OLIVIA
Endireitei-me na cadeira e a encarei por um momento sem dizer nada, porque sabia que ela estava sofrendo e eu queria encontrar as palavras certas, de modo que respirei fundo antes de falar.
— Eu reconheço que a submeti a muitas situações difíceis e que, ao permanecer comigo, sua vida correu riscos inúmeras vezes, por isso peço desculpas por ter falhado em cuidar de você.
Eu tinha sido a pior, portanto não a culpava por não querer mais nada comigo, afinal, eu mesma não gostaria se estivesse em seu lugar. Desde que ela passou a fazer parte da nossa família, enfrentamos muitas situações e, por causa disso, sua vida esteve em risco em mais de uma ocasião, mas, em todas elas, o único interesse que me guiava era preservar o meu próprio bem-estar…
Nem ao menos tive o cuidado de perguntar como ela estava, o que sentia ou do que precisava para se sentir melhor…
— Eu sei que fui uma amiga terrível e a pior das irmãs, porque em meio a tudo o que aconteceu só pensei em mim e acabei deixando você de lado. Lamento profundamente por isso e estou tentando mudar, já que desejo reparar os erros que cometi, começando por essa terapia…
Enquanto minhas palavras saíam, ela me encarou com a intensidade de quem me enxergava pela primeira vez.
— Sabe, no começo eu não a culpei pelo que aconteceu com a minha avó, mas, com o tempo, comecei a culpá-la.
As palavras dela me atravessaram como uma faca afiada, mas permaneci em silêncio, dando-lhe espaço para desabafar e, enfim, colocar para fora o que a atormentava.
— Viver com você foi uma aventura! Eu nem sabia que minha vida era entediante até conhecer você e ver um lado completamente diferente da vida, um lado belo, porém perigoso.
Ao erguer os olhos na minha direção, ela me ofereceu um sorriso discreto, mas que não iluminou seu olhar, mostrando-se nada além de um gesto entristecido.
— No começo foi emocionante presenciar e viver tudo aquilo. Eu realmente achei que sua vida fosse simples, afinal, quem não pensaria o mesmo? Você é uma mulher rica, casada com um homem admirável, cercada de amigos como Ethan e ainda com Nick Jones como ex-marido… Pessoas que, para mim, só existiam em revistas e na TV…
Dessa vez, ela sorriu de verdade, olhando através de mim como se estivesse recordando algo bom, algo que realmente lhe agradara. Aquilo me deixou feliz, porque percebi que, ao menos, ela havia tido bons momentos ao meu lado.
— Nunca pensei que teria contato com esse tipo de gente, muito menos que encontraria um chefe da máfia fora das histórias, mas, graças a você, isso aconteceu. Acabei viajando pelo mundo, mesmo sem ser por diversão, conheci lugares novos, tive experiências diferentes, fiquei em hotéis belíssimos e saboreei comidas maravilhosas… Foi uma experiência incrível.
Ela voltou a me encarar, mas o sorriso desapareceu.
— Só que houve um preço alto por aquela vida, e eu o paguei com a vida da minha avó. Pensei que seria capaz de superar isso e seguir em frente, desfrutando de uma boa vida ao seu lado e cuidando dessas crianças maravilhosas…
Ela lançou um olhar para Lilly, que dormia ao meu lado, antes de voltar os olhos para mim.
— Mas eu não consegui superar, porque, quanto mais o tempo avançava, mais eu me prendia a isso, e, em consequência, mais ressentimento guardava de você. Para piorar, Nick Jones demonstrou interesse em mim, e eu realmente acreditei que poderia ser algo bom, até descobrir que sua intenção era apenas me usar para se aproximar de você.
— Vou buscar Samuel…
— Pode deixar comigo. — Ela se levantou, subiu as escadas e tudo o que pude fazer foi acompanhá-la com o olhar.
Eu devia a ela muito mais do que os bens materiais que lhe dava, porque, se não fosse pela forma como cuidou das minhas crianças e pelo quanto fez por mim, não sei o que teria acontecido com Ethan e com meu filho naquele tempo difícil.
Pouco depois, apareceu trazendo Samuel nas costas, já que era assim que gostava de carregá-lo, e caminhou comigo até a porta. O motorista se mostrou espantado ao nos ver, afinal, eu havia afirmado que sairíamos apenas à noite, mas, em questão de horas, já estávamos prontos para partir.
Ela ajudou Samuel a entrar no carro, beijou-lhe a testa com ternura, e eu, depois de prender Lilly, detive-me por um instante para olhar em seus olhos antes de entrar.
— Posso, ao menos, ganhar um abraço?
Ela respondeu com um sorriso e me envolveu nos braços.
— Eu realmente sinto muito, Lupita. Se algum dia precisar de mim, por favor… Não hesite em me ligar.
Diante de seu aceno, entrei no carro e parti, levando comigo o peso no coração.

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