LUKE
— Que diabos você disse? — Andei de um lado para o outro sentindo um calor súbito, perguntando-me, em nome do inferno, o que Nick estava pensando. — Merda! — Xinguei baixo.
— A ordem dele foi clara: nada de abrir a porta, tampouco tentar espiar, seja qual for o barulho. Chefe, e se ele estiver repetindo aquilo da ilha?
"Sangue de Cristo!"
Desliguei a ligação e apenas fiquei parado, sem saber o que fazer, porque não adiantava correr até lá, já que podia ser tarde demais. "O que diabos poderia estar se passando na cabeça dele?"
— Está tudo bem? Você me parece mais tenso do que o normal. — Marcus perguntou, estendendo-me uma bebida.
Engoli de uma vez só, e a sensação ardente na garganta foi boa, exatamente o que eu precisava naquele instante.
— Nick está no armazém…
Ele franziu o cenho, confuso.
— Ok, e daí?
Eu sabia que ele não tinha entendido.
— Marcus, o armazém… É lá que eu estou mantendo o Xander.
— Merda! — Ele praguejou, passando a mão pelos cabelos. — Temos que ir agora!
"Sim, bem, talvez fosse apenas perda de tempo…"
— O ideal é que a gente vá sozinho, já que o Ethan anda com medo do Nick e isso só vai deixá-lo ainda mais perturbado…
"Eu pensei que ele fosse esperar por mim para resolver, então por que diabos foi até lá sozinho? Será que achou que eu estava demorando demais?"
— Tudo bem, vamos. Vou ligar para a Olivia enquanto seguimos. Mas me conta, o que exatamente ele está fazendo? Disseram alguma coisa?
Não sabia se contar a Marcus era uma boa ideia, mas, ao mesmo tempo… "Qual seria o sentido de esconder, se ele veria com os próprios olhos quando chegássemos?"
— A mesma coisa que fez na ilha.
Ele franziu a testa, sem compreender.
— O que aconteceu na ilha foi bárbaro, como se estivesse apenas abatendo um porco, até que ficou claro que estava, na verdade, esfolando um homem ainda vivo. Agora que o Xander está sem pele, o que você acredita que ele esteja passando nas mãos dele?
Marcus suspirou e não acrescentou mais nada. Enquanto isso, eu segui pela estrada em velocidade, sem saber se tentava resguardar Xander ou Nick. Dentro de mim, no entanto, a certeza era clara: se ele tivesse ido longe demais, se arrependeria. Marcus, por outro lado, permaneceu calado até estacionarmos no armazém, ao lado do carro do Nick.
Assim que descemos, Nick surgiu diante de nós, com as mãos e os braços cobertos de sangue, como se tivesse mergulhado nele, de forma que parecia ter acabado de sair de um banho macabro. Por isso, meu coração disparou de imediato, e cada batida ecoou tão alto nos meus ouvidos que se tornou impossível ignorar.
— Cruzes! Mas… Que merda você fez? — Marcus gritou ao vê-lo, horrorizado.
— Como vão, Marcus e Luke? — Carregando a caixa de ferramentas e exibindo um olhar satisfeito, ele parou bem à nossa frente.
— O que você fez, Nick? — Perguntei em tom sereno, mas a serenidade estava só na voz, já que, dentro de mim, reinava uma tempestade.
O que me consumia era a raiva, porque ele fez o que eu mais temia: rendeu-se ao lado sombrio. E como lidar com isso não era fácil, insisti que se desfizesse da pele e permitisse que eu assumisse o controle da situação.
— Eu matei o desgraçado. — Com a voz tranquila, ele respondeu como se nada tivesse o atingido, e me perguntei, então, se não passava de uma encenação.
— Como foi que você o matou? Você parece ter abatido um porco! — Marcus andou de um lado para o outro, atordoado.
— Foi bom ver vocês dois, mas preciso ir agora.
Balancei a cabeça.
— Por que você fez isso?
Algo brilhou nos olhos dele, mas sumiu rápido demais.
— Eu só fiz isso porque você estava demorando para resolver, apesar de eu já ter deixado claro o quanto a situação me incomodava. — Ele parou, então sorriu de lado. — Já ouviu aquele ditado de que, se quer algo bem feito, faça você mesmo? Pois eu cuidei do Xander, agora o corpo fica por sua conta. Até logo. — Com isso, ele entrou no carro e foi embora.
— Quer ver o estrago que ele deixou?
Ele titubeou por um instante, mas seguiu atrás de mim para dentro. À frente, os homens mantinham-se imóveis diante da porta, com o horror estampado nos rostos, e eu só pude conjecturar o que haviam presenciado.
À medida que nos aproximamos, eles recuaram, e Marcus avançou alguns passos, pondo-se diante de mim para espiar o interior. No entanto, logo deu alguns passos para trás, atônito, e foi nesse momento que me questionei se o que havia lá não superava até mesmo a crueldade de esfolá-lo vivo. Quando decidi olhar também, o arrependimento veio de imediato, pois o que encontrei não passava de um corpo disforme, com braços e pernas, mas sem rosto reconhecível.
Então, tirei o celular do bolso e liguei para Elodie.
— Maninho! — Ela atendeu animada.
— O seu filho não passa de um maldito monstro… Um verdadeiro demônio!
O silêncio se instalou por um momento após as minhas palavras.
— Meu filho nunca recebeu treinamento algum, Luke, e meu pai sequer o conheceu. Além disso, nos livramos do soro. Como, então, ele poderia se tornar um monstro do Don?
— Pois ele é! — Desliguei a ligação.

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