MARCUS
Olhei para aquele homem, e a audácia dele de entrar na minha casa depois de tudo o que havia feito me fez ferver por dentro. Ele parecia até assustado, como se fosse um marido pego em flagrante pela própria esposa, e eu me perguntei: "O que diabos está passando na cabeça desse idiota?"
Eu já nem conseguia mais sentir raiva dele, pois não adiantava, Nick era obcecado pela minha esposa... Contudo, eu precisava admitir uma coisa: embora tivesse feito de tudo para permanecer ao lado dela, ainda não havia ultrapassado a linha.
Pelo menos não com minha mulher, mas, sim, quando usou alguém tão próximo dela e a feriu no processo.
— Como diabos a Olivia descobriu? — Ele perguntou, andando de um lado para o outro, enquanto nenhum de nós dizia palavra, apenas observávamos ele se fazer de tolo.
— Vamos, Nick. — Disse Ethan, tentando fazê-lo parar. Mas ele o ignorou e me encarou. — Juro, Marcus, não ultrapassei nenhum limite. Mesmo sendo afastado, mesmo quando tentei me comportar, vocês não confiaram em mim. Eu aceitei que Olivia é sua e que não poderia tê-la de volta, mas estar longe dela é o que realmente não consigo suportar. Ainda assim, não faltei com respeito em momento algum!
Na mente dele, talvez realmente acreditasse que não estava cruzando o limite e que estava sendo respeitoso. Entretanto, nada daquilo era saudável, e o fato de nós tolerarmos em vez de enfrentarmos de frente só reforçava nele a ideia de que estava agindo certo, quando não estava.
— Nick, você prometeu, agora vamos… — Insistiu Ethan.
Eu não sabia o que eles tinham prometido um ao outro, e tampouco queria saber.
— Onde vocês dois vão? — Perguntou Luke, com a curiosidade estampada no rosto.
— Para terapia…
A resposta me fez encarar Ethan.
Para mim, era animador que estivessem em terapia, porque isso significava que teriam alguém para orientá-los e, quem sabe, desistiriam de insistir de forma tão doentia na minha esposa.
— Fico satisfeito em ver que resolveram buscar auxílio. Afinal, assumir que há algo errado sempre foi o ponto de partida para conseguir retomar o rumo certo.
Nick e Ethan me encararam.
— Não sou eu quem vai ao terapeuta, é o Nick. O problema está com ele, não comigo.
Balancei a cabeça em negativa, mas, antes que eu pudesse responder, Nick protestou:
— Eu também não tenho problema, só estou indo porque ele está me forçando.
— Chega, não quero ouvir. Querem manter nossa amizade e continuar aparecendo aqui? Então busquem ajuda, organizem suas vidas e, mais adiante, poderemos conversar sobre sairmos juntos. Até lá... — Apontei para o portão.
Os dois amigos trocaram um olhar.
— Já era hora. — Enquanto Luke se afastava, murmurando, fiquei esperando que os outros dois finalmente dissessem algo.
— E quanto ao meu filho? O que acontecerá com o Samuel? — "Mais uma desculpa…" Nick era realmente especialista nisso.
— Concluída a terapia, ele continuará aqui. — Ele pareceu prestes a protestar. — O Samuel precisa de um pai em boas condições, tanto físicas quanto mentais. Após três meses de terapia, poderá voltar a vê-lo, mas apenas em visitas supervisionadas. A não ser, claro, que prefira que eu recorra ao que já fez no passado para afastá-lo de vez e garantir que nunca mais tenha contato com ele.
Ele explodiu de raiva, diminuindo a distância entre nós.
— Você não ousaria! — Suas narinas inflaram. No entanto, eu apenas sorri, satisfeito por tê-lo exatamente onde queria.
"Ou ele criava coragem para fazer o que era certo, ou eu garantiria que nunca mais visse o filho!" Nick estava tão acostumado a ser mimado que acreditava poder escapar de tudo.
— Experimente e descubra. Eu ainda guardo provas e, ao contrário do que imagina, não serei eu o implicado. Eu sou Marcus Walker, de reputação ilibada, e você é o homem que já foi exposto pela mídia por andar com alguém acusado de ligações mafiosas. Então, me diga, de que lado o tribunal vai ficar quando eu reivindicar a guarda definitiva?

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