(Ponto de Vista de Ethan)
Assim que Nick desligou o telefone, percebi imediatamente que algo havia mudado profundamente em seu semblante, pois, em questão de segundos, todo o colorido fora drenado de seu rosto, deixando-o com um tom quase espectral que eu jamais tinha presenciado antes. Apesar de conhecer Nick o suficiente para saber que ele nunca se abalava facilmente diante de más notícias, naquele instante compreendi que se tratava de algo diferente, já que não era apenas preocupação ou medo: era como se uma catástrofe ainda maior que qualquer coisa que já havíamos imaginado tivesse acabado de ser posta em movimento, lançando uma sombra inédita sobre todos nós.
Até então, vivíamos imersos no caos, com Luke, Xander, o sumiço de Olivia e toda aquela pressão, enquanto, por outro lado, o alívio mínimo vinha do fato de que as crianças estavam a salvo conosco, servindo como um consolo frágil em meio à tempestade. Contudo, bastou aquele olhar de Nick, carregando o peso de um acontecimento imensurável, para que eu entendesse que nada nos prepararia para o que estava por vir.
Minha mente acelerou, tentando adivinhar o que seria tão terrível, e, ainda assim, a dúvida me corroía, uma vez que só conseguia imaginar tragédias. E então, um pensamento me atingiu. “Será que era isso...? Não. Impossível!”
Não resisti, guiado pela angústia, e me aproximei porque precisava ter certeza de que o que se passava em sua cabeça não era tão grave quanto eu temia, então inclinei-me e sussurrei baixinho, buscando não alertar os demais
— Aconteceu algo com Lupita e a vovó?
Nick, entretanto, permaneceu calado, mergulhado em silêncio, com os olhos distantes, e isso só acentuava minha inquietação, pois, naquele instante, tive a certeza de que ele havia sido despedaçado por dentro. Cada segundo de silêncio, aliás, dizia mais do que qualquer palavra, porque era como se ele estivesse afundando num lugar tão sombrio que ninguém seria capaz de alcançá-lo. E eu não estava gostando nem um pouco disso…
Quando finalmente me encarou, percebi que era um olhar vazio, morto, e, ao ouvir sua voz:
— Acho que devemos contar ao Marcus onde estamos. — Fui tomado por um choque, já que sugerir revelar nosso paradeiro a Marcus parecia quase suicídio diante do contexto. “Dar ao Marcus a informação sobre nosso paradeiro? Aquilo parecia completamente insano. Que diabos estava acontecendo, afinal?”
Antes que eu pudesse processar, Luke interrompeu com sua irritação habitual, sem paciência para rodeios:
— Qual seria o sentido de dizer ao Marcus onde estamos? Ele só traria mais confusão! Não. O fato da Olivia não estar aqui não justifica dar nenhuma informação a ele!
Eu, porém, continuei observando Nick, tentando decifrar o que se passava em sua cabeça, pois sentia em cada detalhe que havia algo muito maior sendo escondido, algo que não poderia ser ignorado, mesmo ele não deixando escapar absolutamente nada.
Então, insisti, olhando para Lule, tentando mudar o foco da conversa:
— Acho que a situação mudou, não acha?
Mas Luke desdenhou, rindo baixo:
— Que papo é esse? Continua tudo igual. O Marcus que fique onde está, não vamos contar nada pra ele. — Ele ignorou com um aceno de mão
No entanto, mesmo enquanto ele falava, era nítido que havia algo subentendido na sugestão de Nick, e o que quer que fosse... Era bem mais grave do que eu pensava.
Então, ao ver Nick soltar um suspiro profundo, com os ombros cedendo sob o peso do mundo, arrisquei:
— Acho que Nick tem algo para contar. — Tentando resgatá-lo daquela espiral de silêncio. Por um momento, seu olhar faiscou de raiva, não contra mim, mas contra toda a situação, pois a frustração estava corroendo suas entranhas, o impossibilitando de dizer qualquer coisa.
Luke, perdendo rapidamente a paciência, ordenou:
— Fala logo, Nick. Não deixa a gente no escuro. — Havia urgência em sua voz, e seus olhos não se desviavam de Nick, esperando que ele finalmente dissesse alguma coisa.
— Olhe as notícias, Luke. Ele já começou…
Diante das duas palavras, meu coração congelou.
“Ele já começou…”
Minha mão voou para o celular, quase por reflexo, e, assim que abri o aplicativo, o primeiro título explodiu diante dos meus olhos: “Explosões abalam grandes cidades do continente, e autoridades investigam possível ação terrorista.”
A notícia era real…
Marcus não estava brincando, muito menos blefando... As bombas já estavam explodindo, e ninguém sabia onde seria o próximo alvo, de modo que o medo, que eu sempre reprimi, me engoliu sem misericórdia.
Tudo aquilo… Nossa busca por Olivia, nossos esforços para manter o controle… Revelou-se insignificante diante da dimensão do que Marcus agora personificava: ele não era só um homem atrás da família, ele se tornara ameaça contra tudo.
Ao ver a notícia, o rosto de Luke desmoronou, e toda arrogância desapareceu:
— Meu Deus... É real mesmo. — Murmurou, finalmente atingido pela gravidade.
Não tínhamos ideia do que Marcus era capaz. Portanto, não havia mais dúvidas: tudo mudara, e, dali em diante, nada seria como antes.

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