NICK
— Não consigo entender todo esse barulho, principalmente depois de você ter dito que eu jamais suportaria algo assim. — Falei, ocupado em esfolá-lo com um bisturi como se estivesse esfolando um animal, porque para mim ele não passava disso: um animal.
— Você não zombou de mim sobre isso há alguns dias? — Perguntei, limpando o sangue do bisturi que usava, enquanto recordava como ele parecera se divertir naquele dia, como se jamais chegaria a hora de pagar pelo que tinha feito. — Eu estava apenas tentando te mostrar que isso não faz parte de você, Nick. Então, por que não dá ouvidos ao Luke?
O olhar de desespero em seus olhos era satisfatório, e a simples ideia de que Olivia devia ter exibido a mesma expressão enquanto implorava para que a deixasse ir, sem ser atendida, fazia minha vontade de estrangular a vida dele aumentar, embora eu me contivesse, porque seria fácil demais e, portanto, uma forma de misericórdia.
Naquele dia, eu não estava longe de ter alguma clemência, ou seja, não tinha qualquer intenção de ser piedoso, sobretudo com alguém como Xander.
— Nós estamos apenas começando… O Luke pode esperar para entrar na brincadeira. — Ele queria Luke ali porque sabia que ele o mataria de imediato, e era justamente essa a benevolência que buscava, mas que jamais teria.
— Esse é o paralisante que você usou em Olivia? — Perguntei com a cabeça levemente inclinada para o lado, enquanto segurava um pequeno frasco com seja lá o que fosse que ele usou para prender meu coração dentro do corpo dela, fazendo-a sentir como se estivesse prestes a morrer. — Eu não gostaria de usar algo diferente, entende? Erros podem acontecer, e eu poderia acabar te matando. Eu quero a droga exata e nas medidas corretas.
Xander me encarava como se estivesse me vendo pela primeira vez, o que era bom, já que talvez acreditasse me conhecer quando fez a investigação sobre mim, mas não sabia nada a respeito do homem diante dele. "Esse homem havia sequestrado a mulher que eu amava e colocado meu filho em perigo!"
— Nick, você está agindo como um monstro! Vocês já pegaram a Olivia de volta… E já me torturou o bastante. Você não precisa ir tão longe! — Ele berrou tomado pela fúria, enquanto os olhos, ao contrário da voz, imploravam em desespero para que eu parasse. A contradição me enfureceu ainda mais, e, por isso, ignorei suas súplicas, já que suas palavras não tinham qualquer valor para mim.
— Me desculpe, este quarto não é exatamente a catacumba. Porém, eu prometo que vou te enterrar junto da pessoa que colocou Olivia lá dentro. Vocês certamente têm uma relação próxima, então poderão continuar lado a lado na vida após a morte. Não acha maravilhoso? — Sorri amplamente, como um louco, e talvez de fato fosse naquele momento.
Aproximei-me dele, com as botas firmes contra o chão frio, enquanto o brilho afiado do bisturi em minha mão refletia a pouca luz e eu continuava de onde havia parado, cortando sua pele com precisão cirúrgica e arrancando-a em movimentos lentos e calculados. Seus gritos de dor enchiam o ambiente, cada vez mais desesperados, mas eu não senti compaixão nem arrependimento, apenas uma fria e dura satisfação.
Então, interrompi o que estava fazendo e me ergui, observando-o com calma: o homem que acreditara ter o domínio sobre tudo agora estava reduzido a súplicas. Fui andando devagar, medindo cada passo até a porta, e detive-me antes de chegar a ela. Quando me virei, encarei-o com uma serenidade que, em vez de confortá-lo, aprofundou o terror em seus olhos.
— Mas você me mudou, Xander. — Falei com voz baixa, carregada de uma ameaça sutil. — Você recorda de eu ter dito isso? Pois foi você quem me fez chegar a esse ponto. — Deixei o peso das palavras pairar no ar, certo de que o atingiam mais fundo do que qualquer dor física que eu tivesse causado.
Um piscar de olhos revelou a confusão dele, logo substituída pela consciência que despontava em sua expressão. Ele nunca tinha entendido de fato as consequências do que fazia, até me empurrar além do limite. Agora, não havia retorno.
Caminhei de volta, em passos curtos e compassados, e vi o pavor surgir em seus olhos quando notou que eu não estava indo embora. Se eu saísse, Luke assumiria e arruinaria minha diversão, mas eu não tinha a menor intenção de parar. — Eu não posso sair agora, ainda não acertei as contas. — Naquele instante, as lágrimas já deslizavam pelos olhos de Xander.
Foi naquele instante, exatamente naquele momento, que ele percebeu que não havia escapatória de mim nem da tortura que o aguardava.

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