OLIVIA
Eu não aguentava mais o que estava acontecendo. Meu filho, o pobre Samuel, tentava dormir, mas sempre que começava a pegar no sono, seu corpinho se retesava e ele acordava chorando, com o peitinho subindo e descendo de medo. Ele estava traumatizado.
Eu via aquilo nos olhos dele. Ele não tinha feito nada para merecer aquele tipo de tratamento. Nem entendia totalmente por que sentia tanto medo, mas percebia o peso no ar, a tensão dentro de casa. Como Xander podia fazer aquilo? Não bastava me capturar, me torturar... Ainda precisava envolver meus filhos?
Por que ele tinha que envolver meu filho naquilo? Meu filho não tinha feito nada contra ele. Nada. E mesmo assim, lá estávamos nós, com uma criança pequena demais para compreender o tamanho do perigo, vivendo com medo constante dentro do próprio lar.
Xander tinha trazido a guerra até a nossa porta, esperando que eu ficasse parada, sem reagir, por medo dele. Ele não me conhecia, mas estava prestes a descobrir. Ele estava passando dos limites. E eu não ia deixar aquilo barato.
Cerrei os punhos, sentindo a raiva girar dentro de mim como uma tempestade prestes a transbordar.
— Olivia, não pense nisso. É perigoso demais. — A voz de Marcus soou baixa, mas firme, como se ele soubesse exatamente onde meus pensamentos estavam indo.
Virei para ele, a frustração e a impotência quase me sufocando.
— Marcus, ele está passando de todos os limites. Ele também tem um filho... Como pode fazer isso sabendo que tem crianças aqui? Como pode colocar o meu filho nessa situação? — Minha voz falhou, e eu me odiei por isso.
Eu odiava estar tão impotente, odiava ver meu filho sofrendo por causa do meu passado. A crueldade de Xander não era só contra mim. Ele estava atingindo as minhas crianças, e isso eu não podia aceitar.
Xander queria se sentir um deus, me fazer acreditar que eu era pequena e impotente. Mas eu não ia permitir. Eu não ia deixar ele controlar meu medo. Eu ia mostrar que não o temia tanto quanto ele imaginava.
— Eu estou bem, amor. Não se preocupe, já me acalmei. — Falei, mesmo sabendo que não era verdade. Eu não estava calma... Mas ficaria. Ia me obrigar a ficar calma. Por Marcus, por Samuel, pela minha família.
Marcus beijou de leve o lado da minha cabeça, seus lábios quentes contra minha pele.
— Vai acabar logo, meu amor. Tudo vai dar certo. Eu prometo.

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