LUPITA
A boa Olivia tinha aparecido de novo naquele dia, fazendo-me sentir culpada pelo que eu havia feito e, principalmente, pelo que eu tinha levado Nick a fazer. Impulsiva e dominada pela raiva, eu havia tomado minha decisão sem refletir e agora carregava o peso do arrependimento. Ainda assim, não lamentava a morte de Xander, pois ele merecia esse fim, embora talvez não devesse ter sido Nick a executar tal ato.
Naquele momento, eu ainda me lembrava do jeito como ele saíra do armazém, e tinha certeza de que jamais conseguiria apagar aquela imagem da minha mente. Entretanto, o que mais me perturbava era o fato de ele parecer indiferente quando entrou no carro, como se nada tivesse acontecido.
"Ou será que tudo não passara de uma encenação diante de mim, apenas para parecer forte e esconder que o que fizera por minha causa não o incomodava? Talvez fosse apenas uma forma de me proteger da culpa. Ou, ao contrário, era eu que queria enxergar o lado bom de Nick, querendo provar para Olivia que ele não era tão ruim quanto ela acreditava…"
Estava perdida em pensamentos, sem conseguir definir o que sentir, quando de repente ouvi baterem à porta. Supus, então, que fosse Olivia vindo ao meu encontro e autorizei a entrada, porém, em vez dela, apareceu Nick. Diante da situação, fiquei atônita e endireitei-me de imediato na cama.
Ele já carregava o peso de tudo o que acontecera naquele dia e, como se não bastasse, não estava autorizado a entrar naquela casa, o que tornava sua presença ainda mais arriscada. Olivia, portanto, não hesitaria em surtar caso o flagrasse ali.
— Não precisa se preocupar tanto, porque o Marcus me garantiu que eu posso entrar e sair sempre que quiser.
Suspirei, soltando um ar que nem sabia que estava prendendo.
— Que alívio, mas por que você veio? Está tudo bem?
Ele não respondeu, apenas se aproximou e se sentou na beira da cama, olhando-me em silêncio por alguns instantes. Senti-me exposta sob aquele olhar.
— Você está bem? Tenho consciência de que o que ocorreu foi pesado para você e sei que me viu, logo a minha aparência pode ter te causado medo. Então achei melhor vir até aqui para saber como você estava. — Meu coração se aqueceu com as suas palavras.
"Ele se importava comigo, exatamente como eu queria…" Talvez eu tivesse agido da forma errada para conquistar sua atenção e fazê-lo me olhar como olhava para Olivia, mas ainda assim era bom ouvir aquelas palavras.
— Estou bem, apesar de carregar muitas preocupações, admito, mas vou ficar bem, pois já decidi que em breve darei início à terapia.
Ele pareceu preocupado quando mencionei a terapia, mas eu sorri para tranquilizá-lo.
— Não se preocupe, eu já enfrentei bastante coisa, assim como todos aqui, mas nunca me permiti parar para viver o luto pela morte da minha avó. Talvez por isso ainda guarde tanta raiva, e é justamente isso que quero resolver antes que acabe piorando.
Nick me puxou para os braços dele e me abraçou forte.
— Eu vou te levar à terapia… É só me dizer quando e eu estarei aqui para te buscar. — Ele acariciou minhas costas, cantarolando uma melodia baixa que eu não consegui identificar.
— Você é forte, Lupita, muito mais do que imagina, e eu admiro isso em você. Talvez qualquer outro já tivesse caído diante do que você viu e viveu, mas você resistiu. Quero que guarde bem dentro de si que não está sozinha, porque eu sempre estarei contigo quando precisar.
A tensão em meu corpo se esvaiu, levando embora também as incertezas e os pensamentos ruins. Naquele instante, ele me fez sentir como se eu fosse a única mulher que importava em toda a sua vida.
A gargalhada saiu ainda mais forte, justamente porque eu nunca tinha escutado sua voz em canto, nem uma só vez.
— Tudo bem, pode rir... — Ele resmungou. — Muito bem, vou te mostrar, só preste atenção. — Assim que iniciou, ficou claro que era horrível.
Ao entoar a música infantil "Nana Neném", ele me fez rir tanto que não consegui me controlar. Logo ele riu comigo, e aproveitou para encostar os lábios, de leve, na lateral da minha cabeça. Foi a primeira vez que fez isso, e senti meu peito aquecer enquanto o coração se perdia no ritmo.
— Ok, admito que talvez eu não saiba cantar, mas vou ficar aqui conversando com você até que adormeça. — O problema é que eu já não queria mais dormir, queria apenas continuar ali, rindo e falando com ele sem pressa. Então outra batida na porta interrompeu o momento, despertando minha irritação.
Nick convidou a pessoa a entrar, e Olivia apareceu com bebidas e petiscos.
— Sinto muito, só vim deixar isso. — Ela colocou tudo na penteadeira. — Precisam de mais alguma coisa?
— Não, obrigado, Olivia. — Nick respondeu, puxando-me para mais perto como se quisesse deixar claro para ela que estávamos juntos, e meu coração se aqueceu porque ele estava me assumindo, o que me agradou profundamente. Olivia, porém, não permaneceu, saindo rapidamente.
Em seguida, Nick beijou minha testa novamente.
— Venha! O sono virá mais depressa se você descansar no meu peito e deixar o som do meu coração embalar você... — Eu aceitei mais do que feliz.

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