lhe convém?

Luana:

— Sim.

Na tarde combinada, dois dias depois, Luana compareceu ao local.

No entanto, ela nunca poderia imaginar que o médico que a atenderia seria Dante.

O que ela ignorava era a reputação internacional de Dante. Ele era constantemente requisitado mundo afora, mas recentemente, devido à pressão possessiva e desesperada de Sebastião, dedicava-se exclusivamente a encontrar a cura para Luana. Ao saber por sua pupila, Cláudia, sobre uma paciente com sintomas idênticos, decidiu investigar pessoalmente.

Dante encarava a tela do computador, focado na prescrição do paciente anterior. Sem erguer os olhos, murmurou um seco "sente-se".

As mãos de Luana apertaram as alças da mochila. O instinto gritou para ela dar meia-volta e sumir, mas fugir subitamente levantaria suspeitas imediatas de Dante.

Além disso, a máscara cobria seu rosto. Ele não teria como reconhecê-la.

Ela sentou-se, afundando em um silêncio absoluto e defensivo.

Dante concluiu as anotações, finalmente ergueu o rosto e disse:

— Você é a Vanusa, correto?

Cláudia enviou o endereço. Dante franziu a testa ao ler o local degradante e questionou:

— Ela sabia que seria atendida por mim quando agendou?

Cláudia respondeu:

— Acredito que não. Eu não mencionei o seu nome, e ela não perguntou.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Dante. Pensou em ligar para Sebastião e acabar com o desespero do amigo, mas hesitou. E se fosse apenas um falso alarme?

Dante tirou o jaleco branco, saiu do consultório e discou o número deixado pela paciente. Após alguns toques, a voz de Luana atendeu:

— Alô? Quem fala?

Tu... Tu... Tu...

Ele desligou. Luana presumiu ser trote e não deu importância. Naquela noite, fortes batidas soaram em sua porta. Ela ignorou, mas as pancadas se tornaram tão violentas e obstinadas que os vizinhos começaram a berrar insultos imundos pelas paredes finas.

Sem alternativa, ela destrancou a fechadura.

A porta se abriu, revelando uma figura alta e imponente nas sombras. A luz com sensor de movimento piscou, e os olhos de Luana bateram no rosto do homem.

Era Dante.

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