OLIVIA
— Olivia!
Eu estremeci de leve, assustada por ser arrancada dos meus pensamentos, e meu olhar se ergueu de imediato, revelando Marcus diante de mim, com o rosto marcado pela preocupação. Ele vinha chamando meu nome, mas eu não tinha escutado, de forma que sua voz soou novamente, mais suave agora, por mais que ainda estivesse carregada de inquietação.
— Em que você está pensando? — Perguntou, demonstrando com clareza a preocupação que o dominava.
Eu não sabia como responder, porque as palavras que eu queria dizer se embaralhavam na garganta, enquanto eu ainda tentava absorver o que havia acabado de descobrir e não consegui definir com precisão o que realmente sentia.
— Olivia? — Chamou de novo, desta vez com o tom mais insistente, mantendo o olhar fixo em mim, e eu pude enxergar a inquietação refletida no fundo de seus olhos.
Por fim, minha boca se abriu, ainda que parecesse que as palavras vinham de outra pessoa.
— Por favor, me diga o que aconteceu com Sandra. — A questão saiu quase como um sussurro, mas, apesar disso, carregava o peso de tudo o que eu vinha guardando.
Marcus hesitou por um instante, e seu rosto revelou uma sucessão de emoções que eu não soube decifrar de imediato, porém, como se tivesse compreendido, ele me encarou de forma mais direta.
— Você escutou a minha conversa, não foi?
Eu não precisei responder, porque a expressão dele já revelava que sabia que eu havia ouvido tudo.
Minha voz se quebrou ao terminar, à medida que o peso de tudo se infiltrava em meus ossos, e eu desejava apenas um alívio, um instante em que não precisasse temer o passado me alcançando.
Os olhos de Marcus suavizaram-se e, sem dizer mais nada, ele me puxou para seus braços, envolvendo-me em um abraço quente e firme, que parecia uma promessa de que tudo ficaria bem e de que, apesar de todo o caos e da incerteza, nós encontraríamos um caminho juntos. O toque dele ao meu redor era como um escudo contra a tempestade e, pela primeira vez em muito tempo, eu senti um lampejo de esperança.
Na sequência, ele beijou o topo da minha cabeça com delicadeza, falando em um tom baixo e reconfortante.
— Nós vamos superar isso, Olivia. Juntos.
E, naquele instante, eu quis acreditar nele mais do que em qualquer outra coisa, agarrando-me à promessa dele como a uma tábua de salvação e rezando para que encontrássemos a paz que nós dois precisávamos tão desesperadamente.

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