LUPITA
Eu tentei, Deus sabe que eu tentei. Mas a Olivia e a família dela não gostam quando alguém lhes faz o bem. Ela foi a responsável pela morte da minha avó e, mesmo assim, eu não tinha o direito de revidar ou sentir raiva disso porque, afinal, era a Olivia, a filha do chefão da máfia.
Estalei a língua de raiva. Aquela mulher devia era ser grata por tudo que eu fiz por ela. Eu a tratei como uma irmã mais nova, e minha avó a tratou como se fosse sua neta.
E ela teve a audácia de deixar o pai dela me expulsar da casa? Como ela ousa! Eu criei o filho dela por dois anos enquanto ela estava presa, fui mais mãe para aquela criança do que ela jamais será.
Agora que as coisas estavam dando certo para ela, pessoas como eu e o Nick não tinham o direito de ficar com raiva pelas dores que ela nos causou? Quem a Olivia pensa que é?
No começo, achei que ela não tinha nada a ver com a decisão do pai de me expulsar, mas o fato de não ter vindo me ver nem uma vez na última semana depois que saí me fez pensar que foi ela mesma quem pediu ao pai para me colocar para fora. Eu já não servia mais pra ela.
— Você parece irritada.
Virei para o Nick, nem tinha percebido quando ele chegou.
— Claro que estou irritada. —Me aproximei dele.
— O que houve?
Gostei de ver a preocupação no rosto dele, mostrava o quanto se importava comigo.
— Olivia.
Só de mencionar o nome dela, a expressão dele mudou por completo. Ri baixinho e balancei a cabeça. O homem ainda estava completamente apaixonado pela Olivia… como pude pensar que ele poderia sentir algo por mim?
Quanta ingenuidade! Olhei bem nos olhos dele, queria que visse que eu não era ingênua, que eu enxergava tudo com clareza, que conseguia ver através dele. Só não entendia por que estava atrás de mim.
Não era por um relacionamento, isso estava claro.
Ele pigarreou:
— Você brigou com a Olivia ou algo assim?
Meus lábios se curvaram num sorriso de desprezo. O Nick se achava esperto, igualzinho à Olivia.
— Não, mas estou furiosa com ela por ter me feito ser expulsa da casa. Achei que fosse coisa só do Luke, mas o fato dela não ter vindo aqui me mostra que ela estava envolvida.
Ele franziu a testa.
— Acho que você sabe por que o Luke te expulsou. Por que está colocando a Olivia no meio disso?
Era exatamente isso que eu queria: que ele mostrasse seus verdadeiros sentimentos, que parasse de esconder e deixasse claras suas intenções comigo.
— Eu sei o que fiz, Nick, e por isso não discuti quando o Luke pediu que eu saísse. Mas eu achava que a Olivia não sabia. Se é assim, então por que ela não ligou ou me visitou?
A expressão dele mudou. Era a mesma que usou quando me repreendeu na casa da Olivia. Bem, aquilo não foi uma repreensão, foi uma ameaça.
— Por que será que gente como você nunca consegue ser grata?
— Não se preocupe, não vou te matar. Quer saber por quê? — Arqueou a sobrancelha de novo.
Fiquei calada. Eu estava desconfortável com a presença dele, queria que fosse embora logo.
O Nick era um assassino. Eu não o vi cometer o crime, mas vi como ele voltou do galpão: ensanguentado. Eu entrei em pânico, mas pensei que podia lidar com isso, desde que ele me amasse.
Eu não tinha pensado bem. Ele era demais para mim.
— Olivia se importa tanto com você que me odiaria pelo resto da vida se algo te acontecesse. A mesma mulher que agora você diz odiar sem motivo.
Continuei de boca fechada. Eu não queria fazer nada contra ela, só queria cortar os laços.
— Eu não odeio a Olivia, só estou com raiva pelo que aconteceu.
Ele riu.
— Eu não dou a mínima pro que você está sentindo. Mas vou te avisar pela última vez: não mexa com a Olivia. Senão não vai ter que lidar só comigo, mas também com a máfia Black e com a Família Walker atrás. E você sabe melhor do que ninguém do que somos capazes.
Ele fez uma pausa e me lançou um olhar que gelou minha espinha.
— Escolha com cuidado: ou é amiga, ou é inimiga. A escolha é sua.
E saiu.

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