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Vingança Após o Divorcio romance Capítulo 336

OLIVIA

— Você me assustou... — Lupita tinha acabado de se afastar quando soltei um suspiro e, de repente, meu pai surgiu do nada.

Eu ainda estava traumatizada pelo que acontecera em nossa antiga casa e, por isso, pessoas aparecendo de repente continuavam a me assustar.

— Sinto muito.

Recebi Lilly de volta, sentindo o peso da infância que ficara para trás: minha bebê crescera rápido demais, justamente enquanto levávamos aquela vida errante, sempre na estrada, trocando de casa como quem troca de roupa, sem nunca criar raízes.

— Já passou da hora de decidirmos que ela deve partir.

Surpresa, olhei para cima, encontrando o olhar dele. A diferença de altura era evidente, pois meu pai era alto, e eu, com um metro e setenta e três, tinha herdado a média da minha mãe, que também não era propriamente baixa.

— De um lado, ela se comporta como uma adolescente apaixonada. Do outro, você como a mãe que impõe limites. É inevitável que guarde ressentimento, tanto por acreditar que você apoia o seu marido ao dizer não, quanto por não deixá-la receber o Nick em casa.

Minha mente ficou em branco, porque me perguntei se realmente estava tratando Lupita como uma filha e assumindo o papel de mãe dela. Aquilo não estava certo, visto que ela era uma mulher adulta, e eu não queria criar tensão entre nós... Mas, refletindo melhor, já havia tensão se acumulando sobre meus ombros só por estarmos falando sobre isso.

— Eu não sei, pai, eu gosto de tê-la por perto…

Ele se limitou a recostar-se contra o carro, sem mostrar qualquer intenção de insistir comigo.

— Enfim, também estarei por perto, na ala oeste, e deixarei os negócios da máfia em segundo plano. O que quero agora é dedicar meu tempo à família, sendo pai e avô presente para os seus filhos.

Gostei daquilo, afinal havíamos desperdiçado tempo demais afastados e tê-lo por perto era algo maravilhoso. Eu reconhecia o quanto ele vinha se esforçando e valorizava cada gesto. Ainda assim, apreciava também a presença de Lupita e não podia simplesmente mandá-la embora só por estar em um relacionamento.

— O que não quero é que ela pense que a rejeito por estar com o Nick. Se algum dia sair desta casa, que seja por sua própria decisão, nunca em razão de conflitos ou de sua relação com ele. Expulsá-la não entra nos meus planos, afinal, ela já é parte da família.

Meu pai assentiu.

— Você é boa nisso de ser mãe…

Sorri, porque ainda não estava acostumada a receber elogios dele e, quando vinham, sempre me deixavam feliz. — Tão boa que agora está cuidando até de mulheres adultas que agem como adolescentes.

O entusiasmo sumiu de imediato, porque eu não esperava que ele levasse a conversa para esse lado.

— Como mãe, ainda estou aprendendo, não tenho prática suficiente para dizer que sei o que fazer…

— No entanto, analisando de fora e de maneira imparcial, minha sugestão é que você se distancie disso.

Franzi a testa, sem entender, pois ele claramente ouvira minha conversa com Lupita e agora dizia para eu me afastar. "Como?"

— Olivia, eu te conheço, e é justamente por isso que digo: se realmente não quiser perder a Lupita, deve permitir que ela mesma se responsabilize pelo que sente em relação ao Nick e por como conduz esse laço…

Ele segurou minha mão depois de se afastar do carro, e seguimos juntos até a casa, fazendo com que eu me sentisse novamente como uma criança.

— Não transforme suas regras em barreiras, Olivia. Deixe que o Nick apareça quando quiser, sem parecer que você só quer separá-los.

Marcus não ia gostar nada disso, mas, como se tivesse lido meus pensamentos, meu pai acrescentou:

— Você mesma pode ver que o Nick está avançando com a própria vida, por isso Marcus vai entender, afinal não há mais razão para que se sinta ameaçado.

"Será que era tão óbvio assim?"

Meu pai não tinha sido o único a falar aquilo, porque Ethan já havia dito a mesma coisa.

— Eu vou falar com ele…

— Eu acabei de te dizer para não se envolver, Olivia. Qual parte você não entendeu?

— Agora veja só quem está agindo como pai…

Meu pai parou.

— Como assim agindo?

Franzi o cenho.

— Eu não estou agindo aqui, Olivia, eu sou o pai, e vou te proteger das situações idiotas em que você sempre consegue se meter. Cresça! — Ele parecia irritado.

Eu não entendia por que estava bravo, afinal só estávamos conversando.

— Você tem filhos agora, é mãe. Pare de se colocar em situações que podem afastá-la deles. — "Ok, já não era mais sobre Lupita, e sim sobre todo o resto…"

— Luke, eu acho que você está…

Meu marido apertou minha mão de volta quando eu o segurei, e, ao balançar a cabeça em silêncio, vi a confusão em seu olhar. Ele franziu o cenho, sem compreender por que eu não o deixava me defender, embora eu soubesse que meu pai precisava desabafar. Afinal, acontecimentos terríveis haviam colocado minha vida em perigo.

O objetivo dele, naquela época, era me achar, do mesmo modo que os demais. Porém, logo após conseguir, não pôde ficar comigo por mais de dez minutos, já que precisei sumir outra vez e deixá-lo encarregado de resolver a bagunça que restara.

Sim, eu tinha plena consciência de que me colocara naquela situação, porque se não tivesse ido atrás de Xander, nada daquilo teria acontecido. Então, enquanto todos já respiravam aliviados e se permitiam relaxar, ele permanecia incapaz de fazer o mesmo, pois sentia que ainda precisava garantir para mim um novo lar onde eu estivesse em segurança.

E no fim, as preocupações de um pai nunca terminavam.

— Desculpe, pai, eu prometo nunca mais te fazer passar por isso. — Chamá-lo de pai e ainda me desculpar foi suficiente para deixá-lo atônito, uma vez que essa atitude não era comum da minha parte e seguia provocando nele a mesma surpresa.

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